{"id":1789,"date":"2011-12-15T14:27:15","date_gmt":"2011-12-15T16:27:15","guid":{"rendered":"http:\/\/bibliobelas.wordpress.com\/?p=1789"},"modified":"2011-12-15T14:27:15","modified_gmt":"2011-12-15T16:27:15","slug":"instalacao-de-mineiro-terceiro-mundializa-miami-com-kombi-e-bananas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/2011\/12\/instalacao-de-mineiro-terceiro-mundializa-miami-com-kombi-e-bananas\/","title":{"rendered":"Instala\u00e7\u00e3o de mineiro &#8220;terceiro-mundializa&#8221; Miami com Kombi e bananas"},"content":{"rendered":"<p>A Kombi instala\u00e7\u00e3o de Paulo Nazareth tinha uma tonelada de bananas, que foram amadurecendo e sendo vendidas pelo pr\u00f3prio artista<\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><a>Walter Sebasti\u00e3o <\/a><\/p>\n<figure id=\"attachment_1791\" aria-describedby=\"caption-attachment-1791\" style=\"width: 248px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/paulo-nazareth1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1791\" title=\"Paulo Nazareth\" src=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/paulo-nazareth1.jpg\" alt=\"\" width=\"248\" height=\"310\" srcset=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/paulo-nazareth1.jpg 248w, https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/paulo-nazareth1-240x300.jpg 240w\" sizes=\"auto, (max-width: 248px) 100vw, 248px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1791\" class=\"wp-caption-text\">A Kombi instala\u00e7\u00e3o de Paulo Nazareth tinha uma tonelada de bananas, que foram amadurecendo e sendo vendidas pelo pr\u00f3prio artista.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align:justify;\">Deu no New York Times: o mineiro Paulo Nazareth, que mora em Santa Luzia, \u00e9 o \u00fanico com bom trabalho na exposi\u00e7\u00e3o Art positions, setor dedicado aos artistas emergentes da Art Bassel Miami, maior feira de arte contempor\u00e2nea dos Estados Unidos. Para a cr\u00edtica Karen Rosemberg, que assina resenha sobre o evento (encerrado dia 4) no suplemento Art&amp;Design, quem est\u00e1 chegando ao circuito art\u00edstico faz arte que deixa a sensa\u00e7\u00e3o de algo j\u00e1 <a href=\"http:\/\/www.divirta-se.uai.com.br\/html\/sessao_7\/2011\/12\/12\/ficha_agitos\/id_sessao=7&amp;id_noticia=47405\/ficha_agitos.shtml\">visto<\/a> e derivado de propostas conhecidas. A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o, para ela, \u00e9 Paulo Nazareth. O mineiro, apresentado pela galeria paulista Mendes Wood, mostrou uma Kombi com uma tonelada de bananas, vendidas por ele mesmo, ao lado de cartazes com textos como: \u201cN\u00e3o se esque\u00e7am de mim quando eu for nome importante\u201d; \u201cVendo imagem de homem ex\u00f3tico\u201d etc. A obra chamou aten\u00e7\u00e3o e foi parar nas p\u00e1ginas de v\u00e1rias publica\u00e7\u00f5es, entre elas o Wall Street Journal.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0A feira de arte j\u00e1 terminou, mas at\u00e9 quinta-feira Paulo Nazareth, com \u201cingl\u00eas torto e franc\u00eas gauche\u201d, vende bananas em Miami. S\u00f3 que nas ruas de Little Haiti, para onde levou sua instala\u00e7\u00e3o. Na Bassel, cada fruta custava US$ 10. Na rua 100 delas est\u00e3o sendo vendidas a US$ 1. \u201cDescobri que \u00e9 mais f\u00e1cil vender banana em feira de arte do que em Little Haiti\u201d, conta, por telefone, explicando que, inicialmente, a comunidade ficou desconfiada da origem (e do pre\u00e7o baixo) das frutas. Aos poucos, habitantes do local passaram a ajud\u00e1-lo na empreitada. \u201cRela\u00e7\u00f5es ricas com a vida s\u00e3o o material da minha arte\u201d, avisa, explicando que suas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o pol\u00edticas, po\u00e9ticas e est\u00e9ticas. \u201cBananas verdes, que, aos poucos, foram ficando amarelas, pintadinhas, dentro da Kombi verde, ficou tudo muito bonito\u201d, observa, vendo no forte aspecto est\u00e9tico um dos motivos do rumor que a obra provocou.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0A instala\u00e7\u00e3o [banana banana] ganhou nos Estados Unidos, \u00e0 revelia do artista, o nome de Mercado de bananas\/Mercado de arte. Foca o desejo dos americanos do Sul de migrar para o Norte. A pe\u00e7a faz parte de s\u00e9rie chamada Not\u00edcias da Am\u00e9rica, em desenvolvimento a partir de resid\u00eancia art\u00edstica em Nova York. Trabalho que o artista trocou por vagar pela cidade, durante dois dias, com o movimento Occupy Wal Street e tamb\u00e9m por viagens pela Am\u00e9rica Latina, aprofundando pesquisa sobre deslocamentos. \u201cEstou na exposi\u00e7\u00e3o para \u2018terceiro-mundializar\u2019 os Estados Unidos, come\u00e7ando por Miami\u201d, provoca Paulo. Promete, agora, trazer not\u00edcias dos EUA para a Am\u00e9rica Latina, em outra exposi\u00e7\u00e3o, mostrando trabalhos realizados durante as viagens. Estima que, \u201cse n\u00e3o se perder\u201d na viagem de volta (que ser\u00e1 feita por terra, exatamente como ele foi para os Estados Unidos) e \u201cse Deus quiser\u201d, estar\u00e1 de volta ao Brasil em tr\u00eas meses.