Os servidores técnico-administrativos da UFMG estão em greve por tempo indeterminado.
Diante desse fato, a biblioteca da Escola de Belas Artes está com suas atividades paralisadas no presente momento, inclusive no que diz respeito à atualização do blog Bibliobelas.
A artista visual Cristina Ribas, vencedora do Prêmio de Arte Contemporânea, realizado pela Funarte no ano passado, traz a Belo Horizonte a exposição “Protótipos/Cortado”.
São imagens que compõem uma instalação com foco na construção e a destruição no âmbito urbano, na qual o público também pode redefinir o que foi feito, seja com obras da própria artista ou de acervo pessoal.
“Esse tipo de recomposição começou quando convidei outros artistas para darem suas opiniões. Era um acervo que eu tinha de fotos e imagens que ainda não haviam sido aproveitadas. A intenção é discutir o impacto econômico e social que o progresso tem nas grandes cidades”, explica a artista, que conversa hoje (às 17h) com o público na Funarte, local da exposição.
Debate. Artista plástica pretende discutir os efeitos econômicos e sociais nas metrópoles
A mostra fica aberta de segunda a sexta, mas é nas quintas e sextas que uma monitora estará disponível para conduzir o espectador a dar sua contribuição. “Não há melhor maneira de debater sobre esse crescimento desordenado do que com o público, que sofre e conhece as consequências disso”, define Ribas.
Dois filmes que têm a ver com a temática serão exibidos durante a exposição. O primeiro é “As Mãos Sobre a Cidade” (1963), cuja sessão será no dia 16, às 19h. O longa de Francesco Rosi conta a história de um empreiteiro responsável por um desabamento que deixa grande saldo de mortos e feridos. Já o documentário “Berlim Babylon” (2001), de Hubertus Siegert, que será exibido no dia 23, no mesmo horário, fala da reconstrução da capital alemã após a queda do muro de Berlim. “Queria trazer outro tipo de linguagem que falasse sobre o mesmo tema”, conta a artista.
Agenda
Exposição “Protótipos/ Cortado”, de Cristina Ribas
Funarte MG (Rua Januária, 68, Floresta, 3213-3084)
De 9 de maio a 7 de junho. Segunda a Sexta, de 10h às 18h; Realização das colagens às quintas e sextas, das 14h às 18h
Entrada franca
Aplicativo do museu pode ser baixado na internet e usa tecnologia 3D para mostrar a história de seu trabalho
São Paulo – Pela primeira vez, um estilista de fama internacional abre seus desenhos e criações na internet. Valentino Garavani, em parceria com Giancarlo Giammetti, lançou hoje o “Valentino Garavani Virtual Museum”, um aplicativo online que traz os melhores trabalhos feitos durante seus 50 anos de carreira.
O museu demorou mais de dois anos para ficar pronto e não contou com patrocinadores, a não ser o próprio estilista e Giammetti. Já disponível online, o espaço virtual mostra os detalhes de mais de 300 vestidos, que podem ser vistos em 360 graus. Isso é possível porque as galerias foram projetadas com tecnologia 3D, em que o usuário pode “caminhar” pelos corredores e ver tudo como se estivesse em um espaço físico real.
Além dos vestidos, há ainda 95 vídeos e mais de 5.000 fotos, desenhos, documentos e campanhas publicitárias, tudo acompanhado com explicações e o histórico dos modelos. Para aproximar ainda mais o internauta da realidade, os espaços são decorados pela arquitetura romana. Se fosse instalado em um prédio real, o “Valentino Garavani Virtual Museum” teria cerca de 10.000 metros quadrados.
Na coletiva de imprensa realizada para o lançamento do museu, Valentino, aposentado desde 2008, disse que, apesar de precisar de ajuda até mesmo para ligar um aparelho de DVD, pouco a pouco, mudou seu pensamento e começou a ficar fascinado pelo mundo virtual. Hoje, reconhece que esse museu pode ser uma ligação mais simples e rápida com as pessoas.
Ele ainda deixou um recado para quem se interessa e estuda moda. “Eu sei que há muitos estudantes de moda nos assistindo agora e eu espero que vocês gostem do museu, como eu gosto agora”. O aplicativo é gratuito e pode ser baixado no site do estilista.
