Inaugurada em 1897, Belo Horizonte teve sua arquitetura inspirada nos modelos urbanos de cidades como a francesa Paris.[/LEAD] Detalhes dessa história podem ser conferidos bem de perto na exposição “BH, Cidade Luz”, em cartaz no salão cultural da Aliança Francesa a partir de desta segunda-feira (14).
Na década de 1970, José Octavio Cavalcanti dedicou-se a desenhar Paris durante três meses
A mostra reúne trabalhos do arquiteto e artista plástico José Octavio Cavalcanti, e do também artista Warley Desali. Ao todo o público poderá conferir 12 obras que passam pelo desenho e pela pintura.
De um lado está o trabalho de Cavalcanti que, ao retratar Paris, revela similaridades entre as capitais. Um trabalho que começou a ser feito ainda na década de 1970, quando ele exercia apenas a arquitetura. “Em 1976, durante três meses, busquei estabelecer, através do desenho de observação, o diálogo entre Paris e Belo Horizonte”, recorda.
Do outro lado está Desali que, por ainda não conhecer a cidade francesa, se inspira no imaginário e no cotidiano que de alguma forma remetem à cidade, como a rua Paris do bairro Europa, em Contagem.
“Nossas obras são bastante diferentes. Me valho do desenho, enquanto Desali é menos figurativo. Esses dois nortes são extremamente benéficos para o observador. Eles mostram a arte feita em dois tempos”, comenta Cavalcanti, de 66 anos.
Para o escritor e conselheiro da Aliança em BH, José Carlos Aragão, os artistas interligam Paris/França e Belo Horizonte/Brasil pelo traço e pela cor submetidas a uma única luz: o sol.
“Em ‘BH, Cidade Luz’, a perspectiva – como técnica de representação plástica da tridimensionalidade de cada artista – é apuradíssima e singular. E a perspectiva – como olhar pessoal do artista ou como ponto de vista do observador– é bem diversa, original e encantadora”, observa.
“BH, Cidade Luz” no Salão cultural da Aliança Francesa (r. Tomé de Souza, 1418, Savassi. Abertura: Nesta segunda, às 19h. Em julho, visitação de segunda a sexta, das 8 às 21h. Até 9/8.
Mostra será aberta ao público em 6 de setembro; cerca de 25% dos artistas serão brasileiros
Conflito e coletividade. O equilíbrio entre essas duas situações é o que norteia o trabalho dos curadores da 31ª Bienal de São Paulo, que será realizada a partir de 6 de setembro em pavilhão no parque Ibirapuera.
Obra de Edward Krasinski que estará na Bienal de SP
A equipe curatorial do evento, formada por Charles Esche, Galit Eilat, Nuria Enguita Mayo, Pablo Lafuente e Oren Sagiv (além dos curadores associados Benjamin Seroussi e Luiza Proença), divulgou parte da programação em entrevista nesta terça (25). Cerca de 25% dos artistas que estarão na Bienal serão brasileiros.
O mote da Bienal 2014 é “coisas que não existem”. “O título é um chamado poético às promessas da arte, e propõe maneiras variadas de abordar essas coisas: como falar sobre elas, como aprender com elas, como viver com elas, como lutar contra elas…”, dizem os curadores.
A mostra terá obras de artistas como Juan Downey, Romy Pocztaruk, Danica Dakić, Armando Queiroz, Virginia de Medeiros, Nurit Sharett, Val del Omar, Yael Bartana, Tunga, Lia Rodrigues, Sheela Gowda, Edward Krasinski, Asger Jorn, Jo Baer, Walid Raad, Ana Lira, Halil Altindere, Yochai Avraham, Ruane Abou-Rahme, Basel Abbas, Ines Doujak, John Barker, Leigh Orpaz, Bruno Pacheco. Outros artistas serão anunciados.
