{"id":2746,"date":"2013-05-13T17:44:45","date_gmt":"2013-05-13T19:44:45","guid":{"rendered":"http:\/\/bibliobelas.wordpress.com\/?p=2746"},"modified":"2013-05-13T17:44:45","modified_gmt":"2013-05-13T19:44:45","slug":"arte-e-ciencia-no-palco-entrevista-com-carlos-palma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/2013\/05\/arte-e-ciencia-no-palco-entrevista-com-carlos-palma\/","title":{"rendered":"Arte e ci\u00eancia no palco &#8211; Entrevista com Carlos Palma"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;line-height:1.7;color:#000000;\">Entrevista concedida a\u00a0<\/span><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><b>Luisa Massarani e Carla Almeida<\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">(em 19.10.2005) Centro de Estudos do Museu da Vida Casa de Oswaldo Cruz\/Fiocruz Av. Brasil 4.365, Manguinhos 21045-900 Rio de Janeiro \u2013 RJ \u2013 Brasil\u00a0<a href=\"mailto:lumassa@fiocruz.br\"><span style=\"color:#000000;\">lumassa@fiocruz.br<\/span><\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"mailto:carlalmeida@coc.fiocruz.br\"><span style=\"color:#000000;\">carlalmeida@coc.fiocruz.br<\/span><\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"color:#000000;\">_____________________________________________________<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><b>RESUMO<\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">Nesta entrevista sobre a ci\u00eancia no teatro, o ator Carlos Palma relata sua experi\u00eancia \u00e0 frente do projeto &#8220;Arte e Ci\u00eancia no Palco&#8221;, que, desde 1998, monta pe\u00e7as cujo mote principal s\u00e3o temas ligados \u00e0 ci\u00eancia. Ele conta como surgiu a id\u00e9ia e formou uma equipe para viabiliz\u00e1-la, e qual o crit\u00e9rio para a escolha das pe\u00e7as que monta com o grupo. Fala das dificuldades enfrentadas ao trabalhar temas cient\u00edficos em um pa\u00eds onde n\u00e3o h\u00e1 dramaturgia dispon\u00edvel sobre o assunto e analisa a resposta do p\u00fablico \u00e0s suas pe\u00e7as. Palma apresenta ainda reflex\u00f5es sobre o teatro como ferramenta de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><b>Palavras-chave:<\/b>\u00a0teatro; ci\u00eancia; teatro e ci\u00eancia.<\/span><\/p>\n<hr noshade=\"noshade\" size=\"1\" \/>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><b>\u00a0<\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;text-align:justify;line-height:1.7;color:#000000;\">Ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, o ator Carlos Palma vem se destacando no cen\u00e1rio brasileiro por estar \u00e0 frente de v\u00e1rios espet\u00e1culos teatrais sobre temas ligados \u00e0 ci\u00eancia. O repert\u00f3rio do projeto &#8220;Arte e Ci\u00eancia no Palco&#8221;, dirigido por ele, inclui hoje uma dezena de pe\u00e7as cient\u00edficas destinadas a adultos e ao p\u00fablico infantil, e j\u00e1 recebeu cerca de 600 mil espectadores.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">Foi no campo da dramaturgia que se construiu a trajet\u00f3ria desse profissional. Seu contato com a ci\u00eancia ocorreu quase que por acaso. Encantado com a montagem chilena do mon\u00f3logo\u00a0<i>Einstein<\/i>, escrito pelo canadense Gabriel Emanuel, que viu em 1995, Palma comprou os direitos autorais da pe\u00e7a e estreou sua montagem em 1998, em S\u00e3o Paulo. O trabalho lhe rendeu o Pr\u00eamio Mambembe de melhor ator e tornou-se o in\u00edcio do &#8220;Arte e Ci\u00eancia no Palco&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">Cercado por entusiastas da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, que o incentivaram a seguir esse caminho, Carlos Palma tomou conhecimento da repercuss\u00e3o internacional da pe\u00e7a\u00a0<i>Copenhagen<\/i>, do brit\u00e2nico Michael Frayn, e decidiu mont\u00e1-la no Brasil. Vencedora do Pr\u00eamio Qualidade Brasil de 2001, nas categorias de melhor dire\u00e7\u00e3o e melhor espet\u00e1culo, e do Pr\u00eamio Est\u00edmulo Fl\u00e1vio Rangel 2001,\u00a0<i>Copenhagen<\/i>\u00a0consolidou o trabalho do grupo, hoje formado por sete atores.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">&#8220;O que o teatro faz \u00e9 pensar a nossa exist\u00eancia, a nossa vida; se a ci\u00eancia faz parte da nossa vida, ent\u00e3o ela tem que estar no teatro&#8221;, afirma Palma. Para ele, o teatro \u00e9 uma ferramenta poderosa de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, capaz de levar ao p\u00fablico a ci\u00eancia em primeiro plano e de estimular a reflex\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e sociedade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">Nesta entrevista, Carlos Palma fala sobre o &#8220;Arte e Ci\u00eancia no Palco&#8221; \u2013 como foi criado, as dificuldades que enfrenta, \u00eaxitos e desafios, bem como trabalhos futuros. Ele tamb\u00e9m refor\u00e7a o compromisso que o grupo tem com a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><i>Ci\u00eancia e teatro podem estar de fato juntos?