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Reportagens transmitidas pela TV fechada
Valentino completa 50 anos de carreira e lança museu virtual de moda
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Valentino completa 80 anos nesta sexta-feira (11-05-2012)
Um dos grandes nomes da arte contemporânea, a pintora mexicana Frida Kahlo continua servindo de inspiração quase 60 anos após sua morte. Em “Tributo a Frida Kahlo”, exposição que começa hoje, 22 obras de 19 artistas do Grupo Maison de Arte têm como base não só as características visuais presentes em seu trabalho, mas também em sua vida atribulada.
Tributo a Kahlo de Maria Eugênia Simões
Os autorretratos, o folclore de seu país e a vivacidade nas cores são traços marcantes nas pinturas de Kahlo. “Suas obras continuam causando impacto por serem viscerais. Ela retratou suas angústias como ninguém”, sintetiza Matheus Gontijo, curador da mostra junto ao artista plástico Glauco Moraes.
Nascida em 1907, Kahlo contraiu poliomielite aos seis anos e aos 18 sofreu um acidente, no qual o ônibus onde estava chocou-se com um bonde. Um ferro atravessou seu corpo, lhe causando diversas fraturas, e o fato foi um gatilho para que ela começasse a pintar. “Essa questão trágica norteou todo o seu trabalho e demos ênfase a isso na exposição”, explica Gontijo.
Outro ponto central da vida e da obra de Kahlo está nos seus relacionamentos amorosos, especialmente os dois casamentos com o também pintor Diego Rivera. Segundo o curador, o convívio dos dois era marcado pela vaidade mútua. “Havia uma espécie de disputa entre eles. Mas ela conseguiu retratar essa relação nas suas pinturas com muita leveza”, recorda o curador.
Ele ainda aponta outra característica que fez com que a artista se tornasse uma espécie de mito do séc. XX. “Ela é a única pintora no mundo que conseguiu prestígio fazendo autorretratos. Todos conhecem sua obra através de suas feições”, conclui Gontijo.
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Exposição “Tributo à Frida Kahlo”, do Grupo Maison de Arte
De 8 de maio a 4 de junho de 2012; diariamente das 12h às 24h Casa dos Contos (rua Rio Grande do Norte, 1065, Savassi)
Entrada Franca
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Obras sobre Frida Kahlo na Biblioteca da Escola de Belas Artes:
EGGERT, Edla (Org). [Re]leituras de Frida Kahlo: por uma ética estética da diversidade machucada. Santa Cruz do Sul: Edunisc, 2008. 184 p.
GOMES, Maria Márcia Franco. Um diário como corpo simbólico : uma leitura da obra O diário de Frida Kahlo: um auto-retrato íntimo. 2011. 82 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Belas Artes.
HERRERA, Hayden. Frida Kahlo. New York, USA: Rizzoli International Publications, c1992. [24]p. (Rizzoli art series)
JAMIS, Rauda. Frida Kahlo.. São Paulo: Martins Fontes, 1987. 281p. (Coleçao Uma Mulher)
KAHLO, Frida; LOWE, Sarah M. O diario de Frida Kahlo: um auto-retrato intimo. 2. ed. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1996. 295p.
KAHLO, Frida; ZAMORA, Martha. Cartas apaixonadas de Frida Kahlo. 2. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1999. 158p.
KETTENMANN, Andrea; KAHLO, Frida. Frida Kahlo 1907-1954: leid und leidenschaft. Koln: Benedikt Taschen, c1992 96 p.
LE CLEZIO, J. M. G. Diego e Frida. 2. ed. Rio de Janeiro: São Paulo: Record, 238 p. ISBN 9788501087782.
ORTIZ MONASTERIO, Pablo MUSEO FRIDA KAHLO. Frida Kahlo: suas fotos. São Paulo: Cosac & Naify, 2010. 518p.
PENUELA CANIZAL, Eduardo; RODRIGUEZ, Juan Manuel López; RAMÍREZ, Francisco Gerardo Toledo. La inquietante ambigüedad de la imagen: tres ensayos. México: Universidad Autonoma Metropolitana, 2004. 122 p.
