{"id":1538,"date":"2011-09-05T14:24:19","date_gmt":"2011-09-05T16:24:19","guid":{"rendered":"http:\/\/bibliobelas.wordpress.com\/?p=1538"},"modified":"2011-09-05T14:24:19","modified_gmt":"2011-09-05T16:24:19","slug":"ronaldo-de-noronha-contesta-autoritarismo-de-quem-determina-o-que-e-ou-nao-arte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/2011\/09\/ronaldo-de-noronha-contesta-autoritarismo-de-quem-determina-o-que-e-ou-nao-arte\/","title":{"rendered":"Ronaldo de Noronha contesta autoritarismo de quem determina o que \u00e9 (ou n\u00e3o) arte"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/oqea.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1539\" title=\"oqea\" src=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/oqea.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/oqea.jpg 800w, https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/oqea-300x225.jpg 300w, https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/oqea-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a>\u201c\u00c9 preciso desarmar e desmascarar a autoridade no campo da arte no que ela tem de autorit\u00e1rio, e apoi\u00e1-la no que tem de compet\u00eancia e recursos, como pesquisas e reflex\u00f5es que devem ser acess\u00edveis a todos.\u201d A frase do pesquisador Ronaldo de Noronha, professor da Fafich, resume o que ele chama de \u201cprega\u00e7\u00e3o\u201d em favor da democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 arte. Ele vai expor sobre o tema neste s\u00e1bado, em palestra no <a href=\"http:\/\/www.ufmg.br\/online\/arquivos\/020648.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Espa\u00e7o TIM UFMG do Conhecimento.<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A posi\u00e7\u00e3o do professor do Departamento de Sociologia e Antropologia fica clara j\u00e1 a partir da pergunta que d\u00e1 t\u00edtulo \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o. Ronaldo de Noronha surpreende ao lan\u00e7ar a provoca\u00e7\u00e3o \u201cQuando \u00e9 arte?\u201d. Ele explica que a forma mais esperada n\u00e3o deve ser usada. \u201cN\u00e3o \u00e9 o caso de perguntar \u2018O que \u00e9 arte?\u2019. N\u00e3o se trata de pensar em qualidades que uma obra deve ter para ser considerada art\u00edstica. Faz mais sentido saber quando isso foi atribu\u00eddo, e por quem\u201d, ele diz.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Isso tem a ver com os processos \u2013 perfeitamente identific\u00e1veis e analis\u00e1veis, segundo Noronha \u2013 de atribui\u00e7\u00e3o de qualidade art\u00edstica a determinados objetos. \u201cDo mesmo modo que se concede o status de arte a uma obra, ele pode ser negado em outra \u00e9poca, por outras pessoas\u201d, lembra o pesquisador, que reflete sobre o assunto pelo menos desde que publicou, na revista Teoria e Sociedade (dos departamentos de Ci\u00eancia Pol\u00edtica e Sociologia e Antropologia da Fafich), no final dos anos 1990, o artigo A forma\u00e7\u00e3o dos gostos: a sociologia dos ju\u00edzos est\u00e9ticos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Experi\u00eancia da arte<\/strong><br \/>\nE por que \u00e9 importante questionar \u201cquando \u00e9 arte\u201d? Ronaldo de Noronha afirma que o objetivo \u00e9 despertar o interesse das pessoas pelo assunto. Afinal, ele ressalta, as diferentes artes podem n\u00e3o ser aquilo que humanidade fez de mais importante, mas certamente foi o que ela fez de melhor. Al\u00e9m disso, segundo ele, \u201cse compreendermos bem no que consiste o fen\u00f4meno art\u00edstico, seremos mais capazes de experimentar a arte de modo mais rico\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ele garante reconhecer o papel fundamental dos artistas e produtores de arte, mas prefere se colocar do ponto de vista de quem vive a arte \u2013 o leitor, o ouvinte, o espectador. \u201cPoucos se lembram que a obra de arte s\u00f3 existe quando algu\u00e9m interage com ela\u201d, diz Noronha. \u201cSe imaginarmos uma livraria que contenha todos os textos j\u00e1 escritos acerca de obras e autores, vamos constatar ali que os especialistas se dedicaram a interpretar e estabelecer conceitos sobre os trabalhos como resultado da produ\u00e7\u00e3o dos artistas. No entanto, tem sido deixado na obscuridade, como um problema menor, aqueles a quem se destina a obra e o que eles fazem com ela\u201d, completa o professor de sociologia da arte e da cultura.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas o pesquisador da UFMG n\u00e3o chega ao ponto de se sentir sozinho em sua \u201cprega\u00e7\u00e3o\u201d. Segundo ele, tem havido investimento crescente, a partir dos anos 1960 e 70, nos estudos da \u201cleitura\u201d, ou seja, da atividade de recep\u00e7\u00e3o art\u00edstica, sobretudo relacionada \u00e0 literatura, mas tamb\u00e9m ao cinema e \u00e0s artes pl\u00e1sticas. A sociologia, por exemplo, tem tratado do assunto ao pensar nas condi\u00e7\u00f5es para compreens\u00e3o da obra, a chamada compet\u00eancia cultural.