“A proposta central por trás da ideia de coisas que não existem é que projetos artísticos podem desencadear atos de imaginação e transformação mental capazes, por sua vez, de provocar uma virada no curso dos acontecimentos”, afirmam os curadores. Os recentes protestos ocorridos em diversas cidades do mundo provocaram reflexos em trabalhos que serão expostos na mostra.
Bienal terá recorte de artistas travestis e transexuais
Quando se vestiu de Virgem Maria numa performance, o artista peruano Giuseppe Campuzano deu cara e corpo ao que entendia como séculos de história que ignorava a existência de identidades sexuais fora dos padrões ditados pela religião católica.
Filósofo e drag queen morto aos 44 no ano passado, Campuzano empresta o rosto maquiado para liderar uma lista de artistas de um dos núcleos mais polêmicos da próxima Bienal de São Paulo, que começa em setembro.
Na mostra que foi anunciada como Bienal da “transgressão”, da “transcendência” e da “transexualidade”, um extenso recorte de nomes de países como Peru, Chile, Colômbia, México, Espanha, Israel e Brasil compara a profusão de crenças religiosas da atualidade à diluição de fronteiras entre homem e mulher.
“Isso é algo que resume nossa condição contemporânea”, diz o britânico Charles Esche, curador da mostra. “A arte nos mostra que essa absoluta dicotomia entre masculino e feminino não reflete a forma como nós, de fato, experimentamos a realidade.”
Esse é também um discurso que reflete a última moda na cultura pop, que alçou representantes de uma sexualidade mais ambígua à condição de celebridades e de arautos do que seria quase uma vanguarda plurissexual.
Figuras como a drag queen americana RuPaul, a atriz Laverne Cox (primeira transexual a estampar a capa da “Time”) a modelo brasileira Lea T. e a cantora barbada austríaca Conchita Wurst estão na linha de frente dessa onda.
E as artes visuais abraçam essa tendência de modos mais ou menos perversos.
No caso da mostra paulistana, exibir agora a produção marginal de latinoamericanos que criaram suas obras em contextos de repressão política e social reforça a moda ao mesmo tempo em que revela como essa sempre foi uma questão na cultura.
Nesse ponto, Campuzano construiu ao longo da vida seu “Museu Travesti”, uma coleção de objetos que aludem a personagens excluídos da história desde a era colonial até hoje.
“Ele bota abaixo a maneira tradicional de entender uma história escrita por heterossexuais”, afirma o peruano Miguel López, curador convidado pela Bienal para pesquisar artistas desse núcleo. “É uma leitura transversal dos fatos a partir de um ponto de vista transexual.”
Outro artista já escalado para a Bienal, o também peruano Sergio Zevallos, trabalha no mesmo registro. Ele se veste de Virgem Maria e outras personagens bíblicas diante de lugares associados à manutenção das divisões mais rígidas entre os sexos, como quartéis.
“Eu me transformo e me maquio nesses lugares”, diz Zevallos. “São personagens que crio a partir da cultura popular, imagens religiosas e até cenas pornográficas. É um coquetel de referências de sexualidade e religião.”
Religião e sexo também se chocam na obra da brasileira Virginia de Medeiros. Seu filme, que estará na Bienal, conta a história real de um travesti que se tornou pastor evangélico depois de uma experiência traumática.
Medeiros retrata lado a lado as identidades díspares de Simone, travesti, e Sérgio, sua versão masculina. Mas, mesmo quando assume o papel de pregador fanático, o personagem não se livra dos gostos e desejos do travesti.
“É uma crise, um conflito muito grande”, diz Medeiros. “O pastor traz sempre a travesti camuflada dentro dele. Isso mostra que não dá mais para trabalhar nesse sistema binário, do macho e da fêmea. Existem várias camadas de masculino e feminino.”
Obras como as encenações da Última Ceia feitas em prostíbulos, da dupla chilena Las Yeguas del Apocalípsis, ou as pinturas naïf do mexicano Nahum Zenil, que se retrata nu em paródias de passagens bíblicas, devem entrar na Bienal embalados nesse novo espírito de aceitação.