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>BLACK POWER<\/strong>\u00a0 A s\u00e9rie Not\u00edcias da Am\u00e9rica, para Paulo, come\u00e7ou no momento em que ele foi tirar o passaporte e o computador recusou sua foto, j\u00e1 que o padr\u00e3o n\u00e3o reconhecia o cabelo black power, sendo ele identificado como \u00edndio com cocar. Na hora de tirar o visto de entrada nos Estados Unidos, devido ao mesmo problema, teve de colocar um turbante, o que facilitou identifica\u00e7\u00e3o como \u00e1rabe. \u201cFoi a expans\u00e3o do conceito de pessoa, de lugar e homenagem \u00e0 minha origem\u201d, brinca o artista. \u201cSou neto de krenaks, bisneto de italiano, asi\u00e1tico segundo teoria do povoamento da Am\u00e9rica. Me chamo Paulo Nazareth de Jesus, isto \u00e9, tenho nome de cidade do Oriente M\u00e9dio \u2013 Nazar\u00e9 \u2013 e cat\u00f3lico, dado por m\u00e3e, que \u00e9 do candombl\u00e9\u201d, acrescenta, com humor. O bom andamento da carreira credita a promessas da m\u00e3e, para S\u00e3o Judas Tadeu, padroeiro das causas imposs\u00edveis, para que os projetos dele dessem certo. Para trabalhar, teve de driblar problemas nas fronteiras entre M\u00e9xico, Guatemala e Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0Mais: como Paulo Nazareth queria chegar aos Estados Unidos impregnado de Am\u00e9rica Latina, foi por terra. Ficou, inclusive, \u201cseis meses e 15 dias sem lavar os p\u00e9s\u201d, para que a poeira (\u201cque n\u00e3o considero sujeira\u201d) permanecesse neles. Usou meias, na fronteira com o M\u00e9xico, para que fiscais n\u00e3o vissem como estavam os p\u00e9s dele, s\u00f3 lavados no Rio Hudson, j\u00e1 em Nova York. Tamb\u00e9m jogou no rio, em 28 de outubro, imagem de S\u00e3o Judas Tadeu. \u201cQuando me inscrevi no Bolsa Pampulha, ela rezou para o santo para que os meus projetos dessem certo e as rezas continuam ajudando\u201d, garante. A participa\u00e7\u00e3o na Art Bassel rendeu v\u00e1rios convites para eventos na Europa, mas Paulo quer chegar l\u00e1, \u201cdepois de passar pela \u00c1frica\u201d, repetindo o que fez agora.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Perfil<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0Paulo Nazareth tem 34 anos, nasceu em Governador Valadares, vive e trabalha em Belo Horizonte. \u00c9 formado em desenho e gravura, estudou entalhe em madeira com Mestre Orlando. Ganhou o Bolsa Pampulha (2004-2005), j\u00e1 recebeu pr\u00eamios em sal\u00f5es, participou de mostras de performances, realizou diversas mostras em BH, S\u00e3o Paulo, Goi\u00e2nia, Porto Alegre. Evita defini\u00e7\u00f5es de arte, mas suspeita que o essencial sejam a\u00e7\u00f5es transformadoras. Motivo de satisfa\u00e7\u00e3o \u00e9 estar amadurecendo projeto cultivado h\u00e1 muito tempo, de linguagem pop, conceitual e contempor\u00e2nea. Quando convidado a falar sobre seus trabalhos, ele diz: \u201c\u00c9 um pouco performance.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0Prefiro chamar de arte relacional, arte de conduta. \u00c9 a minha maneira de me conduzir no mundo. Vou sendo todo dia transformado pelas situa\u00e7\u00f5es, pelos ecos do que vai ocorrendo ao meu redor. N\u00e3o se trata de rela\u00e7\u00f5es apenas intelectuais, presencio rela\u00e7\u00f5es fortes, emocionantes com a vida. Conheci um artista que n\u00e3o tinha malas e disse, por isso, n\u00e3o viajar. Vendo que viajei com um embornal, de saco de linhagem, ficou surpreso. E chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que podia fazer o mesmo. \u00c9 tudo muito forte, cheio de emo\u00e7\u00f5es. H\u00e1 coisas\u00a0que s\u00e3o para mim como um soco,\u00a0que faz girar minha cabe\u00e7a, exatamente como se faz com o pesco\u00e7o do frango para mat\u00e1-lo\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Kombi instala\u00e7\u00e3o de Paulo Nazareth tinha uma tonelada de bananas, que foram amadurecendo e sendo vendidas pelo pr\u00f3prio artista Walter Sebasti\u00e3o Deu no New York Times: o mineiro Paulo Nazareth, que mora em Santa Luzia, \u00e9 o \u00fanico com bom trabalho na exposi\u00e7\u00e3o Art positions, setor dedicado aos artistas emergentes da Art Bassel Miami, &hellip; <a href=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/2011\/12\/instalacao-de-mineiro-terceiro-mundializa-miami-com-kombi-e-bananas\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Instala\u00e7\u00e3o de mineiro &#8220;terceiro-mundializa&#8221; Miami com Kombi e bananas<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1789","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-postagens"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1789","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1789"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1789\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1789"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1789"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1789"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}