{"id":1625,"date":"2011-10-03T14:58:53","date_gmt":"2011-10-03T16:58:53","guid":{"rendered":"http:\/\/bibliobelas.wordpress.com\/?p=1625"},"modified":"2011-10-03T14:58:53","modified_gmt":"2011-10-03T16:58:53","slug":"moda-a-formacao-e-a-direcao-criativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/2011\/10\/moda-a-formacao-e-a-direcao-criativa\/","title":{"rendered":"Moda : A forma\u00e7\u00e3o e a dire\u00e7\u00e3o criativa"},"content":{"rendered":"<p>TARCISIO D\u00b4ALMEIDA<strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><strong>Publicado no <a href=\"http:\/\/www.otempo.com.br\/otempo\/noticias\/?IdNoticia=183872\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jornal OTEMPO<\/a> em 02\/10\/2011<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/image.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-1626\" title=\"Ind\u00fastria criativa\" src=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/image.jpg\" alt=\"\" width=\"269\" height=\"269\" srcset=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/image.jpg 314w, https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/image-300x300.jpg 300w, https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/image-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 269px) 100vw, 269px\" \/><\/a>Todas as carreiras t\u00eam suas defini\u00e7\u00f5es, especificidades e destina\u00e7\u00f5es. E a moda ainda contempla uma outra no\u00e7\u00e3o de pertencimento: a de integrar o que os pensadores da atualidade definem como &#8220;ind\u00fastria criativa&#8221;. Ela forma profissionais produtores de bens art\u00edsticos e est\u00e9ticos, mas t\u00eam tamb\u00e9m forte apelo de mercado.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0O primeiro autor a observar essa rela\u00e7\u00e3o da moda com a produ\u00e7\u00e3o de mercadorias, al\u00e9m de ideais est\u00e9ticos, foi o fil\u00f3sofo alem\u00e3o Walter Benjamin. &#8220;A moda \u00e9 filha dileta do capitalismo&#8221;, disse no final do s\u00e9culo XIX, em Paris, ao produzir as reflex\u00f5es que integram o livro &#8220;Passagens&#8221;. Foi ele quem enxergou o que muitos atualmente tentam explicar como duelo entre cria\u00e7\u00e3o e mercado. Duelo este que, por sinal, direcionou a moda para uma viela em que as regras ditatoriais do mercado esmagam a liberdade aut\u00f4noma e criativa. Sim, a moda n\u00e3o foge desse embate, pois \u00e9 uma \u00e1rea que mescla as duas vertentes. Mas sempre penso (e defendo) que \u00e9 poss\u00edvel ser conceitual. O verdadeiro criador de moda precisa ter assinatura, precisa ser autoral.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0Dito isso, podemos pensar especificamente sobre o aspecto criativo e sobre o profissional que se forma em moda. A pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o do adjetivo para o profissional que atua na \u00e1rea tem se alterado na evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica em decorr\u00eancia direta de novas percep\u00e7\u00f5es sobre a ind\u00fastria criativa da moda. Na \u00e9poca de cria\u00e7\u00e3o da alta costura, nos anos 1860, era atribu\u00eddo ao profissional o adjetivo de &#8220;costureiro&#8221;. Entramos no s\u00e9culo XX e, a partir dos 1960, come\u00e7a-se a nomear os criadores vision\u00e1rios do pr\u00eat-\u00e0-porter como &#8220;estilistas&#8221;. Por uma forte influ\u00eancia da l\u00edngua inglesa e pelas maneiras de se interpretar o desenvolvimento do design no final do s\u00e9culo XX, chama-se os criadores como &#8220;designers de moda&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0E, recentemente, em plenos anos 2000, testemunhamos uma nova atribui\u00e7\u00e3o para quem cria e produz moda: a de &#8220;diretor criativo&#8221; e &#8220;diretor de estilo&#8221;. A papisa francesa do ensino de moda, Marie Rucki, sentenciou recentemente que &#8220;acabou a era das grandes estrelas da moda; a dire\u00e7\u00e3o criativa \u00e9 o grande futuro da moda&#8221;. \u00c9 importante pensarmos sobre essa nomenclatura, pois ela \u00e9 reflexo direto de uma nova compreens\u00e3o das multiplicidades do campo. Para a primeira adjetiva\u00e7\u00e3o, a de &#8220;diretor criativo&#8221;, compreende-se toda a configura\u00e7\u00e3o de uma nova realidade que contempla, al\u00e9m da no\u00e7\u00e3o de estilismo, a ideia de o profissional estar pronto para as adversidades e exig\u00eancias que a carreira exige. Algu\u00e9m com forma\u00e7\u00e3o completa em dire\u00e7\u00f5es conceituais de estilo, de imagem, de produ\u00e7\u00e3o, dentre outras.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0J\u00e1 a defini\u00e7\u00e3o de &#8220;diretor de estilo&#8221; contempla, hegemonicamente, o profissional que concebe propostas conceituais de estilos de moda. O importante aqui \u00e9 entendermos que a nova realidade da moda centra-se na quest\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o e como todos a interpretar\u00e3o. De maneira que o passaporte para o sucesso no mercado que anda saturado de profissionais sem forma\u00e7\u00e3o forte \u00e9 o que costumo afirmar como olhar al\u00e9m das fronteiras da obviedade. \u00c9 preciso enxergar onde n\u00e3o se v\u00ea e perceber que as novas sensibilidades demandam estrat\u00e9gias que devem ser, simultaneamente, criativa e mercadol\u00f3gica. Afinal de contas, moda deve ser sempre um exerc\u00edcio est\u00e9tico para a humanidade que a consome simb\u00f3lica e mercadologicamente.<\/p>\n<h6 style=\"text-align:justify;\">\u00a0<em>Tarcisio D\u00b4Almeida \u00e9 professor e pesquisador do curso Design de Moda da Escola de Belas Artes, da Universidade Federal de Minas Gerais (EBA-UFMG). <\/em><a href=\"mailto:tarcisiodalmeida@eba.ufmg.br\"><em>tarcisiodalmeida@eba.ufmg.br<\/em><\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TARCISIO D\u00b4ALMEIDA Publicado no Jornal OTEMPO em 02\/10\/2011 Todas as carreiras t\u00eam suas defini\u00e7\u00f5es, especificidades e destina\u00e7\u00f5es. E a moda ainda contempla uma outra no\u00e7\u00e3o de pertencimento: a de integrar o que os pensadores da atualidade definem como &#8220;ind\u00fastria criativa&#8221;. 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