{"id":1553,"date":"2011-09-13T15:56:21","date_gmt":"2011-09-13T17:56:21","guid":{"rendered":"http:\/\/bibliobelas.wordpress.com\/?p=1553"},"modified":"2011-09-13T15:56:21","modified_gmt":"2011-09-13T17:56:21","slug":"a-restauracao-e-apenas-o-ultimo-passo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/2011\/09\/a-restauracao-e-apenas-o-ultimo-passo\/","title":{"rendered":"\u201cA RESTAURA\u00c7\u00c3O \u00e9 apenas o \u00faltimo passo\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><big><strong>Entrevista com Ant\u00f4nio Agamellotti<\/strong><\/big><\/p>\n<figure style=\"width: 150px\" class=\"wp-caption alignright\"><a title=\"Sgamellotti: n\u00e3o se faz conserva\u00e7\u00e3o s\u00f3 com recursos cient\u00edficos\" href=\"http:\/\/www.ufmg.br\/boletim\/bol1748\/img\/sgamellotti.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ufmg.br\/boletim\/bol1748\/img\/th_sgamellotti.jpg\" alt=\"Sgamellotti: n\u00e3o se faz conserva\u00e7\u00e3o s\u00f3 com recursos cient\u00edficos\" width=\"150\" height=\"180\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Sgamellotti: n\u00e3o se faz conserva\u00e7\u00e3o s\u00f3 com recursos cient\u00edficos (foto Foca Lisboa)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align:justify;\">H\u00e1 seis anos a comunidade europeia montou infraestrutura f\u00edsica e de especialistas para conserva\u00e7\u00e3o de seu patrim\u00f4nio cultural considerada \u00fanica no mundo. Reunindo 21 institui\u00e7\u00f5es, o cons\u00f3rcio, conhecido como Eu-ARTECH, conta com o original Molab, ou Mobile Laboratory, sediado na Universidade de Perugia, na It\u00e1lia, e, h\u00e1 algum tempo, parceiro da UFMG. Recentemente, o grupo italiano manifestou interesse em formalizar acordos no Brasil, especialmente com a Universidade, ancorado em trabalhos com a Escola de Belas-Artes, que abriga n\u00facleo de reconhecida compet\u00eancia na \u00e1rea. \u201cQueremos dar continuidade aos projetos e promover interc\u00e2mbio de professores e alunos\u201d, disse o qu\u00edmico e professor Antonio Sgamellotti, um dos mais respeitados cientistas em conserva\u00e7\u00e3o da Europa. No in\u00edcio do m\u00eas, abriu sua agenda de trabalho no Brasil para receber a reportagem do BOLETIM para a qual concedeu a entrevista que se segue.<strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Por que investir em um laborat\u00f3rio m\u00f3vel?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><\/strong>O Molab \u00e9 a \u00fanica infraestrutura europeia de conserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio cultural que funciona de forma inversa \u00e0 tradicional. Ou seja, com instrumentos originais port\u00e1teis para an\u00e1lise n\u00e3o destrutiva da obra de arte: ela \u00e9 que vai at\u00e9 o usu\u00e1rio. Isso ocorre porque algumas obras n\u00e3o podem ser movidas no trabalho de conserva\u00e7\u00e3o, como os grandes monumentos ou afrescos. H\u00e1 artefatos que s\u00e3o tirados do lugar, mas n\u00e3o \u00e9 bom mov\u00ea-los, por dois motivos: Primeiro, por raz\u00e3o \u00e9tica. Qualquer movimenta\u00e7\u00e3o causa-lhes um estresse consider\u00e1vel e devemos proporcionar menos traumas poss\u00edveis \u00e0 sua estrutura. O segundo tem motiva\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica: o alto custo dos seguros.<strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Quando menciona que o Molab possui instrumentos \u00fanicos isso significa que h\u00e1 um desenvolvimento espec\u00edfico da ind\u00fastria para ele? Descreva essa din\u00e2mica de inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica definida pela necessidade de conserva\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">H\u00e1 instrumentos produzidos pela ind\u00fastria para determinados objetivos e depois n\u00f3s os adaptamos para o uso nos bens culturais. Outros equipamentos s\u00e3o desenvolvidos academicamente e depois sua tecnologia \u00e9 transferida para a ind\u00fastria. Em alguns casos, s\u00e3o prot\u00f3tipos \u00fanicos, mas, em outros, acabam comercializados com a ind\u00fastria.<strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Os estudos do Molab parecem se apoiar numa abordagem mais t\u00e9cnico-cient\u00edfica. No Brasil, no entanto, predomina uma an\u00e1lise mais hist\u00f3rica dos objetos art\u00edsticos&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Isso n\u00e3o \u00e9 apenas no Brasil. Diria que, inicialmente, a hist\u00f3ria da arte \u00e9 a hist\u00f3ria das ideias. Mas, aos poucos, est\u00e1 sobressaindo a vis\u00e3o de que o conhecimento do percurso do artista tamb\u00e9m traz contribui\u00e7\u00f5es, e elas s\u00e3o, naturalmente, interdisciplinares e requerem os cientistas, os conservadores, os restauradores e os historiadores da arte. Creio que o Brasil deva ter o papel de guiar os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina nesse processo de integra\u00e7\u00e3o dos aspectos cient\u00edficos e os hist\u00f3rico-art\u00edsticos e de conserva\u00e7\u00e3o. E, mais particularmente, a UFMG, pela compet\u00eancia que j\u00e1 desenvolveu, tem todas as possibilidades de se tornar o centro de coordena\u00e7\u00e3o desse processo. Por\u00e9m, a intera\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia com aspectos hist\u00f3rico-art\u00edsticos tem como contexto o est\u00e1gio de desenvolvimento de cada pa\u00eds. O Brasil passa por um desenvolvimento inacredit\u00e1vel e isso \u00e9 \u00f3timo. Mas quando ocorre de modo s\u00fabito e veloz apresenta algum risco: o de perder, durante o processo de moderniza\u00e7\u00e3o, o contato com a realidade hist\u00f3rica, com a identidade do patrim\u00f4nio \u2013 e isso \u00e9 como perder ou negligenciar a identidade de um pa\u00eds. Creio que o Brasil, por sua dimens\u00e3o e pela capacidade que possui, n\u00e3o pode permitir que os erros cometidos na Europa aqui se repitam.<strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Ainda sobre o papel da ci\u00eancia para a arte e considerando a experi\u00eancia do Molab: \u00e9 ela que lidera hoje o aporte de novos conhecimentos a essa \u00e1rea? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><\/strong>A ci\u00eancia possui import\u00e2ncia e autonomia, mas est\u00e1 inserida em certo contexto sociocultural e por isso precisamos de soci\u00f3logos, de fil\u00f3sofos e de pensadores nesse processo. Se quisermos conservar o patrim\u00f4nio n\u00e3o poderemos faz\u00ea-lo apenas com recursos cient\u00edficos. Isso simplesmente n\u00e3o faria sentido. Diria que, para fazer conserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio, \u00e9 necess\u00e1rio educar \u2013 n\u00e3o apenas a popula\u00e7\u00e3o, mas, antes, promover treinamento para formar especialistas a par dos problemas e em condi\u00e7\u00f5es de intervir. Podemos contribuir neste aspecto, mas tamb\u00e9m queremos receber outros conhecimentos, que podem ser problemas que ocorrem em um clima e em uma realidade diferentes.<strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>As condi\u00e7\u00f5es ambientais t\u00eam imposto algum tipo de desafio para a preserva\u00e7\u00e3o de patrim\u00f4nio?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Naturalmente preservar o patrim\u00f4nio significa preserv\u00e1-lo em seu meio natural, levando em conta os problemas ambientais. Esta contextualiza\u00e7\u00e3o consiste em restaur\u00e1-lo e resguard\u00e1-lo por meio do conhecimento, de uma conserva\u00e7\u00e3o preventiva e de uma manuten\u00e7\u00e3o programada. Isto \u00e9, tentar prevenir o que pode produzir danos, pois a restaura\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas o \u00faltimo passo. Levo em considera\u00e7\u00e3o que ambiente n\u00e3o \u00e9 apenas o atmosf\u00e9rico, mas tamb\u00e9m o social.<strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>O Projeto Portinari criou ponte de trabalho entre a Universidade de Perugia e a UFMG. Essa parceria gerou alguma nova descoberta?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong><\/strong>Sobre a obra de Portinari, discutimos problemas diversos, como os relacionados \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o do pigmento anat\u00e1sio [\u00f3xido de tit\u00e2nio]. Parece que o fen\u00f4meno de degrada\u00e7\u00e3o provocado pelo seu uso est\u00e1 ocorrendo em algumas obras de Portinari.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ana Maria Vieira<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">http:\/\/www.ufmg.br\/boletim\/bol1748\/6.shtml<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com Ant\u00f4nio Agamellotti H\u00e1 seis anos a comunidade europeia montou infraestrutura f\u00edsica e de especialistas para conserva\u00e7\u00e3o de seu patrim\u00f4nio cultural considerada \u00fanica no mundo. 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