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Recosturando Portinari na Casa Fiat de Cultura

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Com curadoria de Ronaldo Fraga, exposição apresenta processo de restauro da obra “Civilização Mineira” e coleção de moda inspirada no maior pintor modernista brasileiro Da poesia do céu de Brodósqui à delicadeza das andorinhas. Das brincadeiras de infância aos retirantes nordestinos. Candido Portinari buscou inspiração nas mais simples formas e foi capaz de inspirar gerações com sua arte e originalidade. É um pouco desse universo que a exposição Recosturando Portinari na Casa Fiat de Cultura apresenta ao público, entre 26 de agosto e 26 de outubro, no Circuito Cultural Praça da Liberdade. Com curadoria do estilista e designer Ronaldo Fraga, a mostra apresenta os bastidores da recuperação de uma obra de arte – por meio do processo de restauro do quadro “Civilização Mineira” (1959) – e faz o visitante entrar no mundo de Portinari sob um olhar sensível e criativo.

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Maior quadro de Cândido Portinari em Minas Gerais, Civilização Mineira ganha os holofotes da exposição. Representando a mudança da capital mineira, de Ouro Preto para Belo Horizonte, em 1897, e a evolução da sociedade local, o painel, de 2,34m X 8,14m, passou por restauração no último ano, quando foram descobertos uma intensa ocorrência de cupins e o esbranquiçamento de partes da obra – provocado pelo branco feito de titânio. Instalações e ambientes sensoriais foram idealizados por Ronaldo Fraga para contar as etapas dessa restauração – de forma lúdica e interativa –, fazendo com que o público se sinta parte do quadro e do passo a passo da recuperação de uma obra de um dos principais representantes do modernismo no Brasil. O Making of e a representação de um ateliê de restauro, além de uma visão sobre a vida e a obra do mestre modernista, poderão ser apreciados pelo público nesse mergulho portinaresco.

Esse minucioso processo de restauração aproxima-se do complexo trabalho de criação de um artista. Por isso, lado a lado ao processo de restauro, será apresentada a obra de Portinari como fonte de inspiração para uma criação de moda, a coleção O Caderno Secreto de Candido Portinari. O pintor é fonte inesgotável de inspiração para diferentes vetores da cultura brasileira, e, pela primeira vez, é transposto para a moda. Sob a ótica de Ronaldo Fraga, detalhes, traços, formas e cores características de Portinari ganham releitura na moda, deixando as telas para ganhar as ruas. Balões de São João, pipas erecos portin 2 azulejos transformam-se em verdadeiros legados contemporâneos da arte de Portinari. Os visitantes vão conferir o making of da criação do estilista (croquis e pesquisa) e concepções inéditas, tendo como ponto de partida a obra Civilização Mineira.

Para o presidente da Casa Fiat de Cultura, José Eduardo de Lima Pereira, realizar essa exposição de forma tão lúdica é a maneira ideal de fazer com que o público conheça Portinari e Ronaldo Fraga em sua essência. “O olhar sensível de Ronaldo Fraga tem muito do menino que ele foi e sempre será. Ao ‘recosturar’ Portinari, ele busca um companheiro de brincadeiras infantis no menino de Brodósqui. Gente grande que não tem coragem de pôr pra fora a criança que ainda é não devia ter permissão para visitar esse trabalho, essa deliciosa recostura que faz pensar e que diverte. Como tudo o mais que Ronaldo Fraga faz”, ressalta o presidente.

Para Ronaldo Fraga, Recosturando Portinari é uma oportunidade de cada vez mais pessoas conhecerem o trabalho desse artista que tanto representou o Brasil em suas telas. “É uma forma de fazer com que as novas gerações se familiarizem com essa arte, com o processo de criação e o universorecos portin 3 inspiracional de Candido Portinari. É a perpetuação de um legado que deve ser múltiplas vezes preservado e apreciado”, explica o curador.

Quatro salas compõem a mostra, que utiliza as mais diversas linguagens, possibilitando que o público se envolva de forma interativa com o quadro Civilização Mineira e com o mundo de Portinari. Na primeira delas, inconfidentes mineiros dão as boas vindas aos visitantes, numa instalação com os elementos do quadro. Na sequência, espantalhos – figuras tão recorrentes na obra do pintor – relembram momentos marcantes da vida de Portinari e destaques de sua obra, enquanto ao lado, serão revelados os bastidores do ateliê de restauro do quadro Civilização Mineira. Num outro ambiente, os aromas da infância de Portinari ganham vida, proporcionando uma experiência multissensorial. Com chão coberto de grãos de café e sob balões de São João, Ronaldo Fraga leva para o mundo da moda cores, formas e visões desse importante nome do modernismo brasileiro.

A exposição é uma realização da Casa Fiat de Cultura, em parceria com a Associação de Amigos do Museu Mineiro, com patrocínio da Fiat Automóveis, parceria institucional da Associação Pró-Produção das Artes (APPA), apoio cultural do Café Três Corações e produção da Paralelo 3.

