{"id":3358,"date":"2013-12-18T15:59:02","date_gmt":"2013-12-18T17:59:02","guid":{"rendered":"http:\/\/bibliobelas.wordpress.com\/?p=3358"},"modified":"2013-12-18T15:59:02","modified_gmt":"2013-12-18T17:59:02","slug":"de-chirico-e-o-sentimento-da-arquitetura-catalogo-online","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/2013\/12\/de-chirico-e-o-sentimento-da-arquitetura-catalogo-online\/","title":{"rendered":"De Chirico e o sentimento da arquitetura \u2013 Cat\u00e1logo online"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\">por Maddalena d\u2019Alfonso<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Giorgio de Chirico assume como universo simb\u00f3lico de sua busca art\u00edstica a cidade e seus cen\u00e1rios arquitet\u00f4nicos, entre os quais coloca, de maneira ponderada e erudita, figuras, imagens, esbo\u00e7os e objetos quase como elementos al\u00f3genos que, justapostos, aludem ao enigma da modernidade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Para de Chirico, a modernidade \u00e9 precisamente um novo classicismo; \u00e9 desejo de um mundo novo, onde se possa agir livremente e livremente se deixar dominar por sentimentos human\u00edssimos, pelo medo, pela coragem; um mundo onde a liberdade de agere et pati [agir e sofrer] sublime a percep\u00e7\u00e3o opaca e desordenada do espa\u00e7o em vis\u00f5es l\u00edmpidas e lac\u00f4nicas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A ideia de uma humanidade renovada, de um \u201chomem novo\u201d, que naqueles anos ia transformando a concep\u00e7\u00e3o do mundo, aplicando \u00e0s artes uma ins\u00f3lita matriz interpretativa \u2013 na poesia, por exemplo, com Guillaume Apollinaire; na m\u00fasica, com Alfredo Casella; na cenografia, com Adolphe Appia; e na arquitetura, com Le Corbusier \u2013, se confronta em de Chirico com uma \u00fanica e p\u00e1lida certeza: o sedimento da cultura na hist\u00f3ria e na civiliza\u00e7\u00e3o, o \u00fanico que n\u00e3o se possa recusar, se consolida essencialmente na arquitetura, porque ela representa para o indiv\u00edduo a dimens\u00e3o civil, exprimindo-se com maior evid\u00eancia na pra\u00e7a urbana.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Esta de fato define o lugar ideal \u2013 seja ele foro, templo, p\u00f3rtico, torre, sala \u2013 em que, segundo de Chirico, nos apropriamos da modernidade, seguros de uma consci\u00eancia nova, ou seja, de sermos capazes de procurar respostas n\u00e3o s\u00f3 com a raz\u00e3o e seus ordenamentos regulados, mas tamb\u00e9m com a sensibilidade e com a poesia, entendida como poiesis, isto \u00e9, ato criativo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Entretanto, a enigm\u00e1tica modernidade de de Chirico, na qual certamente se percebe um eco nietzschiano, n\u00e3o delineia um mundo ideal, abstrato, metaf\u00edsico, de verdades absolutas, mas substancia o fulcro de uma investiga\u00e7\u00e3o art\u00edstica que escancara ao nosso olhar a vis\u00e3o de uma realidade c\u00edclica, mut\u00e1vel e ainda assim constante, como que suspensa no tempo dos eternos retornos, propondo-a como fundamento de um conhecimento comum.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O espa\u00e7o urbano, indagado e examinado ao longo de toda sua obra, dos anos de juventude ao retorno final aos temas da metaf\u00edsica, se manter\u00e1 como territ\u00f3rio por excel\u00eancia do enigma, da d\u00favida e do ass\u00edduo interrogar-se humano, argumento que serve de tr\u00e2nsito da arte do passado, investigada na reatualiza\u00e7\u00e3o, entre outros, de D\u00fcrer e Rubens, dois de seus muitos mestres, \u00e0 arte moderna, abrindo novas perspectivas de pesquisa.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A vis\u00e3o do mundo de de Chirico, em que a viv\u00eancia pessoal \u00e9 indissoci\u00e1vel da constru\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano, torna sua experi\u00eancia art\u00edstica ainda hoje muito atual e pr\u00f3xima de nossa sensibilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">De fato, isenta como \u00e9 das sugest\u00f5es psicanal\u00edticas pr\u00f3prias do surrealismo, ela prop\u00f5e o confronto com a eloqu\u00eancia n\u00edtida de lugares arquet\u00edpicos, s\u00f3lidos, definidos, restituindo assim ao sujeito aquela centralidade que, transmitida pela tradi\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica, \u00e9 herdada pelas novas vanguardas, e tamb\u00e9m est\u00e1 na base de experi\u00eancias mais pr\u00f3ximas ao nosso tempo, como a dos situacionistas; com efeito, eles identificam justamente na cidade o pressuposto de uma reforma do sentir comum, que tenha como fundamento a inventividade do sujeito ativo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"color:#ff0000;line-height:1.7;\">++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++<\/span><\/p>\n<p>Para mais textos desse pintor, acesse\u00a0o cat\u00e1logo online da <a href=\"http:\/\/www.casafiatdecultura.com.br\/admin\/catalogos\/chirico.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">exposi\u00e7\u00e3o <\/a>ocorrida de\u00a020 de mar\u00e7o a 20 de maio de 2012\u00a0na Casa Fiat de Cultura e de \u00a031 de maio a 12 de agosto de 2012 no\u00a0Museu de Arte Moderna Assis Chateaubriand \/ MASP!<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.casafiatdecultura.com.br\/admin\/catalogos\/chirico.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3360\" alt=\"De chirico\" src=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/de-chirico.jpg\" width=\"500\" height=\"601\" srcset=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/de-chirico.jpg 628w, https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/de-chirico-250x300.jpg 250w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Maddalena d\u2019Alfonso Giorgio de Chirico assume como universo simb\u00f3lico de sua busca art\u00edstica a cidade e seus cen\u00e1rios arquitet\u00f4nicos, entre os quais coloca, de maneira ponderada e erudita, figuras, imagens, esbo\u00e7os e objetos quase como elementos al\u00f3genos que, justapostos, aludem ao enigma da modernidade. 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