{"id":3982,"date":"2015-03-30T12:47:20","date_gmt":"2015-03-30T14:47:20","guid":{"rendered":"https:\/\/bibliobelas.wordpress.com\/?p=3982"},"modified":"2015-03-30T12:47:20","modified_gmt":"2015-03-30T14:47:20","slug":"o-caminho-e-a-camera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/2015\/03\/o-caminho-e-a-camera\/","title":{"rendered":"O caminho e a c\u00e2mera"},"content":{"rendered":"<h4 class=\"preto\"><span style=\"color:#000000;\"><strong>Tese da Belas Artes mapeia e analisa o filme de estrada latino-americano contempor\u00e2neo<\/strong><\/span><\/h4>\n<p class=\"autor\" style=\"text-align:right;\">Itamar Rigueira Jr.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3983\" aria-describedby=\"caption-attachment-3983\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/filme.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3983\" src=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/filme.jpg\" alt=\"Fotograma de 'Di\u00e1rios de motocicleta', dirigido por Walter Salles: s\u00edntese do filme de estrada latino-americano\" width=\"500\" height=\"173\" srcset=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/filme.jpg 897w, https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/filme-300x104.jpg 300w, https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/filme-768x265.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3983\" class=\"wp-caption-text\">Fotograma de &#8216;Di\u00e1rios de motocicleta&#8217;, dirigido por Walter Salles: s\u00edntese do filme de estrada latino-americano<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"autor\" style=\"text-align:justify;\">Por defini\u00e7\u00e3o, uma viagem tem come\u00e7o, meio e fim. Inclui a prepara\u00e7\u00e3o e a partida, os acontecimentos do percurso e a chegada. N\u00e3o necessariamente, essa rota se aplica ao cinema e, particularmente, aos filmes de estrada latino-americanos contempor\u00e2neos. Nessas produ\u00e7\u00f5es, os personagens continuam suas viagens mesmo depois do \u201cfim\u201d. N\u00e3o importa se atingiram seus objetivos ou se falharam.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Essa \u00e9 uma das caracter\u00edsticas encontradas nos filmes de estrada \u2013 nove obras de seis pa\u00edses da regi\u00e3o, produzidas entre 1990 e 2010 \u2013 analisados pela jornalista e pesquisadora Mariana M\u00f3l Gon\u00e7alves, que defendeu tese na Escola de Belas Artes. Ela deparou com \u201csujeitos de suas pr\u00f3prias trajet\u00f3rias\u201d, pessoas de carne e osso, envolvidas em tramas simples, mas de alcance profundo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mariana M\u00f3l se debru\u00e7ou sobre filmes de Brasil, Argentina, M\u00e9xico, Uruguai, Equador e Cuba, al\u00e9m de <i>Di\u00e1rios de motocicleta<\/i>, de Walter Salles, produ\u00e7\u00e3o que a autora do trabalho classifica de \u201cpan-americana\u201d. Depois de uma revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica em que reconhece a influ\u00eancia do<i>road movie<\/i> consagrado nos Estados Unidos e de destrinchar as caracter\u00edsticas hist\u00f3ricas do cinema na Am\u00e9rica Latina, a pesquisadora dividiu os filmes de seu corpus em tr\u00eas grupos, de acordo com suas caracter\u00edsticas mais fortes.<\/p>\n<h2 style=\"text-align:justify;\">Motiva\u00e7\u00e3o m\u00ednima<\/h2>\n<p style=\"text-align:justify;\">O primeiro bloco se destaca pelos \u201crelatos m\u00ednimos\u201d: quest\u00f5es humanas tratadas de forma singela em encontros e desencontros que seguem a l\u00f3gica do tempo da viagem. \u201cEsses deslocamentos n\u00e3o t\u00eam um objetivo grandioso, a motiva\u00e7\u00e3o pode ser a vontade de seis amigos de ver o mar pela primeira vez\u201d, exemplifica Mariana, referindo-se a <i>El viaje hacia el mar<\/i>, de Guillermo Casanova (Uru\/Arg, 2003). Segundo ela, esse grupo apresenta uma caracter\u00edstica comum a todos os filmes estudados, que \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o enxuta, com aproveitamento m\u00e1ximo de recursos. <i>Viajo porque preciso, volto porque te amo<\/i>, de Marcelo Gomes e Karim A\u00efnouz (Bra, 2009), e <i>Hist\u00f3rias m\u00ednimas<\/i>, de Carlos Sor\u00edn (Arg\/Esp, 2002), completam o bloco.