Candido Portinari

De origem humilde, Portinari ganhou o mundo pintando o que via e o querecos portin 4 sentia. Suas pinceladas suaves foram capazes de descrever o sofrimento, a dor e a alegria de um povo da forma mais singela e marcante, assinando seu estilo único na história da arte. Considerado por historiadores, críticos e colecionadores de arte – assim como por grande parte do público –como um dos maiores nomes da pintura brasileira do século XX, ele é um dos principais representantes do modernismo no Brasil. Candido Portinari nasceu em 30 de dezembro de 1903, na fazenda de café Santa Rosa, no povoado de Brodósqui, em São Paulo. Foi o segundo dos 12 filhos dos imigrantes italianos Baptista Portinari e Dominga Torquato. Se as escolas tradicionais não o atraíram – cursou até o terceiro ano primário –, aos poucos, as artes começaram a povoar seu imaginário. Começou a pintar aos nove anos e, um ano depois, já chamava atenção com o desenho “Retrato de Carlos Gomes”, feito para homenagear a Banda de Música Carlos Gomes, na qual o pai tocava bombardino.

A vocação para as artes levou-o ao Rio de Janeiro. Aos 15 anos, mudou-se para a então capital do Brasil para estudar no Liceu de Artes e Ofícios. Em 1922, fez a primeira participação em uma exposição, quando ganhou menção honrosa com um retrato possivelmente inspirado no amigo Ezequiel Fonseca Filho. Em 1928, ganhou, com o quadro “Retrato de Olegário Mariano”, na Exposição Geral de Belas Artes, o Prêmio de Viagem à Europa. Em seguida, foi estudar na França, em Paris. A distância, ao perceber como os grandes artistas sintetizavam a cultura de origem nas próprias obras, pôde enxergar melhor sua terra e tomar a decisão que marcaria sua trajetória: pintar sua gente. Assim tornou-se Portinari.

Em Paris, o artista conheceu a uruguaia Maria Victoria Martinelli, de 19 anos. Um ano depois, o casal voltou ao país e, para sobreviver, Portinari passou a pintar intensamente. Em 1934, começou a lecionar pintura mural e de cavalete no Instituto de Artes da Universidade do Distrito Federal, no Rio, e deu início à criação de painéis públicos. Seu único filho, João Candido, nasceu em 1939, quando pintava os painéis “Jangadas do Nordeste”, “Cena Gaúcha” e “Noite de São João” para o Pavilhão Brasileiro da Feira Mundial de Nova York. Em Minas Gerais, em 1944, foi marcante a inauguração da Pampulha, em Belo Horizonte, onde criou algumas das mais significativas obras. O então prefeito Juscelino Kubitschek pediu a Oscar Niemeyer, autor do projeto da Igreja de São Francisco de Assis, que fosse decorada por Portinari com azulejos na parte externa e pintura mural no interior.

Após a participação na “I Bienal de São Paulo”, foi convidado pelo Governo Brasileiro a criar dois painéis intitulados “Guerra e Paz” para a sede das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Três anos depois, foi internado com hemorragia intestinal. Diagnóstico: sintoma causado pelo uso de tintas contendo metais pesados, como chumbo, cádmio e prata. A doença se agravou, e, por determinação médica, parou de pintar. De volta ao ofício, em 1955, participou da III Bienal de São Paulo, com os estudos para o painel, e foi eleito pelo International Fine Arts Council, de Nova York, o “melhor pintor do ano”. Concluiu “Guerra e Paz” em 1956: “Foi o melhor trabalho que já fiz: dedico-o à humanidade”. Em 1962, em 6 de fevereiro, morreu vítima de complicações pela intoxicação das tintas que o consagraram. Foi sepultado no Cemitério São João Batista, no Rio. Porém, seu legado como um dos principais nomes da pintura brasileira do século 20, graças ao trabalho do filho João Candido, à frente do Projeto Portinari, continua para as novas gerações.

O quadro Civilização Mineira

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“Civilização Mineira” (1959) é o maior quadro de Cândido Portinari em Minas Gerais, com a medida de 2,34m x 8,14m, composto por 12 chapas de madeira compensada, que se encontra instalado no hall de entrada da Casa Fiat de Cultura. Obra de Candido Portinari, que representa a mudança da capital mineira, de Ouro Preto para Belo Horizonte, em 1897, “Civilização Mineira” foi produzido em têmpera sobre madeira, em 1959, no Rio de Janeiro, para decorar a sede do Banco do Estado de Minas Gerais (antigo Banco Agrícola Hipotecário de Minas Gerais). O projeto foi executado entre fevereiro e abril do mesmo ano da encomenda, o que demonstra a concentração com que orecos portin 5 pintor trabalhava, e foi inaugurado juntamente à nova sede do banco, em maio de 1960.

No início de 1967, o Banco Agrícola Hipotecário de Minas Gerais, então proprietário da obra, foi transformado, pela fusão com o Banco Mineiro da Produção, no Banco do Estado de Minas Gerais, BEMGE. Nessa ocasião, o quadro de Portinari foi transferido para Belo Horizonte e instalado na sede da nova instituição financeira, na Praça Sete de Setembro, onde permaneceu até outubro do mesmo ano, oportunidade em que foi transferido ao Palácio dos Despachos, para a inauguração do edifício, que seria a sede administrativa do Governo do Estado de Minas Gerais, na capital. Desde então, encontra-se instalado no hall de entrada do edifício. O quadro Civilização Mineira, de Candido Portinari, é obra caracteristicamente modernista, sem abrir mão de fundamentos da pintura clássica, claramente dominados pelo pintor. A pintura se caracteriza por tons pastel e pela representação das paisagens urbanas, perpassada por linhas diagonais e faixas tonais, que criam arestas e remetem ao cubismo de uso recorrente do artista. A técnica pictórica, aparentemente, é mista e contrasta tinta rala. A composição da obra é dividida ao meio por duas seções: do lado esquerdo, a cidade de Ouro Preto é representada por um conjunto de casario, igrejas e telhados, e, do lado direito, está a moderna Belo Horizonte, com seus edifícios, fiação elétrica – criando ritmos poéticos, com andorinhas pousadas sobre os fios – e construções.