ZAMORA, Martha; KAHLO, Frida. Frida Kahlo : the brush of anguish. San Francisco: Chronicle Books, c1990. 143p.
O professor te recomenda leituras extras, mas a grana é curta e comprar os livros se torna algo impraticável. Solução? O site Cultura Acadêmica oferece um catálogo bastante variado, com cerca de 70 títulos no total, distribuídos em temas como Agronomia, Ciências Humanas, Literatura, Arte, Design e Tecnologia.
O projeto surgiu há alguns anos como um selo da Fundação Editora Unesp, que tem como carro chefe a Editora Unesp, existente desde 1987. No entanto, a principal diferença do Cultura Acadêmica é a sua versão digital, que auxilia na ampliação de projetos acadêmicos por meio de downloads gratuitos dos livros. Para baixar as obras, basta se cadastrar no site.
Todos os conteúdos disponíveis foram produzidos nas Faculdades que integram a Unesp e receberam uma supervisão de peso, formada por um conselho editorial e uma comissão científica durante todo o processo de elaboração.
Preciosismo. Luís ainda mantém em casa algumas peças que pertenceram a sua avó, mãe e tias
Entre fins de setembro e início de outubro do ano passado, o Museu Histórico Abílio Barreto recebeu cerca de 400 peças antigas que dão o pontapé inicial para mudanças importantes, tanto no que diz respeito às políticas de acervo da instituição quanto, numa perspectiva mais abrangente, à memória da cidade.
São peças que impulsionam a formação de um futuro museu de moda em Belo Horizonte, capaz de remontar, com objetos e trajes do passado, hábitos, costumes e modos de comportamento da sociedade desde a época do Curral Del Rey.
Essa mudança gradativa em direção a um acervo mais substancioso que possa retratar uma história da moda no Estado está sendo tratada com entusiasmo pela equipe técnica do museu e por profissionais relacionados ao mercado de moda. Afinal, é o início de uma história que pode corrigir um certo atraso do país em relação à preservação dessas peças frágeis e de miudezas aparentemente banais da vida cotidiana e doméstica, tais como a indumentária, as joias e os acessórios.
As peças doadas pertenciam à coleção privada do museólogo Luís Augusto de Lima, bisneto do ex-governador do Estado Augusto de Lima, que promoveu a mudança da capital mineira de Ouro Preto para Belo Horizonte. Num futuro próximo, serão exibidas publicamente em formato de exposições temáticas.
Segundo o diretor do museu histórico, Leônidas Oliveira, o acervo doado está em fase de pesquisa técnica-histórica e de catalogação. A programação prevê para março do próximo ano a abertura de uma segunda exposição relacionada à história da moda, já que a primeira está em cartaz e traz lingeries de 1890 a 1990, peças que vieram do acervo da instituição e de coleções privadas, como a do curador Domingos Mazzilli.
Para a professora do curso de design da moda da Fumec, Angélica Adverse, acervos têxteis como esse nos ajudam a perceber a forma como as roupas permeiam a vida individual e coletiva. “Por meio desse acervo, cria-se uma consciência do que é narrado pelos objetos cotidianos. O próprio Abílio Barreto intentava colecionar objetos cotidianos que pudessem apresentar a nossa história cultural. Os objetos são memórias de hábitos e estilos de vida, assim como do nosso comportamento de consumo em diferentes momentos do passado”, aponta.
Para Mazzilli, faltava à cidade uma instituição capaz de fazer o entremeio entre a vontade política e a memorabilia, a tradição e os guardados que são passados através das gerações. “Acho importantíssimo esses espaços que guardam a memória coletiva, não tanto do grande feito histórico, mas do objeto cotidiano, miúdo, banal. Penso que o museu da moda é importante pois a moda é algo muito poderoso por tudo que ela remete, seja ao tempo, ao obsoletismo, à cultura”, defende.
A doação de objetos como revistas, luvas, chapéus, fotografias, etiquetas de roupa e peças de vestuário partiu do desejo de Luís de tornar público seus guardados familiares. Entre as peças doadas, destaque para o penhoar pertencente ao enxoval de casamento, em 1941, de Ephigênia Carsalade Villela, mãe do museólogo. “Ele foi comprado com uma senhora do Rio de Janeiro, madame Geny, que adquiria em Hollywood peças dos figurinos dos filmes e vendia aqui”, revela.