<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">Tenho certeza que sim. Podemos muito bem, atrav\u00e9s do trabalho art\u00edstico, colocar o conhecimento cient\u00edfico como foco de aten\u00e7\u00e3o. Acho plaus\u00edvel trazer conhecimentos mais contundentes da realidade, do homem, da natureza e da vida para a arte. A ci\u00eancia faz parte da cultura do homem; est\u00e1 junto a tudo que se faz na arte. Existe toda uma tecnologia que colabora com a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica, seja no teatro, seja no cinema ou na literatura. N\u00e3o vejo dificuldade alguma em trazer a ci\u00eancia para o centro da arte. Por exemplo, a ilumina\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial ao teatro e h\u00e1, por tr\u00e1s dela, uma tecnologia e um avan\u00e7o cient\u00edfico, mas eu posso, al\u00e9m de utilizar diretamente essa tecnologia, trazer o conhecimento cient\u00edfico da luz e da \u00f3tica para o palco e usar isso para provocar uma discuss\u00e3o sobre o avan\u00e7o do conhecimento humano.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><i>Voc\u00ea j\u00e1 disse em outras entrevistas que n\u00e3o gostava de ci\u00eancia quando era crian\u00e7a. Como voc\u00ea passou a se interessar por essa \u00e1rea?<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">\u00c9 verdade, eu n\u00e3o dava a menor bola para a ci\u00eancia. S\u00f3 fui me interessar por ela com\u00a0<i>Einstein<\/i>\u00a0[pe\u00e7a de Gabriel Emanuel]. Isso foi em 1995, quando assisti ao espet\u00e1culo no Chile. Fiquei muito entusiasmado com o que vi. Dois anos depois, compramos os direitos autorais da pe\u00e7a. Com o texto na m\u00e3o \u00e9 que fui ver o que Einstein queria dizer com isto e aquilo, foi a\u00ed que comecei a ler e a pesquisar aquilo que eu devia ter aprendido na escola.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><i>A que voc\u00ea atribui essa sua falta de interesse pela ci\u00eancia na idade escolar?<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">Quando eu estava ingressando no ensino m\u00e9dio, tive que optar entre fazer o segundo grau cient\u00edfico, que compreendia as \u00e1reas cient\u00edficas, ou o cl\u00e1ssico, que compreendia as \u00e1reas humanas. Esta separa\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de conhecimento, embora necess\u00e1ria, ocorria de maneira muito abrupta. Em momento algum poderiam se conciliar as duas coisas para se ter uma vis\u00e3o mais abrangente do mundo. Como eu gostava de desenhar, pintar e ler, e tinha dificuldade com matem\u00e1tica, que achava muito chata e n\u00e3o conseguia aprender, o caminho natural foi escolher o curso cl\u00e1ssico. Depois acabei cursando o segundo grau normal, mas continuei tocando minha vida no caminho da arte, do teatro e da pintura, e trabalhei muitos anos com publicidade. Eu ignorava tudo que fosse relativo \u00e0s ci\u00eancias naturais. Acho que isso se deve \u00e0 conjuntura da \u00e9poca. A separa\u00e7\u00e3o artificial do mundo vingou no final dos anos 60 e nos anos 70. Na d\u00e9cada de 1980, essa separa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a ser questionada, mas ainda de maneira branda. Nos anos 90 \u00e9 que houve de fato um\u00a0<i>insight<\/i>\u00a0na sociedade, que n\u00e3o considera mais poss\u00edvel tanta separa\u00e7\u00e3o. No meu caso particular, foi Einstein que me deu a luz. Einstein foi fant\u00e1stico comigo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><i>Quando decidiu montar a pe\u00e7a<\/i>\u00a0Einstein<i>, j\u00e1 havia lhe ocorrido a id\u00e9ia de adotar a tem\u00e1tica da ci\u00eancia no teatro de forma sistem\u00e1tica?<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">N\u00e3o, isso ainda demorou. O que me interessou em\u00a0<i>Einstein<\/i>\u00a0foram as quest\u00f5es humanas do personagem. Mas, para entender Einstein como pessoa social e existencial, eu tinha que entender o que ele fez e o que ele dizia na pe\u00e7a. Se ele falava sobre a deflex\u00e3o da luz, eu tinha que saber o que era esse neg\u00f3cio; se dizia que o espa\u00e7o se curva na presen\u00e7a de uma massa enorme, era preciso entender o significado disso. Foi a\u00ed que comecei a ler sobre sua obra. Dei um pulo bem grande, nem passei pela f\u00edsica cl\u00e1ssica e j\u00e1 fui para a moderna, procurei entender o que era relatividade, espa\u00e7o e tempo. Aos poucos, fui percebendo o quanto era art\u00edstico o que ele propunha. Foi isto que achei bacana. Mas esse envolvimento era apenas parte da prepara\u00e7\u00e3o do personagem para aquela pe\u00e7a espec\u00edfica. Fui fisgado de fato pela ci\u00eancia no Rio de Janeiro. Quando fomos para aquela cidade em agosto de 1999 \u2013 a pe\u00e7a estreou em S\u00e3o Paulo em mar\u00e7o de 1998 \u2013 tive contato com pessoas ligadas \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da Casa da Ci\u00eancia, como o Ildeu [Moreira] e a F\u00e1tima [Brito]. Foi assim que conheci esse espa\u00e7o que busca a reconcilia\u00e7\u00e3o entre a arte e a ci\u00eancia. Eu tinha acabado de receber o pr\u00eamio Mambembe de 1998 por<i>Einstein<\/i>\u00a0e estava vivendo o dilema de qual seria meu pr\u00f3ximo trabalho. Decidi ent\u00e3o continuar falando de ci\u00eancias exatas e naturais no teatro. Assim nasceu o projeto &#8220;Arte e Ci\u00eancia no Palco&#8221;. Houve a grande coincid\u00eancia de, ao pensar nisso, Ildeu lembrar que havia uma pe\u00e7a chamada\u00a0<i>Copenhagen<\/i>, que foi nosso trabalho seguinte.