Restauro

O projeto de recuperação da obra de Portinari foi uma iniciativa da Casa Fiat de Cultura, em parceria com Associação Pró-Cultura e Promoção das Artes (APPA), Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG) e Ministério da Cultura, com patrocínio da Fiat Automóveis, e marcou a primeira atividade da Casa Fiat de Cultura no Circuito Cultural Praça da Liberdade.

recos portin 6Por representar a memória histórica de Minas Gerais, o quadro Civilização Mineira é um especial exemplar dentro do conjunto de obras de Portinari existente em Belo Horizonte. Sua importância é reconhecida por meio da proteção legal do Estado e do Município. O monumento é propriedade do Estado e está sob a guarda do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais – IEPHA/MG, sendo ainda tombado, pelo Município de Belo Horizonte, como patrimônio cultural do conjunto urbano da Praça da Liberdade. O quadro passou por restauro há 11 anos, mas, devido a manchas e degradações ocasionais, percebeu-se a necessidade de um novo processo. Foi realizado um trabalho de pesquisa e análise, com o objetivo de coletar o maior número possível de informações acerca do artista, da técnica e dos materiais que utilizava, assim como sobre a iconografia do painel, os estudos estilístico-formais, o contexto histórico em que foi produzido e o estado de conservação da obra, após mais de 50 anos de exposição no prédio em que se encontra.

recos portin 7Os maiores percalços encontrados pela equipe de restauro foram referentes à intensa ocorrência de cupins e ao esbranquiçamento de partes da obra, provocado pelo branco de titânio. Dentre as iniciativas de investigação, realizaram-se estudos químicos dos materiais pictóricos – por meio de análises não destrutivas por fluorescência de raios- X – em diversos pontos da obra, com o intuito de determinar a paleta de cores da obra e os locais de retirada de amostras. Cada ponto foi medido e fotografado para observação mais precisa da informação. Posteriormente, seguiu-se ao diagnóstico e à documentação científica por imagem, com uso de fotografias por luz visível e fluorescência de ultravioleta.

A imagem por luz visível, captada por câmera fotográfica tradicional, é um registro da pintura em seu estado atual e real e possibilitou a geração de imagens em alta resolução da obra, tanto em “fatias” quanto integral. Aplicou-se o gerenciamento de cores, técnica que permite manter a consistência dos tons e faz com que a imagem digital apresente tonalidades mais próximas da imagem original.

Já a fluorescência em ultravioleta é uma imagem diagnóstica, que permite aos restauradores analisar a camada pictórica e o estado de conservação dos vernizes superficiais. Com este tipo de fotografia, foi possível verificar se houve repintura, além de diferenciar tons e cores originais daqueles aplicados por intervenções anteriores e saber, com exatidão, o local em que foi feita a operação. Dessa forma, conseguiu-se dar nova vida ao quadro, com as cores e beleza que Portinari idealizou tantas décadas atrás.

Arte na moda

O que Van Gogh, Mondrian, Matisse, Monet, Poliakoff, Picasso, Braque, Frida Kahlo, Degas, Dalí e Escher teriam em comum? Além de serem grandes nomes das artes plásticas, todos foram inspiração, alguns mais de uma vez, para estilistas. Foram fonte de beleza para a criação no mundo da moda, que cada vez mais se torna uma extensão artística de outras expressões, indo das telas para as ruas e popularizando a arte. Recentemente, foi a vez de Ronaldo Fraga buscar inspiração nas telas, na vida e na obra de Candido Portinari, artista que despertou a vontade de encher as ruas com suas cores, formas e pinceladas.

20140826085226114958e (1)Apaixonado pela cultura brasileira, e sempre empenhado em fazer moda como um vetor cultural, não é a primeira vez que Fraga buscou em artistas brasileiros o fio condutor para fazer sua própria arte. Carlos Drummond de Andrade, Mario de Andrade, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos e Nara Leão, por exemplo, já figuraram em suas criações e mostraram ao mundo a riqueza cultural do Brasil. Os desenhos que Portinari fazia ainda pequeno, a chegada do circo em sua cidade, as noites de São João, pipas soltas pelo ar e espantalhos coloridos nas plantações de café aparecem em belos bordados em fios soltos ou estampados de maneira gráfica e colorida. “Vou pintar a minha gente com aquela cor e aquelas roupas. Com seus pés grandes e descalços, suas mazelas e suas festas”, disse Portinari certa vez. Ronaldo Fraga capta essa vontade do grande pintor de se fazer ver as belezas de um povo que sempre arrumou maneiras de sorrir.