Do público ao Privado. O desapego de Luís em ceder à instituição pública parte de sua coleção familiar acabou se transformando também num incentivo para que outras pessoas, de famílias tradicionais da capital, fizessem o mesmo. É o caso de Marília Salgado, filha de Lia e Clóvis Salgado. Objetos pessoais e documentos dos seus pais já compõem o acervo do museu histórico, mas restam ainda algumas peças especiais que pertenciam à sua bisavó e à sua mãe, como, por exemplo, um vestido encomendado e costurado a mão que a bisavó de Marília usou na festa em celebração à Revolução de 1930.
Outra peça é o “rob de jeur”, vestido que ela usou somente uma vez, na manhã seguinte ao seu casamento, por volta de 1878. “Para quê vou deixá-las sobre o armário de um quarto se as peças podem ser expostas e vistas por muitas pessoas?”, pergunta-se Marília Salgado.
A exposição O jornal da imagem | imagem do jornal foi elaborada em um Grupo de Pesquisa, o Bureaude estudos sobre a imagem e o tempo, da Escola de Belas Artes da UFMG e tem como ponto de referência o jornal como suporte, o que esteve sempre na mira de muitos artistas. O jornal já apresenta em si um projeto gráfico, um texto, uma imagem, um desenho. Não raro o associamos ao cartaz. A atenção dessa exposição é colocada sob os trabalhos que utilizam esse suporte de fina espessura, mas de polivalente utilização; pois o jornal, em sua singularidade, existe também como multiplicidade, bem como suas maneiras de acolher a imagem e a forma. A variedade imprevisível desse material que é o suporte de uma das atividades humanas — ler jornal — faz com que designe, do ponto de vista de sua materialidade e tatilidade, uma zona específica onde os gestos da mão induzem traços palpáveis. Já escutamos: nada mais simples do que um jornal. Algo simples, mas passível de suscitar o traço gestual, que ordena formas de ser do cotidiano na história de todos. Assim é o jornal, esse flexível material: lugar para fixar constelações de qualidades, dispondo sua superfície para nossas invenções e possibilidades.
O jornal está intrinsecamente ligado à cultura de massa, termo que designa uma forma relacionada à sociedade contemporânea e aos muitos objetos que lhe são destinados. Ele apareceu de forma mais definitiva no século XVIII e se firmou ao mesmo tempo no período chamado “a era do papel”. Assim, foi contribuindo bastante para a ampliação de um público mais alfabetizado e evoluindo através de sua atuação social e política, sobretudo através da necessidade da liberdade de expressão e das técnicas e procedimentos de impressão. Isso trouxe a questão da difusão da informação, criando a aculturação — fenômeno que resulta do contato direto e contínuo entre grupos de indivíduos de culturas diferentes levando às mudanças de hábitos e formas culturais — visto que pessoas de lugares distantes liam a mesma notícia e se informavam visualmente e literariamente pelo mesmo jornal. Mais tarde veio a difusão das imagens, revelando a problematização da sua exposição política.
Em seu texto A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica, Walter Benjamin nos diz claramente que uma das grandes questões políticas do tempo em que vivia era o valor da sua exposição pela imagem, na qual somente a estrela — star — o campeão esportivo e o ditador eram os vencedores. E o jornal, como fonte divulgativa de imagens, nunca escapou dos apetites políticos de manipulação, sendo, apesar de tudo, um elemento de sobrevivência, que expõe conflitos, paradoxos e choques bem como a distorção e a espetacularização — características das quais a história é tecida.
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Patricia Franca-Huchet explora o poder da imagem e sua força no espaço da folha do jornal. Esconde o texto recobrindo as partes que lhe são destinadas com vinis coloridos criando espaços compositivos com a imagem. Resultam imagens que perdem o significado ilustrativo impondo sua presença mais silenciosa e imageante..
