{"id":4420,"date":"2016-04-07T18:38:18","date_gmt":"2016-04-07T20:38:18","guid":{"rendered":"https:\/\/bibliobelas.wordpress.com\/?p=4420"},"modified":"2016-04-07T18:38:18","modified_gmt":"2016-04-07T20:38:18","slug":"a-anacronia-do-presente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/2016\/04\/a-anacronia-do-presente\/","title":{"rendered":"A anacronia do presente"},"content":{"rendered":"<h4 class=\"preto\"><strong><span style=\"color:#000000;\">Em livro publicado pela Editora UFMG, Didi-Huberman prop\u00f5e arqueologia cr\u00edtica da hist\u00f3ria da arte com base nas rela\u00e7\u00f5es entre imagem e tempo<\/span><\/strong><\/h4>\n<p class=\"autor\">Ewerton Martins Ribeiro<\/p>\n<p class=\"autor\">\n<p class=\"primeiroparagrafo\"><a class=\"borderit\" title=\"Diante do tempo: Hist\u00f3ria da arte e anacronismo das imagens\" href=\"https:\/\/www.ufmg.br\/boletim\/bol1935\/img\/8_1_g.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"https:\/\/www.ufmg.br\/boletim\/bol1935\/img\/8_1_p.jpg\" alt=\"Diante do tempo: Hist\u00f3ria da arte e anacronismo das imagens\" width=\"208\" height=\"310\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"primeiroparagrafo\" style=\"text-align:justify;\">Georges Didi-Huberman \u00e9 um dos pensadores mais influentes no campo de estudos que se situa no cruzamento entre est\u00e9tica, filosofia e hist\u00f3ria da arte. Nas ci\u00eancias humanas brasileiras, especificamente, assim como na \u00e1rea de lingu\u00edstica, letras e artes, sua leitura se popularizou com tradu\u00e7\u00f5es publicadas pelas editoras 34 e Contraponto e se intensificou especialmente a partir de 2011, com a publica\u00e7\u00e3o de<em>Sobreviv\u00eancia dos vaga-lumes<\/em>, pela Editora UFMG.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O livrinho \u2013 que mobiliza uma postura de esperan\u00e7a face ao contempor\u00e2neo \u2013 fez-se um pequeno petardo ao propor reflex\u00f5es que interessam a pesquisadores de \u00e1reas distintas (das belas-artes \u00e0 hist\u00f3ria, da filosofia \u00e0 literatura) e ao estabelecer um di\u00e1logo atualizado com intelectuais de diferentes gera\u00e7\u00f5es, como Walter Benjamin, Pier Paolo Pasolini e Giorgio Agamben.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Agora, cinco anos depois de <em>Sobreviv\u00eancia<\/em>, a Editora UFMG disp\u00f5e nas prateleiras das livrarias brasileiras uma tradu\u00e7\u00e3o in\u00e9dita de <em>Diante do tempo: Hist\u00f3ria da arte e anacronismo das imagens<\/em>, livro em que o historiador prop\u00f5e uma arqueologia cr\u00edtica da hist\u00f3ria da arte, partindo das rela\u00e7\u00f5es entre imagem e tempo e dos valores de uso do tempo na hist\u00f3ria da arte.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Se no livro dos vaga-lumes Didi-Huberman investiu suas energias em defender a sobreviv\u00eancia da imagem e da experi\u00eancia no mundo contempor\u00e2neo (e em estabelecer os par\u00e2metros dessa sobreviv\u00eancia), em <em>Diante do tempo<\/em>, ele vai propor uma &#8220;semiologia n\u00e3o iconol\u00f3gica&#8221; para suas reflex\u00f5es sobre a imagem: &#8220;uma semiologia que n\u00e3o fosse nem positivista (a representa\u00e7\u00e3o como espelho das coisas), nem mesmo estruturalista (a representa\u00e7\u00e3o como sistema de signos)&#8221;, escreve. Com isso, o cr\u00edtico de arte p\u00f5e em quest\u00e3o a pr\u00f3pria ideia de representa\u00e7\u00e3o, num &#8220;debate de ordem epistemol\u00f3gica sobre os meios e os fins da hist\u00f3ria da arte como disciplina&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">&#8220;Houve um investimento da Editora UFMG na compra dos direitos de tradu\u00e7\u00e3o deste autor&#8221;, conta Roberto Said, vice-diretor da Editora. &#8220;Nesse sentido, j\u00e1 temos tr\u00eas novas publica\u00e7\u00f5es programadas: <em>Atlas: o gaio saber inquieto<\/em>, <em>O olho da hist\u00f3ria<\/em> e <em>Quando as imagens tomam posi\u00e7\u00e3o<\/em>. Com esse investimento, a Editora UFMG provavelmente ser\u00e1, no Brasil, a que mais ter\u00e1 publica\u00e7\u00f5es da vasta obra do escritor&#8221;, comemora.