Programa Educativo

O Programa Educativo é peça fundamental no trabalho de valorização e ampliação do conhecimento proporcionado pela Casa Fiat de Cultura a seu público. Para cada exposição, são idealizados uma temática e um conceito a serem trabalhados em visitas orientadas, oficinas, programação paralela, assessoria ao professor e outras atividades. Na mostra Recosturando Portinari, o Programa Educativo, que conta com concepção da educadora Rachel Vianna e coordenação da educadora Manuela Tolentino, aborda a vida e obra de Portinari e seu legado inspirador nas artes. Segundo Rachel Vianna, os educadores vão envolver os visitantes com repetições visuais, que transitam tanto nos quadros de Portinari quanto nas estampas da moda. “Será possível perceber os ritmos, formas, superfícies e cores característicos desse grande mestre do modernismo. O artista criava ritmos visuais por meio da repetição, do movimento no espaço em sua composição. Isso também é muito comum na moda. As artes se misturam”, explica.

Uma equipe de educadores multidisciplinares está à disposição para atender todos os públicos: crianças, jovens, adultos, estudantes das redes pública e privada e grupos como associações e ONGs, dentre outros. O Programa é um dos diferenciais com suas visitas orientadas e um motivo a mais para conhecer a exposição Recosturando Portinari na Casa Fiat de Cultura.

O agendamento para grupos, escolas e assessoria ao professor poderá ser feito pelo telefone (31) 3289-8910 ou pelo e-mail agendamento2@casafiat.com.br. Além das visitas de grupos e instituições, o Programa Educativo oferece visitas temáticas ao público e às famílias nos fins de semana, sem necessidade de agendamento. Toda a programação tem entrada gratuita.

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SERVIÇO

Recosturando Portinari
Casa Fiat de Cultura

De 26 de agosto a 26 de outubro de 2014
Visitação: 3ª a 6ª das 10h às 21h | sábados, domingos e feriados das 10h às 18h
Entrada gratuita
Praça da Liberdade, 10 – Funcionários – BH/MG.
Telefone: (31) 3289-8900
www.casafiatdecultura.com.br
casafiat@casafiat.com.br
facebook.com.br/casafiatdecultura
Instagram:@casafiatdecultura
Informações para a imprensa:
Personal Press
Polliane Eliziário – polliane.eliziario@personalpress.jor.br – (31) 9788-3029

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Cosulte também na Biblioteca da Escola de Belas Artes, os livros sobre este artista, sobre Moda e Ronaldo Fraga :

 DAMM, Flavio.; PORTINARI, Cândido. Um Candido pintor Portinari. 1. ed. [S.l.]: Expressão e Cultura, 1971. 1v.

PORTINARI, Candido. Candido Portinari. São Paulo: Aleksander B. Landau, c1972. 1v.

PORTINARI, Cândido; PENNA, Christina Scarabôtolo Gabaglia; PORTINARI, João Candido.; PROJETO PORTINARI. Candido Portinari: catálogo raisonné = catalogue raisonné. Rio de Janeiro: Projeto Portinari, 2004. 5 v.

PORTINARI, Cândido; BARDI, P. M. Cem obras primas de Portinari. [São Paulo]: Museu de Arte de São Paulo ‘Assis Chateaubriand’, 1970. [72] p.

QUEIROZ, João Rodolfo; BOTELHO, Reinaldo. Ronaldo Fraga. São Paulo: Cosac & Naify, 2007. 149 p. (Coleção Moda brasileira.)

POLLINI, Denise; ALFONSO, José Luis Hernández. Moda no Brasil: criadores contemporâneos e memórias. São Paulo: MAB, FAAP, 2012. 173 P. + 1 DVD.

Exposição “Na Superfície | Trabalhos sobre Papel”

O 23º Encontro Nacional da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas – ANPAP — será realizado em Belo Horizonte, entre 15 e 19 de setembro 2014. Terá uma organização multiforme, compreendendo Fórum de Coordenadores de Pós-Graduação e de Graduação, Conferências Nacionais e Internacionais, Comitês, Simpósios e Seções de Iniciação Científica. A coordenação do encontro tem a coordenação da Professora e Pesquisadora da Escola de Belas Artes da UFMG Lúcia Pimentel.  Veja toda a programação no site: http://www.anpap.org.br/23encontro.html.

 A exposição “Na Superfície | Trabalhos sobre Papel” será realizada em paralelo ao evento, na Galeria da Escola Guignard, com abertura prevista para o dia 16 de setembro de 2014, às 21 horas— após a palestra do Filósofo e Historiador Francisco Jarauta — seguindo até 30 de Setembro. Para este encontro, o Comitê de Poéticas Visuais da ANPAP realizará a exposição com alguns artistas pesquisadores em artes plásticas, membros do PPGArtes da UFMG e da Escola Guignard.

A mostra terá como ponto de referência o suporte papel: desde o desenho, ao projeto, mas também a fotografia, a gravura, a escrita, o livro e etc. A nossa atenção se voltará aos trabalhos que utilizam este suporte de fina espessura, mas de utilização polivalente; pois em sua singularidade o papel apresenta-se também como multiplicidade, assim como são suas maneiras de acolher a imagem em suas várias formas e toda a sua profundidade. Já escutamos: nada mais simples do que um pedaço de papel. Algo simples, mas passível de receber o primeiro traço gestual, que ordena semelhanças e dessemelhanças materiais, assim como as coisas desconhecidas e invisíveis. Assim é o papel, esse flexível material — lugar para fixar constelações de qualidades – dispondo sua superfície para nossas invenções e possibilidades.