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Gladston Costa propõe uma desconstrução da função comunicativa do jornal por meio da subtração dos textos e fotografias e da valorização dos elementos pictóricos que fundamentam uma então lógica construtivo/informativa do jornal impresso. Destas ações plásticas resultam conjuntos de pinturas em que os códigos da comunicação de massa são esvaziados e mostrados como exemplificações de dispositivos contemporâneos de comunicação e consequentemente de produção ideológica.
Ricardo Burgarelli utiliza o jornal na busca de relações dialéticas com a imagem e as notícias a partir de um olhar crítico sobre elementos constitutivos da nossa política, história, sociedade e modo de inserção no mundo. Na exposição “Jornal da Imagem | Imagem do Jornal” é explorada em jornais de diversos países a repercussão mundial da execução dos anarquistas italianos Sacco e Vanzetti nos Estados Unidos da América.
Exposição Coletiva “Jornal da Imagem | Imagem do Jornal” – Gladston Costa – Patricia Franca-Huchet [coordenadora do grupo de estudos BE-IT: Bureau de estudos sobre a imagem e o tempo da EBA/UFMG] – Ricardo Burgarelli
Local : Galeria de Arte do espaço Cultural da Cemig Abertura : Dia 17 de abril de 2012, terca-feira às 20 horas Período da exposição: De 18 de abril a 06 de maio de 2012, das 8 às 19 horas.
Guignard sob luz especial : Livro revela metodologia de pesquisa abrangente sobre obra do pintor, realizada pelo Cecor/EBA e grupos da Fafich e do ICEx
Augusto Lacerda
Claudina Moresi e Anamaria Ruegger: metodologia alia análises técnicas e depoimentos
Itamar Rigueira Jr.
A obra de um dos maiores pintores brasileiros ganhou estudo completo e profundo na UFMG. Meio século depois de sua morte, Alberto da Veiga Guignard (1896-1962) é tema de livro produzido pelo Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis (Cecor), da Escola de Belas-Artes. Pesquisa Guignard, que será lançado esta semana, é resultado de cerca de dez anos de pesquisa sobre 62 obras do pintor.
Organizado pela professora Anamaria Ruegger Almeida Neves e pela química Claudina Maria Dutra Moresi, o livro junta às análises técnicas – que definem uso de materiais (tintas e suportes), cores, pinceladas etc. – um levantamento bibliográfico, contextualização feita pela historiadora da arte Ivone Luzia Vieira e informações extraídas de entrevistas com ex-alunos, colecionadores, estudiosos e retratados.
“A escolha de Guignard se deve a sua importância como artista no Brasil e, em particular, em Minas Gerais, mas também a seu trabalho como professor”, justifica Anamaria Ruegger, lembrando que ele formou gerações de artistas, com metodologia própria de ensino. Claudina Moresi ressalta a importância do pintor no contexto do Modernismo e a necessidade de estudo sistemático de sua obra. “Esse gênero de trabalho, consolidado no exterior, ainda é novo no Brasil, onde há poucas iniciativas de catalogação de obras.”
A equipe da UFMG desenvolveu e revela metodologia para se conhecer uma obra de artista, que poderá ser útil até para dirimir dúvidas sobre a autenticidade das obras – especialmente no caso de Guignard, alvo de controvérsias envolvendo autoria. De acordo com Anamaria Ruegger, o grupo estudou mais obras, mas o livro só contempla as que tiveram sua autenticidade comprovada.
“O exame de algumas peças trouxe dúvidas. O que nos deu segurança foi aliar aos exames depoimentos de alunos e parentes de personalidades retratadas, histórias contadas por proprietários, fotografias de Guignard trabalhando, entre outros documentos”, salienta a pesquisadora. As entrevistas foram colhidas pelo Núcleo de História Oral da Fafich.
Outro parceiro importante foi o Departamento de Ciência da Computação, responsável pela informatização dos dados gestuais e iconográficos e pela preservação digital.
Precisão para pintar
A maior parte das obras estudadas pelo Cecor integra coleções particulares e foi analisada no laboratório, localizado na Escola de Belas-Artes. Para o estudo daquelas que pertencem ao Museu Casa Guignard, os técnicos se deslocaram até Ouro Preto. O Cecor analisou pinturas sobre tela, madeira maciça e compensada, papelão e desenho sobre papel. Algumas obras em tela e madeira começaram a ser preparadas com alunos – o livro revela manuscritos de aula, que contêm informações sobre materiais.