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><i>Como foi o trabalho de forma\u00e7\u00e3o de uma equipe interessada em trabalhar temas cient\u00edficos?<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">Foi dif\u00edcil e continua sendo dif\u00edcil. Os atores est\u00e3o em busca de trabalho, mas \u00e9 dif\u00edcil falar para eles: &#8220;Olha, voc\u00ea vai ter que ler um pouco sobre fotoss\u00edntese, sobre DNA&#8230;&#8221;. \u00c9 muito mais f\u00e1cil \u2013 sem querer minimizar o trabalho de outros \u2013 montar um grupo que vai tratar de quest\u00f5es sociais, da mis\u00e9ria, da distribui\u00e7\u00e3o de renda e dos regimes pol\u00edticos. Esses temas s\u00e3o muito mais envolventes, porque as pessoas t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o mais estreita com eles. Quando o assunto \u00e9 ci\u00eancia, as pessoas se perguntam: &#8220;Qual a minha rela\u00e7\u00e3o com isso?&#8221;. Elas n\u00e3o sabem. \u00c9 mais f\u00e1cil ver aproxima\u00e7\u00e3o com as quest\u00f5es sociais do que com a ci\u00eancia. Em S\u00e3o Paulo, ou acham que nosso teatro \u00e9 para a elite \u2013 o que n\u00e3o \u00e9 verdade \u2013 ou acham que fazemos um trabalho did\u00e1tico, para escolas, o que tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 verdade.<\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"color:#000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.scielo.br\/img\/revistas\/hcsm\/v13s0\/13f1.jpg\" width=\"464\" height=\"338\" \/><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><i>Falta ent\u00e3o percep\u00e7\u00e3o de que a ci\u00eancia \u00e9 parte da cultura?<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">Total. A vida \u00e9 simples, \u00e9 s\u00f3 tentar buscar o entendimento do todo. Quando queremos entender o todo, n\u00e3o podemos ignorar a ci\u00eancia, parte integrante da sociedade, da economia, das nossas a\u00e7\u00f5es e da nossa vida. Ainda \u00e9 dif\u00edcil, mesmo no espectro da arte, as pessoas enxergarem isso com mais clareza.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><i>Como as pe\u00e7as s\u00e3o escolhidas?<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">Tamb\u00e9m \u00e9 dif\u00edcil, porque n\u00e3o h\u00e1 uma dramaturgia dispon\u00edvel sobre temas cient\u00edficos. As pessoas n\u00e3o se d\u00e3o conta do enorme potencial que tem o teatro sobre ci\u00eancia. Em nosso repert\u00f3rio, temos poucos textos de nossa autoria. Foi muito dif\u00edcil para Oswaldo [Mendes], por exemplo, escrever\u00a0<i>A dan\u00e7a do universo<\/i>. Houve mudan\u00e7as no texto at\u00e9 o momento da produ\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo. Al\u00e9m deste, temos dois textos infantis de nossa autoria, o\u00a0<i>Da Vinci pintando o sete<\/i>\u00a0e o\u00a0<i>20.000 l\u00e9guas submarinas&#8230; ufa!<\/i>, que \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria de J\u00falio Verne. Hoje, temos alguma rede de contatos, que se amplia cada vez mais, com pessoas de outros pa\u00edses que fazem esse tipo de trabalho.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><i>Como \u00e9 essa troca entre pa\u00edses que desenvolvem trabalhos de ci\u00eancia no teatro?<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">N\u00e3o \u00e9 muito grande. Poderia ser muito maior. Mas como vamos interagir? N\u00e3o d\u00e1, \u00e9 desigual demais. A Inglaterra e os Estados Unidos, por exemplo, est\u00e3o muito \u00e0 frente de n\u00f3s. Precisamos muito mais deles do que eles de n\u00f3s.<i>Copenhagen<\/i>\u00a0\u00e9 do ingl\u00eas Michael Frayn,\u00a0<i>Perdida, uma com\u00e9dia qu\u00e2ntica<\/i>\u00a0\u00e9 do espanhol Jos\u00e9 Sanchis Sinisterra,<i>Quebrando C\u00f3digos<\/i>\u00a0\u00e9 do ingl\u00eas Hugh Whitemore,\u00a0<i>E agora Sr. Feynman?<\/i>\u00a0\u00e9 do norte-americano Peter Parnell. E os pr\u00f3ximos textos que iremos produzir tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o brasileiros. Um \u00e9 norte-americano, e o outro, ingl\u00eas. N\u00e3o tem jeito.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><i>Como os atores se preparam para interpretar os personagens?