TOLERÂNCIA MERCANTIL
“Talvez estejamos ainda um pouco cegos sobre o impacto que isso terá”, diz a israelense Galit Eilat, também curadora da mostra. “Mas pode ser algo positivo se isso despertar antagonismos.”
Nesse ponto, Zevallos alerta para o lado perverso dessa onda. “Há um cruzamento disso com o mercantilismo”, afirma o artista. “De repente, percebem que essa parcela da população pode ser um novo mercado consumidor. Surge uma tolerância que abre caminho para a exploração.”
Polêmica envolvendo moda e homofobia estão rodando a internet!
A marca Sergio K lançou em fevereiro uma coleção irreverente (sic) para a Copa do Mundo : uma série 5 camisetas xingando jogadores internacionais, nas quais duas delas se prestam a fazer ofensas homofóbicas para xingar e ridicularizar jogadores estrangeiros. Uma delas traz os escritos “Maradona Maricón” (termo chulo usado para se referir pejorativamente a homossexuais), e na outra está escrito “C. Ronaldo is gay”.
Fortemente rechaçado nas redes sociais, o estilista Sérgio K destemperou-se e dizer ser vítima de perseguição! Alega ser “irreverente” e que as camisas foram feitas “par quem quer torcer para o Brasil e mas não quer usar a camisa da seleção. É uma resposta a tudo que Maradona já disse ao Brasil.”
Irritado com a polêmica, Sérgio K destemperou-se e agiu com bastante agressividade às críticas :
Sérgio K alega que homofobia é só bater em gays e discriminar ignorando que injúrias depreciativas e menosprezo da identidade gay valendo-se dela como um xingamento também configura homofobia. Isso denota o atraso deste país em relação ao reconhecimento das pessoas LGBTs enquanto pessoas dignas e merecedoras de respeito. Para Sérgio K, ser um LGBT é um xingamento e ele não acha que isso é homofobia.
Ao passo que o estilista afirma estarem esgotadas as camisas, mesmo havendo fechado as vendas pelo site após a polêmica e tendo o custo nada razoável de R$189,00, dois sites de ativismo político fizeram petições online contra o estilista. A petição Allout já conta com mais de 3.500 assinaturas, e a da Avaaz já coletou quase 600 em dois dias.
E juntando-se ao coro dos descontentes, a marca Louloux fez uma manifestação contra isso em plena Donna Fashion Iguatemi. Segundo o Louloux e o Nuances LGBTs, “O talento vale mais que gênero e escolha. Tolerância combina com criatividade. E criatividade é progresso. Cafona mesmo é ser homofóbico”.
Além de ser um tiro no pé em termos de marketing, tal como diz Tony Goes, é lamentável que um estilista conceituado faça uso do senso comum para fomentar e disseminar preconceitos sociais num ambiente que sempre foi tão gay friendly como é o mundo da moda. Vamos acompanhar os próximos acontecimentos dessa questão e esperemos que Sergio K se redima e passe a ter uma noção mais ampla de respeitabilidade e diversidade.
Nesta quarta-feira, 2/4, haverá a abertura do Abril Poético na Galeria de Arte Paulo Campos Guimarães. Esta é uma celebração artístico-cultural que busca resgatar a história, a arte e a cultura mineira integrando-as ao projeto nacional. O evento está na 10ª edição e contempla cidades das regiões Central e Sul de Minas.
O Rijksmuseum, um dos maiores museus da Europa, dedicado à artes e história, disponibilizou para apreciação on-line ou download, parte de seu gigantesco acervo. São aproximadamente 155 mil obras.
Durante a era de ouro das navegações, período da História compreendido entre 1584 e 1702, quando navios holandeses dominavam as rotas mercantes do globo e o país se transformou na primeira potência capitalista do ocidente, a crescente burguesia demandava uma vasta produção de retratos e pinturas, florescendo o comércio, a ciência e, sobretudo, as artes. Poucos países tiveram tamanha produção artística e com tal qualidade como a Holanda desse tempo.