 Abaixo o catálogo . A curadoria está a cargo de Patricia Franca-Huchet, Mário Azevedo (da EBA/UFMG) e Marco Túlio Rezende (da EG/UEMG).

Clique na imagem para abrir o catálogo.

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Exposição Manifesto em flor

Centro Cultural inaugurOU exposição Manifesto em flor

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Flores brancas de papel crepom representam a cultura contra violência

Manifesto em Flor é o nome da exposição que acontece no Centro Cultural UFMG, entre os dias 22 de agosto a 21 de setembro de 2014, em comemoração aos 10 anos do projeto de arte pública ‘Manifesto das Flores’, idealizado em 1998 pelo artista plástico e educador Severino Iabá.

O projeto tem como fundamentação a análise geral do meio social e se contrapõe às contradições e hostilidades de nosso tempo, promovendo a possibilidade de mãos generosas produzirem e ‘plantarem’ flores de papel crepom, manifestando a necessidade de uma cultura de paz, contra a violência e a exclusão. Esta ação, em atividade durante os últimos 10 anos, envolve atores sociais da região metropolitana de Belo Horizonte, de outras cidades brasileiras e até mesmo do exterior.

Uma das mais expressivas manifestações envolvendo o projeto culminou no dia 28 de maio de 2003 na Praça das Águas, no Parque das Mangabeiras, em Belo Horizonte, onde ocorreu a criação coletiva de um gigantesco jardim (instalação de arte, intitulada “Para não dizer que não falei das flores”) de 30 mil rosas brancas de papel crepom que foram confeccionadas em diversos espaços públicos da região metropolitana.

O projeto, que tem a participação, entre outras pessoas, da fotógrafa Eliane Velozo e do músico Jorge Dissonância é coordenado por Severino Iabá, seu criador e já realizou inúmeras intervenções urbanas em cidades brasileiras e do exterior, tais como; em Gonzaga, MG, em protesto à estúpida morte de Jean Charles; na Praia de Copacabana no Rio de Janeiro durante a Rio+20; e na Itália, como parte do projeto ‘Redescobrindo a Jornada de Meu Pai’ (sobre a participação brasileira na II Guerra Mundial e a construção de uma cultura de paz).

Estarão expostos na Sala Celso Renato, no Centro Cultural UFMG; além da instalação construída a partir de flores brancas em papel crepom; registros fotográficos do processo, dos participantes e dos resultados do projeto.

Além da exposição uma roda de conversa com os artistas sobre os processos do projeto, acontece no dia 18 de setembro às 19 horas e, no dia 21 de setembro, o ‘Boi Rosado’ (um dos resultados do projeto, criado em homenagem ao escritor mineiro João Guimarães Rosa) realizará, às 10 horas, sua reaparição em folguedo, com cortejo folclórico, que vai do Centro Cultural UFMG ao Parque Municipal de Belo Horizonte, onde acontecerá o lançamento de seu primeiro CD e a doação de 200 mudas de árvores nativas.

Severino Iabá é pernambucano, nascido em Surubim, e reside em Belo Horizonte há 20 anos. Artista criador, trabalha compulsivamente em vários projetos, geralmente relacionados ao meio ambiente, à ecologia e à construção de uma cultura de paz. Seus trabalhos centralizam-se no meio social e envolvem os mais diversos setores da comunidade, dentre eles escolas, artistas, escritores, poetas, etc.
Escolas interessadas em visitar a exposição podem entrar em contato com o Centro Cultural UFMG através do telefone 3409 8290.

https://www.ufmg.br/centrocultural/acontece_manifesto_em_flor.htm

Palatnik e seus seguidores: BH recebe exposição do “pai da arte cinética no Brasil”

Clarissa Carvalhaes

 

Desde quarta feira  (13), a capital mineira recebe 13 obras daquele que é considerado o “pai da arte cinética no Brasil”, o potiguar Abraham Palatnik. Mas não só.

“Balão Foguete”, de Deneir
“Balão Foguete”, de Deneir
A exposição “Cor, Luz e Movimento” – que integra as ações do Prêmio Marcantonio Vilaça para as Artes e que entra em cartaz na Galeria do Centro Cultural Minas Tênis Clube – abarca, ainda, 40 obras de 14 artistas que têm seu trabalho inspirado nas criações do “mestre”: Ana Linnemann, Arthur Amora, Braga Tepi, Bruno Borne, Carlos Krauz, Carlos Pertius, Claudio Alvarez, Deneir, Eduardo Coimbra, Emygdio de Barros, Fernando Diniz, Luiz Hermano, Robson Macedo e Wagner Malta Tavares.
À frente da curadoria está Marcos de Lontra, membro da Associação Internacional de Críticos de Arte e ex-diretor do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, de Brasília e do Recife.Pioneiro

Pioneiro da Arte Cinética no Brasil, Palatnik criou objetos que exploram efeitos visuais por meio de engrenagens delicadas e movimentos físicos.

Engenheiro de formação, o artista sempre tratou de projetar e construir suas obras associando minúcias matemáticas a um senso estético e plástico extremamente apurado.

