{"id":1467,"date":"2011-08-22T17:41:40","date_gmt":"2011-08-22T19:41:40","guid":{"rendered":"http:\/\/bibliobelas.wordpress.com\/?p=1467"},"modified":"2011-08-22T17:41:40","modified_gmt":"2011-08-22T19:41:40","slug":"surrealismo-na-fotografia-voce-pratica-e-nem-sabe-disso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/2011\/08\/surrealismo-na-fotografia-voce-pratica-e-nem-sabe-disso\/","title":{"rendered":"Surrealismo na fotografia: voc\u00ea pratica e nem sabe disso!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\">No que se debate desde o surgimento da <strong>fotografia<\/strong>, ela foi a que mais se destacou pelo fato de poder ser reproduzida e abrir a discuss\u00e3o sobre as <strong>artes mim\u00e9ticas<\/strong>. Tinha-se a situa\u00e7\u00e3o, o meio (<em>a c\u00e2mera<\/em>) e a reprodu\u00e7\u00e3o. Abre-se a\u00ed uma lacuna sobre<strong> arte, est\u00e9tica e composi\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0Notamos que a pintura perdia seu espa\u00e7o e passava por \u201c<em>maus bocados<\/em>\u201d com a crescente demanda experimental do s\u00e9culo XX. Por ser algo \u00fanico e feito a m\u00e3o, os artistas raramente faziam quadros que n\u00e3o eram figurativos e apelava quase que na sua maioria a busca do retratar o real atrav\u00e9s de telas absurdamente calculadas e esbo\u00e7adas com muita anteced\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0Por\u00e9m, vamos especificamente chegar ao encontro das \u00e1guas do <strong>surrealismo <\/strong>quanto pintura e a contribui\u00e7\u00e3o da fotografia para o fortalecimento da vanguarda que tinha como foco a quest\u00e3o dos sonhos, do er\u00f3tico e das fantasias com esp\u00edrito e\/ou algo mais agressivo da quest\u00e3o humana. Na pintura podemos dizer que o surrealismo foi um sonho mal sonhado, onde muitos dos pintores digamos que tiveram sonhos mal sonhados n\u00e3o concebendo fortemente uma contribui\u00e7\u00e3o ao movimento.<\/p>\n<div class=\"mceTemp mceIEcenter\" style=\"text-align:justify;\">\n<dl class=\"wp-caption aligncenter\">\n<dt class=\"wp-caption-dt\"><a href=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/fotografeumaideia_11.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1468\" title=\"fotografeumaideia_1\" src=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/fotografeumaideia_11.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"514\" srcset=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/fotografeumaideia_11.jpg 530w, https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/fotografeumaideia_11-292x300.jpg 292w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/dt>\n<dd class=\"wp-caption-dd\">Pintura: Salvador Dali &#8211; Premoni\u00e7\u00e3o<\/dd>\n<\/dl>\n<\/div>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0Em tangente temos a fotografia que por sinal teve o seu in\u00edcio no surrealismo com a marginaliza\u00e7\u00e3o das fotografias de <strong>Man Ray<\/strong> e suas radiografias solarizadas, dos fotogramas de <strong>L\u00e1sl\u00f3 Moholy-Nagy<\/strong>, as fotomontagens de <strong>John Heartfield<\/strong> e do famoso <strong>Alexandre Rodchenko<\/strong>. Estes entre outros n\u00e3o s\u00e3o m\u00e1rtires do movimento surrealista fotogr\u00e1fico, por\u00e9m a pureza e a ess\u00eancia \u00a0faziam com que iniciassem o movimento que na d\u00e9cada de 30, esse movimento j\u00e1 possu\u00eda uma est\u00e9tica nas costuras, publicidade e at\u00e9 mesmo retrato que j\u00e1 tinham uma base est\u00e9tica do movimento.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/fotografeumaideia_21.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1470\" title=\"fotografeumaideia_2\" src=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/fotografeumaideia_21.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"409\" srcset=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/fotografeumaideia_21.jpg 530w, https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/fotografeumaideia_21-300x246.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a>Mas podemos sentir que o surrealismo est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o do ato de compor uma imagem, \u201c<em>do fotografar<\/em>\u201d. Atrav\u00e9s da fotografia, temos o poder de duplicar o mundo, o que j\u00e1 faz parte do sonho que congelamos e digitalmente ou de forma impressa confirma essa realidade de segundo grau, afirmando que j\u00e1 esteve l\u00e1 e com uma c\u00e2mera na m\u00e3o. O poder da fotografia \u00e9 grande na justificativa de algo que parece ser sonho, pois o fot\u00f3grafo pode abordar um mesmo tema sendo mais dram\u00e1tico e mais rigoroso na exposi\u00e7\u00e3o e com uma vis\u00e3o diferente \u00e0quela percebida pela vis\u00e3o natural e \u201c<em>desobvializando<\/em>\u201d uma cena comum.