<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">Nosso grupo \u00e9 formado por sete atores, al\u00e9m dos t\u00e9cnicos. Nem todos est\u00e3o no mesmo patamar de conhecimento cient\u00edfico. Para cada pe\u00e7a que montamos, estudamos um tema diferente, discutimos em grupo e o ator acaba aprendendo e se interessando pelo assunto. Tamb\u00e9m conversamos muito com especialistas no tema que vamos tratar. Os pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo, por exemplo, v\u00eam sendo muito prestativos e generosos, nos ajudando de diversas maneiras. Al\u00e9m disso, h\u00e1 professores e pessoas ligadas \u00e0 comunidade acad\u00eamica que passam\u00a0<i>e-mails<\/i>\u00a0oferecendo ajuda. Acabamos formando uma massa cr\u00edtica de pessoas que colaboram, e isso \u00e9 fant\u00e1stico. Cria-se uma rela\u00e7\u00e3o muito bacana entre os atores e os cientistas. Nenhum dos dois lados tem resist\u00eancia a aceitar o caminho que est\u00e1 sendo adotado. N\u00e3o h\u00e1 conflito em nossas rela\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><i>Os espet\u00e1culos do &#8220;Arte e Ci\u00eancia no Palco&#8221; trabalham principalmente temas e personagens hist\u00f3ricos da ci\u00eancia. Isto \u00e9 proposital?<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">De maneira geral, trabalhar em cima de fatos hist\u00f3ricos em vez de usar a fic\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m o que se faz l\u00e1 fora. Primeiro porque esses personagens hist\u00f3ricos s\u00e3o sempre atraentes, seja um artista de cinema, um escritor ou um cientista. Quando algu\u00e9m faz algo de importante, queremos saber como foi a vida dessa pessoa. Trabalhar com fic\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 mais complicado, porque exige uma criatividade tremenda. Todas as nossas pe\u00e7as, com exce\u00e7\u00e3o de<i>Perdida<\/i>, que \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o, tratam de personagens hist\u00f3ricos. Essas pe\u00e7as podem contribuir, de certa maneira, para a forma\u00e7\u00e3o intelectual das pessoas. Muitos n\u00e3o leriam um livro sobre a vida de Einstein, mas assistiriam a uma pe\u00e7a sobre ele. O teatro, ao representar esses personagens e todo o mundo art\u00edstico a seu redor, torna essas hist\u00f3rias atraentes. Em uma hora e meia de espet\u00e1culo, as pessoas aprendem alguma coisa sobre esses personagens, divertindo-se e se emocionando.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><i>Pensando no caminho inverso, voc\u00ea acha que o teatro cient\u00edfico pode ser um ponto de partida para um aprofundamento maior sobre determinado tema? Por exemplo, algu\u00e9m que assista a<\/i>\u00a0Einstein\u00a0<i>pode se interessar em saber mais sobre sua vida?<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">Acho que tem, sim, esse efeito de estimular. Acredito que grande parcela do nosso p\u00fablico seja estimulada a ir mais fundo no assunto da pe\u00e7a. Tem gente que acha que contar a vida de Einstein em uma hora e dez \u00e9 ser reducionista. Mas eu diria que n\u00e3o h\u00e1 perdas nessa redu\u00e7\u00e3o. Trata-se de uma outra situa\u00e7\u00e3o, de outra dimens\u00e3o na compreens\u00e3o do personagem e que vai levar algumas pessoas a abrirem o livro de Abraham Pais ou ler outra obra sobre Einstein. Por outro lado, se algu\u00e9m assistir \u00e0 pe\u00e7a\u00a0<i>Quebrando c\u00f3digos<\/i>\u00a0e quiser conhecer vida e obra de Alan Turing em detalhes, n\u00e3o vai poder, porque ainda n\u00e3o foi publicado em portugu\u00eas um livro sobre ele. O cinema tamb\u00e9m tem um papel importante neste sentido. Antes de\u00a0<i>Uma mente brilhante<\/i>, por exemplo, ningu\u00e9m sabia quem era John Nash, um matem\u00e1tico que revolucionou as teorias econ\u00f4micas. Incr\u00edvel! A arte tem esse dom de provocar, de despertar as pessoas, algo mais que o seu dia-a-dia lhe oferece.<\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"color:#000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.scielo.br\/img\/revistas\/hcsm\/v13s0\/13f2.jpg\" width=\"464\" height=\"670\" \/><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><i>Cientistas brasileiros e tem\u00e1ticas nacionais est\u00e3o nos planos do &#8220;Arte e Ci\u00eancia no Palco&#8221;?<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">Eu queria montar uma pe\u00e7a que falasse sobre a biodiversidade. Esta \u00e9 uma quest\u00e3o premente. Estamos vivendo hoje uma situa\u00e7\u00e3o muito dram\u00e1tica; abrimos as p\u00e1ginas dos jornais e vemos estampado na capa aquele rio seco com milhares de peixes mortos e um cara num barco sem poder se locomover porque n\u00e3o tem \u00e1gua. E tudo por causa da atitude predat\u00f3ria do ser humano, que explora a natureza deliberadamente. Gostaria de falar da \u00e1gua, do ar, da riqueza natural que temos e que est\u00e1 sendo explorada indevidamente por grandes laborat\u00f3rios e por empresas multinacionais. Queria deixar as pessoas em estado de choque e mostrar que estamos vivendo no limite. Acho que seria importante trazer esta quest\u00e3o para o teatro. Tamb\u00e9m queria trabalhar em cima de personalidades brasileiras como Santos Dumont, Oswaldo Cruz, Cesar Lattes, Carlos Chagas&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><i>Voc\u00ea mencionou a car\u00eancia, no Brasil, de dramaturgia sobre temas cient\u00edficos e a falta de atores dispostos a trabalhar nessa \u00e1rea. Que outras dificuldades voc\u00ea enfrenta na hora de montar um espet\u00e1culo sobre ci\u00eancia?