A pesquisa descobriu como Guignard usou as cores e os pincéis, por meio da tentativa incansável de repetição de combinações de tintas e gestos com os instrumentos. E concluiu que ele foi um pintor preciso, que pensava muito para fazer suas escolhas. “Diferentemente do que ainda se acredita, Guignard criava com intenções bem definidas, é possível garantir que uma imagem que parece borrada é intencional. Ele tinha pleno domínio sobre o que queria e o que fazia”, afirma Anamaria.
Diluição e incisões
Paisagem imaginária foi analisado por vários tipos de luzes especiais
Um dos quadros mais estudados pela equipe do Cecor é Paisagem imaginária (Noite de São João), de 1961, pertencente à coleção do Museu de Arte da Pampulha, muito representativa da fase mineira de Guignard. Em bom estado de conservação, o quadro (óleo sobre tela, 61cm x 46cm) foi analisado por diversos tipos de luzes especiais.
A luz rasante (de fonte paralela à tela) apontou relevos do suporte e da tinta, neste caso mais do suporte, já que o pintor usou tinta muito diluída. A luz transversa, que incide por trás, revelou as áreas de maior massa (quantidade de tinta). A luz ultravioleta, que encontra os pigmentos fluorescentes, mostrou que Guignard usou o vermelho e amarelo de cádmio nessa tela. A luz monocromática e o filme infravermelho deixaram perceber as linhas do desenho. Por fim, a radiografia identificou pigmentos: os elementos químicos mais pesados aparecem na cor branca, e os mais leves em tons de cinza. Nos quadros que usam a madeira como suporte, as análises revelam também incisões feitas pelo artista, como em Cristo no jardim das oliveiras, em que esse artifício acentua o sofrimento nos traços do rosto.
Outra etapa do estudo das obras envolve remoção com bisturi, de um local discreto, de microamostras do quadro, com área de 1 a 2 milímetros quadrados. Isso permite identificar os pigmentos e os aglutinantes (óleo ou têmpera, por exemplo) que formam a tinta. “No caso de Paisagem imaginária, a observação no microscópio (aumento de 10 a 200 vezes) deixou claro que Guignard usou uma camada de branco como preparação, então o cinza, e por fim as tintas coloridas. Depoimentos de alunos confirmaram que ele usava a técnica caracterizada por ‘sujar’ a tela de cinza, que altera o efeito das cores”, revela Claudina Moresi.
Ela conta ainda que os pesquisadores encontraram em duas obras – os retratos de Cecília Meireles, sobre madeira maciça, e de Ismael Nery, em papelão – carimbos que provavelmente são marcas da empresa que vendeu o material ao pintor. Outra curiosidade está ligada à descoberta de alterações realizadas pelo artista durante o processo criativo. No quadro Fantasia, os exames com luzes especiais revelam vestígios da localização anterior de uma das torres da igreja. “Algumas dessas alterações são percebidas a olho nu por quem tem mais treino”, diz Claudina. O trabalho mostrou mais sobre uma característica de Guignard: suas assinaturas, geralmente coloridas, não raro são localizadas de forma a integrar a composição da pintura.
Fugaz e eterno
Modernista por excelência, Alberto da Veiga Guignard personificou a teoria de Charles Baudelaire sobre o artista que alia o fugaz (o moderno) ao eterno (a tradição), segundo a pesquisadora Ivone Luzia Vieira, professora aposentada da UFMG e autora de capítulo em Pesquisa Guignard sobre a relação do pintor com a Modernidade.
“Em diversas de suas obras, Guignard trabalha muito bem a busca por um determinado estilo, de uma dada época, para modernizar aquela forma. Se em suas primeiras exposições os casarios coloniais aparecem próximos ao observador, na sua fase mineira ele afasta esse casario, quebrando a ilusão de espaço da perspectiva renascentista, e verticalizando o quadro. Ele mostra a sucessão de montanhas, por exemplo, não no sentido de profundidade, mas quase chegando à superfície pictórica”, explica Ivone Luzia.