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Se o <i>road movie<\/i> cl\u00e1ssico \u00e9 feito de carro ou moto, por uma ou duas pessoas, nos longas analisados as viagens envolvem muitas vezes mais gente, e os meios de transporte s\u00e3o variados \u2013 bicicleta, \u00f4nibus, caminh\u00e3o, e h\u00e1 tamb\u00e9m quem v\u00e1 a p\u00e9 ou de carona. <i>Fam\u00edlia rodante<\/i>, de Pablo Trapero (Arg\/Bra\/Esp, 2004), re\u00fane 12 parentes em uma casa sobre rodas e exp\u00f5e quest\u00f5es de g\u00eanero e geracionais. \u201cO segundo bloco agrupa filmes com rela\u00e7\u00f5es familiares mais intrincadas, tamb\u00e9m pautadas pela coprodu\u00e7\u00e3o. Tendo mulheres como protagonistas, essas produ\u00e7\u00f5es exploram com mais intensidade trilhas sonoras identificadas com o pa\u00eds onde a trama se passa\u201d, explica Mariana M\u00f3l. O grupo \u00e9 composto ainda de Guantanamera, de Tom\u00e1s Guti\u00e9rrez Alea e Juan Carlos Tab\u00edo (Cub\/Esp\/Ale, 1995), e <i>E sua m\u00e3e tamb\u00e9m<\/i>, de Alfonso Cuar\u00f3n (M\u00e9x, 2001).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Os tr\u00eas \u00faltimos filmes explorados por Mariana M\u00f3l simbolizam com mais intensidade um tipo de produ\u00e7\u00e3o carregado de realidade. A pesquisadora lembra que o cinema latino-americano \u00e9 herdeiro do Neorrealismo italiano, que mostrou a Europa destru\u00edda do p\u00f3s-guerra, filmada do lado de fora. \u201cOs cineastas daqui usam o espa\u00e7o f\u00edsico como elemento de realidade. E o realismo do conte\u00fado contagia a forma, ou seja, o modo de produ\u00e7\u00e3o, baseado muitas vezes, por exemplo, no registro que mistura o documental e o ficcional\u201d, ela comenta. Esse bloco \u00e9 formado por <i>Cinema, aspirina e urubus<\/i>, de Marcelo Gomes (Bra, 2005), <i>Que t\u00e1n lejos<\/i>, de Tania Hermida (Equ, 2006), e <i>Di\u00e1rios de motocicleta<\/i> (v\u00e1rios, 2004).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A obra de Walter Salles, que levou para as telas a viagem do jovem Ernesto Guevara com seu amigo Alberto Granado, sintetiza, de acordo com a pesquisadora, o perfil do filme de estrada latino-americano contempor\u00e2neo. \u201cSob o impacto de paisagens grandiosas, dois jovens entram em contato com \u00edndios, agricultores e outros explorados, e, por meio da viagem, tomam consci\u00eancia da realidade. O filme mostra que toda viagem \u00e9 transformadora\u201d, afirma Mariana M\u00f3l.<\/p>\n<div class=\"info\" style=\"text-align:justify;\"><b>Tese:<\/b> <i>Filmes de estradae Am\u00e9rica Latina: caminhos de uma est\u00e9tica e narrativa pr\u00f3pria<\/i><br \/>\nDe Mariana M\u00f3l Gon\u00e7alves<br \/>\n<b>Orientadora:<\/b> Ana L\u00facia Andrade<br \/>\nDefendida em agosto de 2014, no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Artes da Escola de Belas Artes<\/div>\n<p style=\"text-align:justify;\"><span style=\"color:#000000;\"><strong>\u00a0Texto completo dispon\u00edvel na <a style=\"color:#000000;\" href=\"http:\/\/www.bibliotecadigital.ufmg.br\/dspace\/handle\/1843\/EBAC-9Q3LZS\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Biblioteca Digital de Teses e Disserta\u00e7\u00f5es<\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tese da Belas Artes mapeia e analisa o filme de estrada latino-americano contempor\u00e2neo Itamar Rigueira Jr. Por defini\u00e7\u00e3o, uma viagem tem come\u00e7o, meio e fim. 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