A coleção de pinturas do Rijksmuseum inclui trabalhos dos principais mestres do século 17. Nomes como Jacob van Ruysdael, Frans Hals, Fra Angelico, Vermeer e Rembrandt fazem parte do acervo. Obras como “A Noiva Judia” (1665), “A Ronda Noturna” (1642), “De Staalmeesters” (1662), de Rembrandt; “A Leiteira” (1660), de Johannes Vermeer; “Paisagem de Inverno” (1608), de Hendrick Avercamp; “Retrato do Casal Isaac Abrahamsz Massa e Beatrix van der Laen” (1622), de Frans Hals; e “Retrato de Adolf en Catharina Croeser” (1655), de Jan Steen, estão disponíveis para download gratuito.
Os usuários podem explorar toda a coleção por artista, tema, estilo ou semelhança. Todas as imagens estão disponíveis em alta resolução. Para fazer o download é necessário um registro simples ou logar-se usando a conta do Facebook. Em seguida, basta clicar sobre a opção (download image) localizada abaixo da obra selecionada e mandar salvar.
Já a National Gallery of Art (Galeria de Arte Nacional), localizada em Washington, Estados Unidos, em parceria com a fundação Samuel H. Kress, disponibilizou para download gratuito 25 mil imagens de obras de arte em alta resolução. As imagens estão divididas por categorias ou podem ser consultadas por meio da busca pelo nome do autor ou título da obra.
Artista e obras famosas como “The Japanese Footbridge” e “Woman with a Parasol”, de Claude Monet, “Ginevra de’ Benci”, de Leonardo da Vinci, “The Dance Lesson”, de Edgar Degas, “Self-Portrait” e “Gogh Roses”, de Vincent van Gogh, “The Alba Madonna”, de Raphael, “A Girl with a Watering Can”, de Auguste Renoir, “The Railway”, de Edouard Manet , “Children Playing on the Beach”, de Mary Cassatt, “Girl with the Red Hat”, de Johannes Vermeer, “At the Water’s Edge”, de Paul Cézanne, “The Adoration of the Magi”, de Fra Angelico e Filippo Lippi, “Portrait of a Lady”, de Rogier van der Weyden, “Portrait of Lorenzo di Credi”, de Pietro Perugino, e “The Emperor Napoleon in His Study at the Tuileries”, de Jacques-Louis David, fazem parte do acervo.
Para fazer o download basta clicar sobre uma das setas localizadas abaixo das imagem desejada e mandar salvar. Existem duas opções de download, em média resolução (1200 pixels — uma seta), ou em alta resolução (3000 mil pixels — duas setas). É requerido o preenchimento de um cadastro para se fazer o download.
O Museu Getty, em parceria com o Walters Art Museum, National Gallery of Art, Yale University, Los Angeles County Museum of Art e Harvard University, disponibilizou 4700 fotografias artísticas e históricas de alta resolução para download gratuito. As imagens poderão ser utilizadas inclusive comercialmente, desde que citada a fonte.
Além de fotografias, também estão disponíveis manuscritos, pinturas, esculturas e desenhos. As imagens estão divididas por categorias ou podem ser consultadas por meio da busca pelo nome do autor, título ou país de origem.
Fotógrafos e artistas internacionalmente reconhecidos como Louis Fleckenstein, Walker Evans, August Sander, Carleton Emmons Watkins, Felice Beato, Edward Weston, Ogawa Kazumasa, Jacob Byerly, Gaspard Félix Tournachon, Warren Lynch, Louis Désiré Blanquart-Evrard, Peter Henry Emerson, Roger Fenton, Bob Seidemann, Julia Margaret Cameron, Eugène Atget, Robert Mapplethorpe, William Henry Fox Talbot, Man Ray, Irving Penn, Eadweard J. Muybridge, William Eggleston e Camille Silvy fazem parte do acervo.
Para fazer o download é preciso clicar sobre o título da imagem e depois sobre a seta com a opção download. O Museu Getty solicitará duas informações sobre o tipo de uso que será feito da imagem, marque as opções correspondentes e o download será liberado. Todas as fotografias estão disponíveis em alta resolução, variando de 20 a 100 megabytes.