<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">Vou dar o exemplo de\u00a0<i>Einstein<\/i>. As explica\u00e7\u00f5es que dou na pe\u00e7a sobre a curvatura do espa\u00e7o e sobre a relatividade s\u00e3o pr\u00e1ticas. Esta \u00e9 uma dificuldade. Para n\u00e3o ficar apenas na teoria e no didatismo, \u00e9 preciso construir met\u00e1foras, dar exemplos concretos, porque o p\u00fablico precisa ver para acreditar. Mas como fazer experimentos durante um espet\u00e1culo de menos de duas horas? Como achar espa\u00e7o para apresentar os conflitos morais do personagem e da sociedade, oferecer um panorama do contexto hist\u00f3rico em que viveu determinado cientista e ainda mostrar suas id\u00e9ias e descobertas de maneira pr\u00e1tica? Esta \u00e9 mais uma das dificuldades e um desafio para o encenador. No\u00a0<i>Feynman<\/i>, por exemplo, tivemos esse problema. Como falar dos el\u00e9trons se n\u00e3o podemos v\u00ea-los? Como vou fazer esta transposi\u00e7\u00e3o para algo concreto?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">Copenhagen<i>, na vers\u00e3o brit\u00e2nica, tinha como marca a aus\u00eancia de cen\u00e1rio, sem m\u00fasica \u2013 \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de algumas cenas que, justamente pela aus\u00eancia nos outros trechos, tinham grande impacto. A vers\u00e3o brasileira optou por abrir m\u00e3o disso. Por qu\u00ea? E como avalia o resultado final?<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">Assisti apenas \u00e0 montagem norte-americana, cujo diretor \u00e9 o mesmo da produ\u00e7\u00e3o inglesa. Na americana, havia tr\u00eas inser\u00e7\u00f5es musicais, ou de ru\u00eddos: a campainha, uma gaivota e a bomba at\u00f4mica. Sinceramente, achei chato demais. Mas h\u00e1 uma raz\u00e3o para ser assim. Os ingleses e os norte-americanos estiveram envolvidos diretamente com essa quest\u00e3o. Para eles, falar de bomba at\u00f4mica e de Segunda Guerra Mundial \u00e9 dif\u00edcil, est\u00e1 na carne. Agora, imagina fazer isso aqui no Brasil, com todo o nosso esp\u00edrito latino e vigor emocional. Acho que ningu\u00e9m iria suportar. Ent\u00e3o, em vez de fazer uma pe\u00e7a sem emo\u00e7\u00e3o, como a que vi nos Estados Unidos, Marco Antonio Rodrigues decidiu transformar a discuss\u00e3o do Bohr e do Heisenberg em algo mais intenso, com mais emo\u00e7\u00e3o, porque n\u00f3s brasileiros somos assim. Marco Ant\u00f4nio n\u00e3o viu a montagem norte-americana, mas viu a inglesa. Durante os quatro meses e meio em que montamos a pe\u00e7a, conversamos muito sobre isso e acho que escolhemos o caminho mais adequado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><i>Houve algum retorno do p\u00fablico internacional em rela\u00e7\u00e3o a essas modifica\u00e7\u00f5es?<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">Michael Frayn [autor de\u00a0<i>Copenhagen<\/i>] falou, em entrevista concedida a\u00a0<i>O Estado de S. Paulo<\/i>, sobre a montagem brasileira. Ele disse que n\u00e3o viu, mas que tinha ouvido elogios sobre as mudan\u00e7as na montagem brasileira. N\u00f3s acabamos de apresentar a pe\u00e7a em Portugal e foi um arraso. Isto foi logo depois de a montagem inglesa [adaptada para o portugu\u00eas] sair de temporada. Conheci Carmen Delaways, a atriz que interpretou Margareth Bohr. Ela e o ator que interpretou o Bohr foram assistir \u00e0 nossa montagem e ficaram entusiasmad\u00edssimos, pois viram como a arte permite mil leituras de uma mesma obra. Eles disseram: &#8220;Voc\u00eas foram aonde n\u00e3o imagin\u00e1vamos ser poss\u00edvel ir, realizaram muito bem isso e \u00e9 muito provocante&#8221;. Muita gente que havia assistido \u00e0 montagem inglesa foi ver novamente. Algumas pessoas confessaram ter preferido a nossa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><i>Em outras pe\u00e7as, tamb\u00e9m foi necess\u00e1rio fazer adapta\u00e7\u00f5es para o p\u00fablico brasileiro?<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">Em todas elas.\u00a0<i>Feynman<\/i>, por exemplo, \u00e9 um texto norte-americano que fala dos \u00faltimos anos da vida do cientista, que est\u00e1 com c\u00e2ncer. Ao ler o texto, e conhecendo a vida do Feynman, vimos que era preciso mexer em algumas coisas. Por exemplo: Feynman morou no Rio de Janeiro, saiu em escola de samba na d\u00e9cada de 1950 e era apaixonado pelo Brasil; t\u00ednhamos que acrescentar isso. Temos sempre a preocupa\u00e7\u00e3o de apresentar a pe\u00e7a para o nosso p\u00fablico. A montagem inglesa de\u00a0<i>Quebrando c\u00f3digos<\/i>, para dar outro exemplo, era uma montagem realista. Fizemos nossa montagem mais minimalista, com poucas coisas, dando \u00eanfase ao texto e \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o do ator. Cada diretor faz a sua leitura.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><i>Qual o p\u00fablico alvo da companhia &#8220;Arte e Ci\u00eancia no Palco&#8221;?