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0Em suma podemos sair deste insight nost\u00e1lgico da discuss\u00e3o do surrealismo e a fotografia no \u00e2mbito do seu surgimento e pisarmos na situa\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea em que temos uma condi\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel na produ\u00e7\u00e3o do \u201c<em>surreal<\/em>\u201d. Diferente do automatismo, onde a mente n\u00e3o exerce nenhum tipo de controle, esbarramos na bagagem art\u00edstica que carrega cada fot\u00f3grafo no ato do disparo fotogr\u00e1fico. De forma a buscar o subconsciente, fica natural apreciar alguns fot\u00f3grafos contempor\u00e2neos e que tem o poder de \u00a0simplesmente deixar-nos \u00a0presos e pasmos com os resultados fotogr\u00e1ficos. Implicitamente, o fot\u00f3grafo quando empunha a sua c\u00e2mera e aciona o disparador que no abrir da cortina, toda aquela bagagem visual \u00e9 capturada pelo sensor que absorve a luz e a grava na <strong>mem\u00f3ria da c\u00e2mera digital<\/strong> \u2013 o qual \u00e9 quase que un\u00e2nime o uso deste meio.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0Quase que de uma poesia \u00e9 constitu\u00edda todo o processo de captura. Mas e o surreal? Onde entra isso? O surreal \u00e9 o simples fato da abordagem quase que inconsciente da fra\u00e7\u00e3o de segundo que o fot\u00f3grafo tem para olhar uma cena, e num simples movimento de mira comp\u00f5e, dispara, grava e enquadra uma \u00fanica cena. Toda a parte compositiva, j\u00e1 est\u00e1 no subconsciente onde o sucesso de cada captura chega a ser puro e quase que mec\u00e2nico at\u00e9. Seria um fot\u00f3grafo que \u201c<em>tudo o que ele p\u00f5e a m\u00e3o fica bom digamos&#8221;,<\/em> \u201c<em>tudo que ele p\u00f5e o olho fica bom<\/em>\u201d,ou melhor, tudo o que ele fotografa fica bom.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0Digamos que fotografar \u00e9 exercitar algo do subconsciente. Um casamento, uma festa de anivers\u00e1rio e ou qualquer outro evento por exemplo: O que se espera de um fot\u00f3grafo de casamento\/evento? Que aquele acontecimento seja eternizado, e se transformado mais ainda em conto de fadas, \u00e9 o resultado esperado por quem contrata um profissional para este fim. Para o fot\u00f3grafo conseguir ele tem que carregar consigo, inconscientemente uma bagagem est\u00e9tica e compositiva para poder transformar tudo aquilo (<em>o evento<\/em>) em algo \u201c<em>supra<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0Uma outra vertente \u00e9 para quem v\u00ea uma obra como esta abaixo, muitos me perguntam: Nossa que \u201c<em>Cult<\/em>\u201d foi em alguma cidade hist\u00f3rica que voc\u00ea fez esta foto?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/fotografeumaideia1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1469\" title=\"fotografeumaideia\" src=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/fotografeumaideia1.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"335\" srcset=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/fotografeumaideia1.jpg 530w, https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/fotografeumaideia1-300x202.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a>N\u00e3o! Esta foto foi tirada quando fui cobrir um homic\u00eddio na cidade de Leme e do outro lado da rua havia uma resid\u00eancia de pessoas humildes e que secavam roupas na cal\u00e7ada e est\u00e1vamos com uma condi\u00e7\u00e3o de luz do sol do per\u00edodo da manh\u00e3 conseguindo bons efeitos de sombra. Por um momento, isso faz o interlocutor viajar e acreditar que aquilo poderia ser uma situa\u00e7\u00e3o feliz, cultural, hist\u00f3rica, e que aqui estou descrevendo uma foto minha, mas quantas fotos vemos por a\u00ed e ficamos imaginando coisas e coisas que na verdade s\u00e3o outras. Outras realidades que um fot\u00f3grafo verdadeiramente sabe e as pessoas que v\u00eaem essa informa\u00e7\u00e3o visual, sonham para decifrar aquela imagem e as interpretam de acordo com a bagagem que acreditam que tenha.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0Finalizo aqui mais um post dessa incessante busca pelo entendimento \u201c<em>sobre fotografia<\/em>\u201d mergulhado de inc\u00f3gnitas e mist\u00e9rios que hei de trazer para voc\u00eas e provocar discuss\u00f5es.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u201c\u00c0 diferen\u00e7a dos objetos \u00a0das belas-artes das eras pr\u00e9-democr\u00e1ticas, as fotos n\u00e3o parecem profundamente submetidas \u00e0s inten\u00e7\u00f5es de um artista. Devem, antes, a sua exist\u00eancia a uma vaga coopera\u00e7\u00e3o (quase m\u00e1gica, quase acidental) entre fot\u00f3grafo e o tema \u2013 mediada por uma m\u00e1quina cada vez mais simples e mais autom\u00e1tica, que \u00e9 infatig\u00e1vel e que, mesmo quando se mostra caprichosa, pode produzir um resultado interessante e nunca inteiramente errado.\u201d\u00a0<strong>Susan Sontag<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Rafael Habermann<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No que se debate desde o surgimento da fotografia, ela foi a que mais se destacou pelo fato de poder ser reproduzida e abrir a discuss\u00e3o sobre as artes mim\u00e9ticas. Tinha-se a situa\u00e7\u00e3o, o meio (a c\u00e2mera) e a reprodu\u00e7\u00e3o. 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