Na década de 1950, período em que atuou como designer de móveis, Palatnik passou a unir a estética à tecnologia. Foi a partir daí que o movimento e a luz foram reunidos e ganharam corpo físico.

Naquele momento, o artista passou a dar início a trabalhos com potencial visual e poético até então jamais discutidos no cenário das artes nacional. Nasceram, então, obras como as da série “Relevos Progressivos e as Progressões” e o aclamado “Cinecromáticos”.

Agora, o belo-horizontino tem a oportunidade de ver um recorte muito peculiar – e importante – dessas experimentações que travaram um embate (ou uma junção) da luz e do movimento.

“Cor, Luz e Movimento” – Desta quarta ao dia 28 de setembro. Galeria de Arte do Centro Cultural Minas Tênis Clube (rua da Bahia, 2.244, Lourdes). Horário de funcionamento: terça a sábado, das 10h às 20h, e aos domingos e feriados, das 11h às 19h. A entrada é franca.

À frente do seu tempo, Palatnik revolucionou a arte com sua identidade
Artista cinético, pintor, desenhista. Todos os trabalhos do octogenário Abraham Palatnik – e dos artistas que o seguem – expostos em Belo Horizonte vêm do Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, onde passaram por temporada expositiva.Assinando a expografia, Marcio Gobbi não esconde a dificuldade em trabalhar com arte moderna, “projetos que subvertem o conceito tradicional de exposição”.

Para BH, a promessa dele é trazer uma montagem neutra, embora penetrante. “É bom quando o público se sente acolhido a ponto de não perceber o trabalho que tive para deixar o espaço dessa maneira. Acredito que a melhor expografia é essa: quanto mais invisível, mas presente estou”.

Destaca-se que “Cor, Luz e Movimento” celebra dez anos do Prêmio Marcantonio Vilaça – um dos mais importantes do país. O curador da exposição, Marcus de Lontra, associa o nome de Palatnik a figuras como Amilcar de Castro (1920–2002) e Lygia Clark (1920–1988).

“A partir dele nasceu uma escola que sequer havia sido imaginada no mundo. Ao observar a exposição, o público poderá facilmente encontrar pontos em comum de obras dos ‘alunos’ com o conjunto de trabalho de Palatnik. No entanto, essa mesmas obras não estabelecem diálogo umas com as outras. Elas bebem na mesma fonte, mas são completamente distintas, comprovando que a escola do artista tem várias vertentes: seja popular, seja tecnológica”, explica o curador.

Da história de Palatnik, Lontra conta que muito antes de “criar” a Arte Cinética o artista era um pintor tradicional – até descobrir pessoas que pintavam melhor do que ele.

“Há relatos de que teria dito que não podia competir com tanto talento – era preciso criar algo novo. Palatnik é, seguramente, o retrato de um homem que, sobretudo, não se deu por vencido. A partir da adversidade, ele inventou novos caminhos para a arte e reinventou a própria identidade”.“Cor, Luz e Movimento” no Centro Cultural Minas Tênis Clube (r.da Bahia, 2.244). Terça a sábado, das 10 às 20h. Domingo e feriado, das 11 às 19h. Até 28/9

 Um bom motivo para ir a SP
O Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) recebe até dia 15 a maior mostra já realizada com obras de Palatnik. Batizada “A Reinvenção da Pintura”, a exposição conta ainda com “Diálogos” – mostra paralela que reúne 39 obras de 26 artistas que ampliaram o conceito do mestre.

Mostra no MAP reúne obras de artistas selecionados pelo Bolsa Pampulha

Clarisse Souza

Obras foram produzidas por bolsistas vindos de várias partes do país. A partir deste domingo, o público poderá conferir o resultado de cinco meses de trabalho no Museu de Arte da Pampulha

Obras produzidas pelos artistas incluem desenhos, pinturas, instalações, vídeos e intervenções urbanas
Obras produzidas pelos artistas incluem desenhos, pinturas, instalações, vídeos e intervenções urbanas

O Museu de Arte da Pampulha (MAP) abre espaço a partir deste domingo para uma mostra formada por trabalhos de 10 artistas que participam do Programa Bolsa Pampulha. Depois de um trabalho de pesquisa que começou em setembro do ano passado em Belo Horizonte, os contemplados pelo projeto vão poder usar o espaço da Fundação Municipal de Cultura (FMC) para exibir obras de várias linguagens em uma exposição com entrada gratuita.

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Além de cinco mineiros, foram selecionados artistas de São Paulo, Rio e Paraná

O programa, que já está em sua quinta edição, é realizado pela Associação de Amigos do Museu de Arte da Pampulha em parceria com a FMC, da Prefeitura de Belo Horizonte. O projeto seleciona artistas de todo o país interessados em desenvolver projetos de criação em artes visuais.  Dessa vez, foram escolhidos cinco pessoas de Minas Gerais, três de São Paulo, uma do Rio de Janeiro e uma do Paraná. Os selecionados tiveram de viver em Belo Horizonte durante cinco meses, período em que conviveram com outros artistas locais, participaram de encontros e se envolveram com os moradores da cidade nos centros culturais de BH.