A pesquisadora conta que Guignard estudou muito as flores, as quais pintou sobre fundos de paisagens surreais e distantes. Ainda de acordo com Ivone, ele foi um grande retratista, seguindo características modernas: rostos sem volume, roupas lisas, fazendo a expressão concentrar-se nos olhos e na boca.
O fluminense que ‘reinventou’ Ouro Preto
Nascido em Nova Friburgo (RJ), Guignard viveu por mais de 20 anos na Europa. Iniciou sua formação artística na Real Academia de Belas Artes de Munique e travou contato intenso com pintores modernos e suas obras. Estabeleceu-se, então, no Rio de Janeiro, como artista e professor – que baseava sua atuação mais em exemplos, gestos e expressões que em palavras.
Em 1944, convidado pelo prefeito Juscelino Kubitschek, mudou-se para Belo Horizonte para ministrar o Curso Livre de Desenho e Pintura, no Parque Municipal. A “Escolinha do Parque”, segundo informações do livro Pesquisa Guignard, mudou a maneira de se ensinar artes plásticas na cidade e formou grandes nomes da arte brasileira. Em sua passagem por Minas, Guignard tornou-se “o grande pintor de Ouro Preto, reinventando a cidade, suas montanhas e igrejas nas obras que produziu”, de acordo com a publicação.
Ivone Vieira lembra, ainda, que Guignard levava seus alunos para aulas na cidade, andava muito e instalava seu cavelete na rua, escolhendo recortes de janelas e igrejas. “Ele se apaixonou por Ouro Preto, que chamou de ‘cidade amor-inspiração’”, ressalta a professora, doutora pela Escola de Comunicação e Artes da USP e ex-docente de arte na Faculdade de Educação para alunos de licenciatura. Em Belo Horizonte, segundo ela, Guignard não mirou a paisagem arquitetônica, preferindo as montanhas, a Lagoa da Pampulha e o Parque Municipal.
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Livro: Pesquisa Guignard
Organizadoras: Claudina Maria Dutra Moresi e Anamaria Ruegger Almeida Neves
Editado pela Escola de Belas-Artes da UFMG
200 páginas / distribuição dirigida
Lançamento: 12 de abril, às 19h, no Conservatório UFMG (avenida Afonso Pena, 1534)
Apoios: entre outros parceiros, a pesquisa sobre Guignard contou com recursos da Pró-reitoria de Pesquisa da UFMG, CNPq, Fapemig e Fundep
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Consulte também na Biblioteca da Escola de Belas Artes os livros sobre Guignard.
Sugestões:
GUIGNARD. Alberto da Veiga Guignard : 1896-1962. Rio de Janeiro: Pinakotheke Cultural, 2005. 204p.
SANTA ROSA, Nereide Schilaro. Alberto da Veiga Guignard. São Paulo: Moderna, 2000. 31 p. (Mestres das artes no Brasil)
MORAIS, Frederico. Alberto da Veiga Guignard. [S.l.]: Monteiro Soares Editores e Livreiros, 1979 (Rio de Janeiro: Graf. Borrelli) 185p.
O Jornal das Senhoras – 156 edições para download na Biblioteca Nacional Digital
A Biblioteca Nacional tem 156 edições digitalizadas do periódico O Jornal das Senhoras, para download. O primeiro número da publicação data de 1º de janeiro de 1852, trazendo “Modas, Litteratura, Bellas-Artes, Theatros e Critica” a suas leitoras. Já na primeira edição, contestava a hegemonia masculina na direção dos veículos de imprensa: “Ora pois, uma Senhora a testa da redação de um jornal! que bicho de sete cabeças será?”
“Os dois principais centros da produção periodística feminina no Brasil se concentraram em Recife e Rio de Janeiro, desta cidade, saiu o primeiro jornal dirigido por uma mulher, O Jornal das Senhoras.
Fundado pela feminista argentina Juana Manso, O Jornal das Senhoras tinha como objetivo tratar de temas como belas-artes, literatura, moda, além de tentar despertar a consciência feminina para que estas reivindicassem melhores condições educacionais e acesso ao mercado de trabalho.
A partir daí vários jornais dirigidos por mulheres passam a circular pelo Rio de Janeiro, tais como O Bello Sexo, O Espelho, Jornal das Moças, Jornal das Famílias.