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Censo cultural<\/strong><br \/>\nDe acordo com Ronaldo de Noronha, que foi cr\u00edtico de cinema por cerca de 20 anos em jornal di\u00e1rio de Belo Horizonte, seria \u201cmagn\u00edfico\u201d para o Brasil se fossem realizadas pesquisas nos moldes do que se faz na Fran\u00e7a. \u201cOs franceses promovem constantemente uma esp\u00e9cie de censo das pr\u00e1ticas culturais, e recolhem dados sobre quem vai aonde e que grupos fazem o qu\u00ea quando se trata de consumir cultura\u201d, diz ele. \u201cEssa informa\u00e7\u00e3o \u00e9 usada por gestores para elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas de fomento \u2013 entre n\u00f3s, seria importante criar oportunidades para a popula\u00e7\u00e3o desprovida de recursos \u2013 e por grupos art\u00edsticos para buscar novos espa\u00e7os e financiamentos.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A opini\u00e3o de Noronha sobre os gestores p\u00fablicos de cultura no Brasil \u00e9 positiva. Ele acha que, com poucos recursos al\u00e9m daqueles gerados por leis de incentivo, em geral tem se feito muito nessa \u00e1rea, incluindo um esfor\u00e7o de democratiza\u00e7\u00e3o. E informa\u00e7\u00e3o suplementar sobre h\u00e1bitos e prefer\u00eancias seria muito bem-vinda. \u201cPesquisas rigorosas nessa \u00e1rea s\u00e3o boas quando desmascaram certas coisas que s\u00e3o tidas como verdade, como a vis\u00e3o de que as classes populares n\u00e3o se interessam por arte\u201d, dispara.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Segundo o pesquisador, esse tipo de vis\u00e3o \u201celitista\u201d ignora que todos gostam de arte \u2013 apenas ela \u00e9 definida de modos diferentes. Ele lembra que, quando apareceu o jazz, os eruditos entendiam a m\u00fasica como barulho. Processos an\u00e1logos se deram com o rock e o samba. \u201cQuem vai me impedir de achar que hist\u00f3rias em quadrinhos, s\u00e9ries de TV e Tropa de elite 2 s\u00e3o obras de arte?\u201d, provoca mais uma vez. A prop\u00f3sito, ele cita disserta\u00e7\u00e3o defendida recentemente na Fafich por J\u00fania Torres, que estudou os rappers. \u201cAcad\u00eamicos nos Estados Unidos t\u00eam feito novas leituras do rap e encontram nas letras qualidades da poesia can\u00f4nica da l\u00edngua inglesa. E tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 por isso que a poesia do rap deve ser considerada arte\u201d, salienta Ronaldo de Noronha.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Dispon\u00edvel em http:\/\/www.ufmg.br\/online\/arquivos\/020674.shtml<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Um pouco mais sobre os aspectos te\u00f3ricos do conceito de arte, n\u00e3o deixe de consultar a obra<em><span style=\"text-decoration:underline;color:#ff0000;\"> <strong>&#8220;O que \u00e9 arte&#8221; de Jorge Coli<\/strong><\/span><\/em> e tamb\u00e9m <em><strong><span style=\"text-decoration:underline;\"><span style=\"color:#ff0000;text-decoration:underline;\">Arte e o que eu e voce chamamos arte: \u00a0 801 defini\u00e7\u00f5es sobre arte e o sistema da arte, de\u00a0 Frederico Morais<\/span><\/span><\/strong><\/em>, dispon\u00edveis na Biblioteca da EBA e na Biblioteca da FAFICH.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201c\u00c9 preciso desarmar e desmascarar a autoridade no campo da arte no que ela tem de autorit\u00e1rio, e apoi\u00e1-la no que tem de compet\u00eancia e recursos, como pesquisas e reflex\u00f5es que devem ser acess\u00edveis a todos.\u201d A frase do pesquisador Ronaldo de Noronha, professor da Fafich, resume o que ele chama de \u201cprega\u00e7\u00e3o\u201d em favor &hellip; <a href=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/2011\/09\/ronaldo-de-noronha-contesta-autoritarismo-de-quem-determina-o-que-e-ou-nao-arte\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Ronaldo de Noronha contesta autoritarismo de quem determina o que \u00e9 (ou n\u00e3o) arte<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[12],"class_list":["post-1538","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-postagens","tag-arte-teoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1538","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1538"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1538\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1538"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1538"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1538"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}