Nesta última fase do projeto, os 10 selecionados vão ocupar diversos espaços do Museu de Arte da Pampulha. Quem visitar o espaço cultural até 26 de outubro vai encontrar desenhos, pinturas, instalações, vídeos e intervenções urbanas espalhadas pelo salão nobre, mezanino, sala multiuso e área externa do MAP. “É um conjunto de artistas bem variado e seus trabalhos são feitos em muitas linguagens. Mas podemos dizer que eles têm em comum a crítica social, que é recorrente na maioria eles. No entanto, são questões que permeiam os trabalhos de forma muito poética”, avalia a artista plástica e uma das curadoras da exposição Eliza Campos.

A mostra coletiva fica em exposição de terça a domingo, de 9h às 18h30 e é aberta para o público de todas as idades.

A curadoria da exposição é de Agnaldo Farias, Elisa Campos, Marta Ruiz e Ricardo Resende.

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Consulte na Biblioteca da Escola de Belas Artes os catálogos de edições anteriores do Bolsa Pampulha: 

BOLSA Pampulha : 27 Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte. Belo Horizonte: Museu de Arte da Pampulha, 2004. 188 p.

BOLSA Pampulha 2005-2006: 28 Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte. Belo Horizonte: Museu de Arte da Pampulha, 2007. 108 p.

BOLSA Pampulha 2007-2008: 29 Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte. Belo Horizonte: Museu de Arte da Pampulha, 2007. 195 p. + 1 DVD.

BOLSA Pampulha 2010/2011: 4ª edição : 30 Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte. Belo Horizonte: Museu de Arte da Pampulha, 2011. 201 p.

Artesanato no Youtube

Canal no Youtube homenageia artistas e designers que se mantiveram fiéis às técnicas artesanais

Para que gastar horas a fio em algo que poderia ser feito muito mais rapidamente por uma máquina? O canal do Youtube Gucci Japan responde. Em uma série chamada “Hands“, 35 artistas e designers mostram o trabalho artesanal que fazem para criar desde objetos em madeira até doces e cafés.

A beleza do projeto artesanal não envolve apenas o tempo e cuidado empregado na peça, mas também a técnica, que muitas vezes é histórica e passada de geração em geração. Com foco no objeto que é criado, em vez do artista, os vídeos da série são verdadeiramente inspiradores.

Assista a alguns deles :

https://www.youtube.com/watch?v=xxPc8j0SwuA

https://www.youtube.com/watch?v=hjhTbePvyXc

https://www.youtube.com/watch?v=6F1KVT2b8BI

https://www.youtube.com/watch?v=W-_BUQ2nJp8

https://www.youtube.com/watch?v=318v5zqD9YM


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Belo Horizonte recebe exposição com gravuras de Salvador Dalí

Patrícia Cassese

Tudo começou com uma encomenda – feita pelo governo italiano, no âmbito das comemorações dos então 700 anos do nascimento do poeta Dante Alighieri (1265-1321): criar 100 aquarelas, para cada um dos poemas épicos que compõem a obra mais icônica do autor florentino, “A Divina Comédia”.

Catalão não fica limitado a uma interpretação literal, mas explora o potencial metafórico de Dante
Catalão não fica limitado a uma interpretação literal, mas explora o potencial metafórico de Dante

Mas não seria Salvador Dalí, o gênio a receber tal incumbência, a não deixar, no resultado final, também a sua marca. A boa notícia é que os desenhos do artista espanhol, que em sua trajetória também retratou outras obras da literatura (de André Breton ou Miguel de Cervantes, por exemplo), chegam esta semana aos olhos dos belo-horizontinos.

“Dalí – A Divina Comédia” – que estreou em julho de 2012 no Rio de Janeiro, passando posteriormente por Curitiba, Recife, São Paulo e Salvador – será aberta no último dia 18, na Academia Mineira de Letras, onde permanece até o dia 17 de agosto, com entrada franca.

Oriundo de uma coleção privada da Espanha, o acervo chega à capital mineira com o desafio de conduzir o público “a uma viagem a partir desse diálogo enriquecedor entre literatura e artes visuais”.

A proposta visual da exposição respeita a estrutura sequencial dos cantos do poema sagrado de Dante. Assim, a primeira sala é dedicada ao Inferno, com 34 imagens; um segundo espaço corresponde ao Purgatório, e o terceiro ao Paraíso, com 33 quadros cada.

Curadora da mostra, Annia Rodriguez lembra que a coleção nunca havia sido emprestada. A iniciativa de agora, acrescenta, é fruto de um trabalho de confiança mútua. “E para a gente, tem sido um grande prazer levar essa mostra não só aos circuitos mais tradicionais (referindo-se ao eixo Rio-São Paulo), mas também a praças como Salvador e Recife”, cidades, que pontua ela, tradicionalmente costumam ficar um pouco mais relegadas a segundo plano no cronograma das exposições internacionais que aportam no Brasil.

Artista não se subordina ao texto escrito por Alighieri

Annia Rodriguez, a curadora da mostra “Dalí – A Divina Comédia”, ressalta o fato de, apesar de as gravuras que aterrissam agora na cidade terem sido frutos de uma encomenda para a já citada edição comemorativa – “e apesar de ser também um exercício de ilustração” – é possível encontrar, nos traços espalhados pelos 100 desenhos, traços da personalidade de Salvador Dalí refletidos no conjunto.