A Biblioteca da Escola de Belas Artes parabeniza e dá boas vindas aos calouros de 2014!
Para fazer um bom uso dos recursos e serviços da biblioteca é importante que os usuários se informem das regras, deveres e direitos do Sistema de Bibliotecas da UFMG, da qual passam a fazer parte.
Assistam o seguinte vídeo instrutivo sobre o Sistema de Bibliotecas da BU e a Biblioteca da EBA :
Acessem o guia do usuário, onde encontrão orientações acerca do cadastro na biblioteca, empréstimo de obras, renovação pela internet, cobrança de taxas entre outras informações de interesse da comunidade usuária.
Sobre o Acervo da biblioteca, acessar esta página.
Em relação a Pesquisa Bibliográfica, as informações necessárias encontram-se na seguinte página deste blog.
Segue uma visão geral de alguns dos serviços do Sistema de Bibliotecas da UFMG em artigo publicado no Boletim Informativo do Sistema de Bibliotecas da UFMG, nº1, ano 1, Abril/Maio 2012 :
Giorgio de Chirico assume como universo simbólico de sua busca artística a cidade e seus cenários arquitetônicos, entre os quais coloca, de maneira ponderada e erudita, figuras, imagens, esboços e objetos quase como elementos alógenos que, justapostos, aludem ao enigma da modernidade.
Para de Chirico, a modernidade é precisamente um novo classicismo; é desejo de um mundo novo, onde se possa agir livremente e livremente se deixar dominar por sentimentos humaníssimos, pelo medo, pela coragem; um mundo onde a liberdade de agere et pati [agir e sofrer] sublime a percepção opaca e desordenada do espaço em visões límpidas e lacônicas.
A ideia de uma humanidade renovada, de um “homem novo”, que naqueles anos ia transformando a concepção do mundo, aplicando às artes uma insólita matriz interpretativa – na poesia, por exemplo, com Guillaume Apollinaire; na música, com Alfredo Casella; na cenografia, com Adolphe Appia; e na arquitetura, com Le Corbusier –, se confronta em de Chirico com uma única e pálida certeza: o sedimento da cultura na história e na civilização, o único que não se possa recusar, se consolida essencialmente na arquitetura, porque ela representa para o indivíduo a dimensão civil, exprimindo-se com maior evidência na praça urbana.
Esta de fato define o lugar ideal – seja ele foro, templo, pórtico, torre, sala – em que, segundo de Chirico, nos apropriamos da modernidade, seguros de uma consciência nova, ou seja, de sermos capazes de procurar respostas não só com a razão e seus ordenamentos regulados, mas também com a sensibilidade e com a poesia, entendida como poiesis, isto é, ato criativo.
Entretanto, a enigmática modernidade de de Chirico, na qual certamente se percebe um eco nietzschiano, não delineia um mundo ideal, abstrato, metafísico, de verdades absolutas, mas substancia o fulcro de uma investigação artística que escancara ao nosso olhar a visão de uma realidade cíclica, mutável e ainda assim constante, como que suspensa no tempo dos eternos retornos, propondo-a como fundamento de um conhecimento comum.
O espaço urbano, indagado e examinado ao longo de toda sua obra, dos anos de juventude ao retorno final aos temas da metafísica, se manterá como território por excelência do enigma, da dúvida e do assíduo interrogar-se humano, argumento que serve de trânsito da arte do passado, investigada na reatualização, entre outros, de Dürer e Rubens, dois de seus muitos mestres, à arte moderna, abrindo novas perspectivas de pesquisa.
A visão do mundo de de Chirico, em que a vivência pessoal é indissociável da construção do espaço urbano, torna sua experiência artística ainda hoje muito atual e próxima de nossa sensibilidade.