<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">De certa maneira, nosso trabalho tem colaborado com professores e educadores, um p\u00fablico um tanto abandonado. Eles recebem mal, t\u00eam uma carga hor\u00e1ria pesada de trabalho, d\u00e3o aula em quinhentas escolas para poder ganhar o m\u00ednimo&#8230; Temos recebido muitos professores e pessoas ligadas \u00e0 \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 muito positivo porque, sem o professor, n\u00e3o adianta mostrar as pe\u00e7as para os alunos das escolas. Se os alunos est\u00e3o mal informados, cria-se um buraco entre o que estamos fazendo e eles. Quando divulgamos as pe\u00e7as, h\u00e1 uma aproxima\u00e7\u00e3o muito grande com o corpo docente. Eles se desarmam para assistir ao espet\u00e1culo, voltam para as escolas, preparam seus alunos e depois trazem a turma para ver a pe\u00e7a. Fomos descobrindo aos poucos nossa preocupa\u00e7\u00e3o em dar aten\u00e7\u00e3o ao professor, porque \u00e9 ele quem est\u00e1 no topo e vai formar quem est\u00e1 l\u00e1 embaixo. Este caminho n\u00e3o d\u00e1 para reverter.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><i>J\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel medir o impacto do projeto de voc\u00eas no trabalho de educadores?<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">Percebemos uma grande repercuss\u00e3o do nosso trabalho entre professores, um vai falando para o outro, que vai falando para o outro. Assim, nosso trabalho vai se multiplicando. \u00c0s vezes, acontecem coisas interessantes que mostram esse impacto. Por exemplo, um aluno que assistiu a\u00a0<i>Einstein<\/i>\u00a0h\u00e1 sete anos est\u00e1 se formando em f\u00edsica e quer mostrar a pe\u00e7a aos colegas de sua cidade. Tem uma professora que viu\u00a0<i>Einstein<\/i>\u00a0h\u00e1 tr\u00eas anos e que s\u00f3 agora conseguiu levar a pe\u00e7a para a escola dela. Foi um espet\u00e1culo maravilhoso, com todo o corpo de professores da escola, a dire\u00e7\u00e3o e os alunos, que estavam muito bem preparados. Ela disse que demorou porque teve dificuldades na escola para financiar a apresenta\u00e7\u00e3o, mas que, al\u00e9m disso, queria preparar os alunos. Isto n\u00e3o pode parar. Se falarmos que vamos acabar com o projeto &#8220;Arte e Ci\u00eancia no Palco&#8221;, eles n\u00e3o v\u00e3o deixar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><i>Qual a diferen\u00e7a entre montar espet\u00e1culos para adultos e para crian\u00e7as?<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">No caso das crian\u00e7as, tenho a convic\u00e7\u00e3o de que \u00e9 preciso trabalhar com o l\u00fadico, com o jogo. Isto tem que estar em primeiro plano, porque faz parte do universo delas. O l\u00fadico faz parte do universo de todos n\u00f3s, mas, para as crian\u00e7as, ele tem um significado muito forte. No caso de\u00a0<i>Da Vinci pintando o sete<\/i>, por exemplo, Da Vinci n\u00e3o era o pintor e sim o inventor e, mais do que o inventor, era o homem que n\u00e3o se desestimulava diante do fracasso. Ele desenhava, fazia seus prot\u00f3tipos, dava tudo errado, ele ca\u00eda do avi\u00e3o&#8230; Enfim, isto, para a crian\u00e7a, \u00e9 engra\u00e7ado e ao mesmo tempo pedagogicamente importante. \u00c9 bom ela ter a no\u00e7\u00e3o de que a ci\u00eancia \u00e9 feita de tentativas e erros. No caso das\u00a0<i>20.000 l\u00e9guas submarinas&#8230;ufa!<\/i>, resgatamos um pouco J\u00falio Verne e seu dom de antecipar os acontecimentos. Mostramos assim que \u00e9 poss\u00edvel, atrav\u00e9s da arte, antecipar fatos. Acho que, com crian\u00e7as, o importante \u00e9 deix\u00e1-las livres para serem curiosas, estimul\u00e1-las a perguntar, n\u00e3o inibi-las e contar a hist\u00f3ria bem contada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><i>Voc\u00ea se considera um divulgador de ci\u00eancia?<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">Sou um artista e a minha arte \u00e9 o teatro. Mas, atrav\u00e9s do teatro, posso colaborar com a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. N\u00e3o sei em que medida, mas acho que estamos colaborando com esse movimento e me sinto honrado de estar fazendo isto. Sinto o maior orgulho de estar junto de pessoas como a Luisa [Massarani] e o Ildeu [Moreira]; estas sim s\u00e3o as pessoas importantes para a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Elas t\u00eam um trabalho importante a fazer e estou aprendendo com elas. Sinto-me \u00e0 vontade para falar que fazemos parte desse movimento de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Fazemos arte, mas tamb\u00e9m fazemos divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica com a arte.<\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"color:#000000;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.scielo.br\/img\/revistas\/hcsm\/v13s0\/13f3.jpg\" width=\"464\" height=\"385\" \/><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><i>Como voc\u00ea avalia o teatro como ferramenta de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica?<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">O teatro \u00e9 uma ferramenta poderos\u00edssima, capaz de levar ao p\u00fablico a ci\u00eancia em primeiro plano. Mas, ao mesmo tempo em que \u00e9 f\u00e1cil fazer teatro, tamb\u00e9m ele pode ser a coisa mais dif\u00edcil de ser feita. \u00c9 f\u00e1cil no sentido de que estamos aqui tendo um di\u00e1logo e isso pode virar uma pe\u00e7a de teatro. Agora, transformar isto em algo de impacto \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 trivial. Se n\u00e3o conseguirmos impactar as pessoas, chegar dentro delas, n\u00e3o adianta, porque h\u00e1 uma barreira cultural e psicol\u00f3gica que est\u00e1 ali o tempo todo. Sempre acho que as pessoas v\u00eam com disponibilidade para aceitar a ilus\u00e3o do teatro, a arte teatral, mas tem gente que vem para acompanhar algu\u00e9m, ent\u00e3o, temos que quebrar essas barreiras e entrar dentro de cada um.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><i>Qual a diferen\u00e7a entre divulgar ci\u00eancia atrav\u00e9s do teatro e atrav\u00e9s do cinema?<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">O cinema \u00e9 uma tela na sua frente e ponto final. As pessoas podem comer pipoca, sair&#8230; n\u00e3o est\u00e3o nem a\u00ed. No teatro \u00e9 diferente. H\u00e1 poucas pessoas que est\u00e3o dispostas a se concentrar para aquele momento, que \u00e9 um ritual. Eu me preparo para entrar em cena uma hora antes de come\u00e7ar a pe\u00e7a \u2013 fico me maquiando, pensando sobre meu personagem, respirando&#8230; \u2013, a plat\u00e9ia tamb\u00e9m se prepara para vir ao teatro. As pessoas sabem que estar\u00e3o na frente de um ator, de uma cenografia, e que estar\u00e3o \u00e0 merc\u00ea dos efeitos ali presentes, diferentemente do que acontece no cinema. Mas considero tanto o cinema quanto o teatro ferramentas muito poderosas de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e, se o cinema tem colaborado tanto com isto, o teatro, que deixou isto de lado ou n\u00e3o se ateve a essa quest\u00e3o, tem que pegar o caminho e colaborar tamb\u00e9m com a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Acho que \u00e9 importante.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><i>O teatro e outras manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas t\u00eam sido usados como ferramentas para falar de ci\u00eancia, no entanto, \u00e9 raro ver a situa\u00e7\u00e3o inversa, o artista usando a ci\u00eancia para se comunicar. Por que voc\u00ea acha que isso ocorre?<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">A pessoa que faz ci\u00eancia pode pegar facilmente as t\u00e9cnicas de improvisa\u00e7\u00e3o do teatro e montar uma historinha dentro da sala de aula para facilitar o entendimento da ci\u00eancia. Neste caso, a arte est\u00e1 sendo usada para tornar a ci\u00eancia mais palat\u00e1vel ou para facilitar o ensino da ci\u00eancia. O inverso \u00e9 mais dif\u00edcil, porque o artista \u00e9 livre para trabalhar determinada quest\u00e3o da forma que desejar. Claro que temos que respeitar o vi\u00e9s do conhecimento, mas trazemos a quest\u00e3o dos conflitos humanos, da responsabilidade cient\u00edfica, dos valores da ci\u00eancia, da \u00e9tica da ci\u00eancia, pois s\u00e3o estes aspectos da ci\u00eancia que nos interessam. A fun\u00e7\u00e3o da arte \u00e9 mostrar que a vida mudou com a ci\u00eancia, e vai mudar mais. O que o teatro faz \u00e9 pensar a nossa exist\u00eancia, a nossa vida. Se a ci\u00eancia faz parte da nossa vida, ent\u00e3o ela tem que estar no teatro. Agora, como isso vira obra de arte \u00e9 um problema do artista.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><i>At\u00e9 onde vai a liberdade art\u00edstica e a corre\u00e7\u00e3o cient\u00edfica?<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">N\u00e3o se pode querer liberdade para mudar a teoria de Einstein, n\u00e3o d\u00e1, \u00e9 melhor fazer outra coisa. Quando o artista se apropria de temas do conhecimento humano, principalmente no que se refere \u00e0s \u00e1reas exatas e cient\u00edficas, n\u00e3o pode deturp\u00e1-las, \u00e9 preciso trabalhar com os fatos reais. Mas h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que o artista, usando o bom senso, decide alterar alguns fatos para tornar a hist\u00f3ria mais interessante. Em\u00a0<i>A dan\u00e7a do universo<\/i>, por exemplo, Oswaldo criou um encontro fict\u00edcio entre Kepler e Galileu, no qual buscamos mostrar a ess\u00eancia de quem era Kepler e de quem era Galileu. Mesmo sendo plaus\u00edvel que eles tivessem tido esse tipo de di\u00e1logo, houve neste ponto uma liberdade de cria\u00e7\u00e3o. Nessa mesma pe\u00e7a, fizemos intuitivamente algumas mudan\u00e7as que acabaram coincidindo com a verdade. Precis\u00e1vamos realizar uma cena de 15 minutos em que Newton falasse sobre suas teorias. Como seria chato ficar s\u00f3 no di\u00e1logo, decidimos colocar nessa cena ele montando o Disco de Newton. Depois vieram me falar que isso era genial, porque poucos sabem que Newton n\u00e3o era apenas um te\u00f3rico, era um pr\u00e1tico, um cientista que colocava a m\u00e3o na massa e constru\u00eda coisas para provar suas id\u00e9ias.