“Ou seja, o artista não se subordina ao texto escrito. Nesta coleção também aparece o, digamos assim, ‘Dalí típico’, e, ainda, o posterior do manifesto mítico nuclear. Em síntese, diferentes momentos de sua vida como pintor e artista estão recolhidas nesta coleção. O público vai se encontrar com a obra de Dante Alighieri e também com a de Salvador Dalí”, enfatiza.

Annia acredita ser uma “feliz coincidência” o fato de o Brasil estar concomitantemente abrigando outra mostra dedicada a Salvador Dalí – no caso, a maior já dedicada ao pintor catalão por estas plagas.

A exposição em questão traz pinturas, desenhos, gravuras, fotografias e documentos do pintor surrealista, e está em curso no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) Rio de Janeiro (leia mais na retranca, abaixo). “Quem tiver a oportunidade de conferir às duas iniciativas, poderá confrontar duas versões do Dalí. No caso da exposição que chega a Belo Horizonte, o público confere ao Dalí ilustrador, mas que se faz presente na versão de uma obra literária. É um recorte”, explica.

No caso da mostra em cartaz até setembro na capital fluminense, prossegue ela, “é um recorte curatorial distinto”. São 150 obras do artista. Só desenhos, são 80, além de 29 pinturas. “No caso da mostra referente à obra de Dante, não é que o público vá se deparar com um Dalí totalmente diferente (do esperado), ou que não vá reconhecer o Dalí. Vai, sim, encontrar a iconografia surrealista, na qual Dalí coloca sua marca, em características como o corpo mole. Há mesmo, ali, uma amostra de seu fazer artístico, desde o inferno até um lado mais místico, e menos conhecido do público, que são as obras concentradas na parte do Paraíso”.

A mostra em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro (Rua Primeiro de Março, 66, Centro – site: ccbbrio@bb.com.br) segue, em outubro, para o Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. Na verdade, trata-se da exposição que se tornou fenômeno na capital francesa, há quase dois anos, quando aportou no Centre Georges Pompidou – o Beaubourg. Lá, atraiu mais de 800 mil pessoas e se desdobrou em lembrancinhas como o rinoceronte de pano que fez sucesso na lojinha do museu.

Mas o que faz de Salvador Dalí – recentemente vivido nas telas do cinema por Adrien Brody, no filme “Meia-Noite em Paris”, de Woody Allen – foco de tanto interesse?“Sua obra é uma provocação, fala de magia e mistério”, diz Montse Aguer, uma das curadoras da mostra na cidade maravilhosa, orçada em R$ 9 milhões. “São maneiras distintas de olhar para a realidade, o desejo insatisfeito do homem diante de uma beleza convulsiva”, completa ela.

Um dos raros artistas de sua geração a conquistar fama e fortuna em vida, Dalí usou quase todo o dinheiro que ganhava com presentes extravagantes para a mulher, que aparece em algumas telas da exposição brasileira.

Mas Gala é uma presença mesmo nos quadros em que não é retratada. Num dos trabalhos mais fortes da exposição, Salvador Dalí pinta uma cama vazia, com os contornos deixados por um corpo e um formigueiro em seu lugar.

É um quadro em que ele primeiro retratou a paisagem marítima de Cadaqués, nos anos 1920, e depois, no fim da década seguinte, criou outra camada, acrescentando a cama e uma cadeira vazia no estilo surrealista que o consagraria.

 “Dalí – A Divina Comédia”.
Abertura para o público: dia 18. Visitação: quarta a domingo, de 9 às 19h, na Academia Mineira de Letras (Rua da Bahia, 1466). Entrada gratuita. Classificação: livre. Mais informações: 3222-5764

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Consulte na Biblioteca da Escola de Belas Artes as obras sobre Salvador Dali.

 

BOSQUET, Alain; DALI, Salvador. Dali desnudado. Buenos Aires: Paidos, [19-]. 148p.

DALI, Chagall, Redon. 2. ed. São Paulo: Nova cultural, 1991. 76 p. (Os Grandes Artistas . Modernos)

DALI, Salvador. Journal d’un genie. [S.l.]: Gallimard, 1974. 312p. (Collection idees: 313)

DALI, Salvador. Salvador Dali. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, c1995. 1v. (não paginado)

DALI, Salvador; FOLHA DE S. PAULO (FIRMA). Dalí. Barueri, SP: Editorial Sol 90, 2007. 96 p. (Coleção Folha grandes mestres da pintura ; 13)

DALI, Salvador; MUSEU DE ARTE MODERNA DE SÃO PAULO. Dali no Brasil. São Paulo: MAM, 1986. [96] p.

DESCHARNES, Robert; NERET, Gilles. Salvador Dali: 1904-1989: a obra pintada. Köln: Taschen, c2007. 2 v.

MADDOX, Conroy; Lisette Queirós Wernek. Salvador Dalí, 1904-1989: o génio e o excêntrico. Köln: Benedikt Taschen, c1993. 95 p. ISBN

NERET, Gilles. Salvador Dalí: 1904-1989. Köln: Taschen, c2002. 96p.

SÁNCHEZ VIDAL, Agustín. Salvador Dalí. Madrid: Electa, c1999. 63 p.

SECREST, Meryle.; DALI, Salvador. Salvador Dali: o bufão surrealista. 2. ed. Rio de Janeiro: Globo, 1988. 274p., [16]p. de estampas

TRIADO, Juan-Ramon. Gênios da arte. Barueri, SP: Girassol, 2007. 12 v.