De fato, isenta como é das sugestões psicanalíticas próprias do surrealismo, ela propõe o confronto com a eloquência nítida de lugares arquetípicos, sólidos, definidos, restituindo assim ao sujeito aquela centralidade que, transmitida pela tradição clássica, é herdada pelas novas vanguardas, e também está na base de experiências mais próximas ao nosso tempo, como a dos situacionistas; com efeito, eles identificam justamente na cidade o pressuposto de uma reforma do sentir comum, que tenha como fundamento a inventividade do sujeito ativo.
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Para mais textos desse pintor, acesse o catálogo online da exposição ocorrida de 20 de março a 20 de maio de 2012 na Casa Fiat de Cultura e de 31 de maio a 12 de agosto de 2012 no Museu de Arte Moderna Assis Chateaubriand / MASP!
O catálogo desta exposição está disponível para consulta local e empréstimo domiciliar na Biblioteca da EBA, no setor de Multimeios. Abaixo, a referência.
ELLES: mulheres artistas na coleção do Centro Pompidou = ELLES : mulheres artistas na coleção do Centro Pompidou. Rio de Janeiro: CCBB, 2013. 243 p. Catálogo de exposição, 27 maio 2009 – 09 jan. 2011, Centre Pompidou, Paris; 11 out. 2012 – 13 jan. 2013, Seattle Art Museum, Seattle; 23 maio – 14 jul. 2013, Centro Cultural Banco do Brasil, 2013.
Localização : CE INT(BR) 029 2013
Também está disponível em versão online . Clique na imagem abaixo :
Disciplina de fotografia da Escola de Belas-Artes estimula olhares singulares sobre o campus Pampulha
Bárbara Pansardi
Publicado no Boletim da UFMG, nº 1847
Luiz Pontel mira a lona da Praça de Serviços
Para além do conjunto de prédios, nuances arquitetônicas; mais que um pavilhão de aulas, um espaço para a sociabilidade; ambientes abertos, ao ar livre, que podem ser um convite para a ocupação criativa. Você já parou para observar o campus?
O professor da área de fotografia da Escola de Belas-Artes Adolfo Cifuentes propôs a seus alunos descondicionar a mirada cotidiana sobre a UFMG e redescobri-la por meio das lentes da câmera. “O desafio é construir uma pequena narrativa fototextual que permita abordar um dos múltiplos fazeres, ofícios e realidades que configuram esse microcosmos complexo com as subculturas, tribos, espaços e paisagens que a compõem”, explica.
Os resultados são variados. Aline Murta Azevedo tematizou os habitantes felinos da Fafich, Nicole Stéffane flagrou locais habitualmente cheios em momentos ermos, enquanto Ana França e Ana Luiza Emerich divisaram paisagens mediadas pelas janelas dos prédios, entre outras abordagens – algumas das quais podem ser conferidas nestas páginas.
Nicole Stéffane flagra o banco vazio
“Uma coisa interessante é que o aluno tem uma visão mais íntima sobre as questões da universidade, um olhar de mais vivência do espaço, não tão distante. Tem aluno que praticamente vive aqui, imerso nos DAs (diretórios acadêmicos), por exemplo. Alguns vêm de outros estados, sequer têm família na cidade – ou têm poucos familiares – e pagam apenas o aluguel de um quarto, então permanecem na universidade por muito tempo. São pessoas que têm uma conexão forte com o campus”, comenta Cifuentes.
Mas todos – professores, técnicos-administrativos e visitantes, inclusive – têm a possibilidade de entrever ângulos singulares e lançar um olhar menos objetivo e utilitário sobre as coisas. “Antes da fotografia já existiam paisagens, rostos, homens, mulheres e mundos. Antes da fotografia já existiam universidades e árvores. Porém, a fotografia e o cinema mudam constantemente as formas de nos relacionarmos com todas essas realidades”, conclui o professor Cifuentes.
Ana Luiza Emerich descobre um solitário na “mata” da Fafich
Gato posa para as lentes de Aline Murta Azevedo
Mariana Muchon Schainberg capta o colorido das cantinas da Fale e da Fafich