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><i>J\u00e1 houve alguma reclama\u00e7\u00e3o, por parte de cientistas ou divulgadores da ci\u00eancia, em rela\u00e7\u00e3o a essas modifica\u00e7\u00f5es feitas por voc\u00eas?<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">Uma vez, quando est\u00e1vamos em cartaz com\u00a0<i>A dan\u00e7a do universo<\/i>, a filha do pesquisador Mario Schenberg, um dos personagens da pe\u00e7a, chamou a nossa aten\u00e7\u00e3o: &#8220;Meu pai n\u00e3o usava homeopatia, quem usava era a minha m\u00e3e&#8221;. Oswaldo explicou por que tinha tomado a decis\u00e3o de mudar isto. Ela entendeu e at\u00e9 gostou muito. Nossa rela\u00e7\u00e3o com divulgadores, educadores e pesquisadores \u00e9 uma quest\u00e3o de di\u00e1logo franco e aberto. Algumas pessoas j\u00e1 me chamaram a aten\u00e7\u00e3o, dizendo que Einstein n\u00e3o teria dito isso ou aquilo. Mostro onde tive acesso a tais informa\u00e7\u00f5es, para tirar a limpo. Mas s\u00e3o detalhes bobos. \u00c0s vezes, as pessoas querem mais explica\u00e7\u00f5es do que a pe\u00e7a permite como obra de arte.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><i>Como voc\u00ea avalia a trajet\u00f3ria do &#8220;Projeto Arte e Ci\u00eancia no Palco&#8221;?<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">O projeto nasceu h\u00e1 seis anos, ainda acho cedo para fazermos um balan\u00e7o. Por sermos um grupo aut\u00f4nomo, ainda temos dificuldades para sustentar nosso trabalho. Estamos sempre correndo atr\u00e1s de nossa sobreviv\u00eancia, mas \u00e9 preciso ter equil\u00edbrio. N\u00e3o vamos abrir m\u00e3o do que queremos para ganhar mais dinheiro. Temos hoje tr\u00eas bases de sustenta\u00e7\u00e3o. Uma \u00e9 o patroc\u00ednio, que vem de duas empresas, Interprint e Etapa; temos a receita de bilheteria, pequena, mas que ajuda; e temos a venda dos espet\u00e1culos. A combina\u00e7\u00e3o disso permite que a gente v\u00e1 sonhando, vivendo nosso dia-a-dia e produzindo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><i>Qual \u00e9 o desafio que se imp\u00f5e para o futuro?<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">Nosso objetivo \u00e9 ter um repert\u00f3rio rico de espet\u00e1culos e um grupo grande de atores, de modo que seja poss\u00edvel apresentar, simultaneamente, uma pe\u00e7a no Rio, outra na Para\u00edba&#8230; Isto ainda \u00e9 uma utopia, mas estamos indo atr\u00e1s dela, isso j\u00e1 est\u00e1 acontecendo um pouco. \u00c0s vezes acontece de eu estar fazendo\u00a0<i>Einstein<\/i>\u00a0no Rio e Oswaldo e Monika [Pl\u00f6ger] estarem fazendo\u00a0<i>Feynman<\/i>\u00a0em outro lugar. O problema \u00e9 que alguns atores fazem v\u00e1rias pe\u00e7as, o que impede apresenta\u00e7\u00f5es simult\u00e2neas. Nossas pe\u00e7as precisam circular com mais intensidade, com mais gente, fortalecendo o grupo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\"><i>Dois espet\u00e1culos entrar\u00e3o em breve para o repert\u00f3rio do grupo,<\/i>\u00a0Oxig\u00eanio\u00a0<i>e<\/i>\u00a0Darwin<i>. Em que p\u00e9 est\u00e1 a montagem dessas pe\u00e7as?<\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;color:#000000;\">Estamos promovendo um ciclo de leituras na Casa do Saber, em S\u00e3o Paulo. Vamos fazer uma leitura p\u00fablica do texto de\u00a0<i>Darwin<\/i>\u00a0e depois de\u00a0<i>Oxig\u00eanio<\/i>, que ser\u00e1 nossa pr\u00f3xima estr\u00e9ia. Convidamos as pessoas para assistir \u00e0s leituras e depois participar de um debate sobre o conte\u00fado. Precisamos organizar atividades paralelas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de espet\u00e1culos, porque isso atrai pessoas para assistir \u00e0s pe\u00e7as e alimenta nosso trabalho. Queremos fazer um ciclo de debates sobre\u00a0<i>Oxig\u00eanio<\/i>, discutindo a qu\u00edmica, o pr\u00eamio Nobel, a primazia da descoberta cient\u00edfica e outros temas relacionados ao livro. Gravamos todos esses debates e depois ouvimos as quest\u00f5es colocadas pelo p\u00fablico, o que ajuda na montagem dos espet\u00e1culos. Acho muito importante fazer esse trabalho.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"color:#000000;\">++++++++++++++++++++++++++++++++<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"color:#808080;\">Carlos Palma \u00e9 diretor do projeto &#8220;Arte e Ci\u00eancia no Palco&#8221; Alameda Lorena, 1080 cj. 3 Jardim Paulista 01424-001 S\u00e3o Paulo \u2013 SP \u2013 Brasil\u00a0<a href=\"mailto:acpcultural@uol.com.br\"><span style=\"color:#808080;\">acpcultural@uol.com.br<\/span><\/a>;<a href=\"http:\/\/www.arteciencianopalco.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"color:#808080;\"><span style=\"color:#000000;\">www.arteciencianopalco.com<\/span>.br\/<\/span><\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista concedida a\u00a0Luisa Massarani e Carla Almeida (em 19.10.2005) Centro de Estudos do Museu da Vida Casa de Oswaldo Cruz\/Fiocruz Av. 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