<\/p>\n<h2 style=\"text-align:justify;\">Futuro em muta\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p style=\"text-align:justify;\">Traduzido por Vera Casa Nova e M\u00e1rcia Arbex, professoras da Faculdade de Letras, o livro agora publicado sugere que &#8220;sempre, diante da imagem, estamos diante do tempo&#8221; e nos prop\u00f5e interrogar os objetos imag\u00e9ticos do contempor\u00e2neo com olhares agu\u00e7ados, perscrutando neles aquilo que, em anacronismo, eles nos contam sobre o tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na obra, Didi-Huberman vai dizer que, diante de uma imagem antiga, por mais antiga que ela seja, vemos o presente, que nunca para de se reconfigurar. Ao mesmo tempo, sentencia que, diante de uma imagem recente, por mais recente que ela seja, vemos da nossa parte o passado, que tamb\u00e9m nunca cessa de se reconfigurar, j\u00e1 que toda imagem s\u00f3 se torna pens\u00e1vel numa constru\u00e7\u00e3o de mem\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mais do que isso, Didi-Huberman nos provoca dizendo que, diante de uma imagem, seja ela antiga ou recente, vemos ainda o futuro \u2013 a ideia de futuro, em constante muta\u00e7\u00e3o. &#8220;Temos de reconhecer humildemente isto: que ela [<em>a imagem<\/em>] provavelmente nos sobreviver\u00e1&#8221;, diz. &#8220;Somos diante dela o elemento de passagem, e ela \u00e9, diante de n\u00f3s, o elemento do futuro, o elemento da dura\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Nesse sentido, &#8220;a imagem tem frequentemente mais mem\u00f3ria e mais futuro que o ser que a olha&#8221;, diz Didi-Huberman, mas sem ver nesse achado um entrave para a investiga\u00e7\u00e3o intelectual. Para o cr\u00edtico, ao contr\u00e1rio, sendo a imagem um arcabou\u00e7o anacr\u00f4nico de tempos, ela se faz o objeto de excel\u00eancia para a investiga\u00e7\u00e3o do tempo presente e do seu anacronismo. Entrar em contato com essa multiplicidade temporal, assim, seria entrar &#8220;no saber que tem o nome de hist\u00f3ria da arte&#8221;, interessando-se pela arqueologia &#8220;do saber sobre a arte e sobre as imagens&#8221;.<\/p>\n<p class=\"info\"><strong>Livro:<\/strong> <em>Diante do tempo: Hist\u00f3ria da arte e anacronismo das imagens<\/em><br \/>\n<strong>Autor:<\/strong> Georges Didi-Huberman<br \/>\n<strong>Editora UFMG<\/strong><br \/>\n328 p\u00e1ginas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em livro publicado pela Editora UFMG, Didi-Huberman prop\u00f5e arqueologia cr\u00edtica da hist\u00f3ria da arte com base nas rela\u00e7\u00f5es entre imagem e tempo Ewerton Martins Ribeiro Georges Didi-Huberman \u00e9 um dos pensadores mais influentes no campo de estudos que se situa no cruzamento entre est\u00e9tica, filosofia e hist\u00f3ria da arte. Nas ci\u00eancias humanas brasileiras, especificamente, assim &hellip; <a href=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/2016\/04\/a-anacronia-do-presente\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">A anacronia do presente<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[10,20,90],"class_list":["post-4420","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-postagens","tag-arte-historia","tag-artes-literatura","tag-literatura-academica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4420","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4420"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4420\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4420"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4420"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4420"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}