{"id":5662,"date":"2020-06-23T16:46:17","date_gmt":"2020-06-23T18:46:17","guid":{"rendered":"https:\/\/bibliobelas.wordpress.com\/?p=5662"},"modified":"2020-06-23T16:46:17","modified_gmt":"2020-06-23T18:46:17","slug":"obra-de-professora-da-eba-aborda-materialidade-do-livro-na-franca-do-seculo-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/2020\/06\/obra-de-professora-da-eba-aborda-materialidade-do-livro-na-franca-do-seculo-19\/","title":{"rendered":"Obra de professora da EBA aborda materialidade do livro na Fran\u00e7a do s\u00e9culo 19."},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-justify\"><strong><em>Ana Utsch parte do fen\u00f4meno \u2018Dom Quixote\u2019 para revelar as compet\u00eancias t\u00e9cnicas e simb\u00f3licas da encaderna\u00e7\u00e3o.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"712\" height=\"474\" src=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/d8f6659f74b1839f0e3170ab824d1acb_15928329091833_256563940.png?w=712\" alt=\"\" class=\"wp-image-5663\" srcset=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/d8f6659f74b1839f0e3170ab824d1acb_15928329091833_256563940.png 712w, https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/d8f6659f74b1839f0e3170ab824d1acb_15928329091833_256563940-300x200.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 712px) 100vw, 712px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>&#8216;Dom Quixote&#8217;, em edi\u00e7\u00e3o de 1836, da Dubochet<\/em>  &#8211; <small><em>Acervo da autora<\/em><\/small><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A professora Ana Utsch, do curso de Conserva\u00e7\u00e3o-Restaura\u00e7\u00e3o da Escola de Belas Artes e vinculada tamb\u00e9m \u00e0 p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Estudos Liter\u00e1rios da UFMG, lan\u00e7a nesta quarta-feira, 24, pela editora francesa Garnier, o volume&nbsp;<em>R\u00e9\u00e9diter Don Quichotte \u2013 Mat\u00e9rialit\u00e9 du livre dans la France du XIXe si\u00e8cle<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ana toma como objeto principal de seu estudo o cl\u00e1ssico&nbsp;<em>Dom Quixote<\/em>, escrito pelo espanhol Miguel de Cervantes no in\u00edcio do s\u00e9culo 17 \u2013 que se tornaria, no s\u00e9culo 19, segundo a autora,&nbsp;um dos grandes livros da cultura editorial rom\u00e2ntica francesa&nbsp;\u2013, para investigar o valor t\u00e9cnico e simb\u00f3lico da encaderna\u00e7\u00e3o e de outros aspectos da produ\u00e7\u00e3o editorial na Fran\u00e7a oitocentista. \u201cO s\u00e9culo 19 incitou a multiplica\u00e7\u00e3o vertiginosa das modalidades materiais do livro. Mostro como a encaderna\u00e7\u00e3o participou dos processos de forma\u00e7\u00e3o de p\u00fablico no interior do mundo editorial\u201d, diz a pesquisadora, que se formou mestre e doutora em hist\u00f3ria cultural pela \u00c9cole des Hautes \u00c9tudes em Sciences Sociales, na Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Algumas das novidades surgidas no s\u00e9culo 19, como a estandardiza\u00e7\u00e3o dos livros, est\u00e3o relacionadas, como observa Ana Utsch, \u00e0 produ\u00e7\u00e3o acelerada, possibilitada pelo incremento da m\u00e1quina a vapor e pela progressiva mecaniza\u00e7\u00e3o dos processos de produ\u00e7\u00e3o. \u201cAo mesmo tempo, ao contr\u00e1rio do que se pode imaginar, os editores entenderam que era hora de diversificar a distribui\u00e7\u00e3o, por meio da multiplica\u00e7\u00e3o da materialidade do livro, e passaram a ser criados programas editoriais distintos para a mesma obra, atendendo \u00e0s diferentes camadas de um p\u00fablico leitor em forma\u00e7\u00e3o\u201d, explica a autora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ana dedica parte de seu trabalho a dois editores emblem\u00e1ticos: L\u00e9on Curmer e Louis Hachette. O primeiro, segundo ela, \u201cinovou e inventou a demanda, criou o culto ao belo livro\u201d. Ele aumentou tiragens e apresentou-as em fasc\u00edculos e nas formas de brochuras, encaderna\u00e7\u00f5es simples ou luxuosas. Hachette, por sua vez, \u201crespondeu com efici\u00eancia \u00e0 demanda gerada pelos primeiros conquistadores e se afirmou como editor bem-sucedido do primeiro capitalismo editorial\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/f7838.jpg?w=352\" alt=\"\" class=\"wp-image-5664\" width=\"352\" height=\"540\" srcset=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/f7838.jpg 352w, https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/f7838-196x300.jpg 196w\" sizes=\"auto, (max-width: 352px) 100vw, 352px\" \/><figcaption><em>Ana Utsch<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><strong><em>Encadernar era ilustrar<\/em>.<br><\/strong>Em outros cap\u00edtulos de\u00a0<em>R\u00e9editer Don Quichotte<\/em>, a professora da UFMG revela como a encaderna\u00e7\u00e3o foi posta em circula\u00e7\u00e3o entre as comunidades de leitores criadas naquele momento hist\u00f3rico, mostra que encadernar era tamb\u00e9m ilustrar o texto e constata que, na segunda metade do s\u00e9culo 19, os procedimentos de produ\u00e7\u00e3o do livro estabilizaram-se, e a estrat\u00e9gia de diversifica\u00e7\u00e3o de formatos foi bem-sucedida. Ana Utsch comenta que as cole\u00e7\u00f5es editoriais organizavam-se\u00a0em listas tematizadas, em que o crit\u00e9rio central era, muitas vezes, o tipo de encaderna\u00e7\u00e3o. \u201cO objetivo era orientar o leitor ou o comprador, e a escolha se pautava sobretudo pelo pre\u00e7o, determinado pelo grau de sofistica\u00e7\u00e3o da edi\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">O grupo Garnier, que se consolidou na segunda metade do s\u00e9culo 19 e foi nesse per\u00edodo, segundo a autora, uma das principais editoras da obra de Cervantes, merece destaque no livro de Ana Utsch. \u201cA Garnier levou&nbsp;<em>Dom Quixote<\/em>&nbsp;tamb\u00e9m para o mundo ibero-americano e criou novos nichos de difus\u00e3o \u2013 por exemplo, recuperando e publicando uma antiga tradu\u00e7\u00e3o para o p\u00fablico infantil\u201d, afirma a pesquisadora, que integra o grupo de coordena\u00e7\u00e3o da Rede Latino-americana de Cultura Gr\u00e1fica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ana Utsch apresenta os estilos decorativos que marcaram as numerosas edi\u00e7\u00f5es de Dom Quixote e inova ao estudar o mundo da encaderna\u00e7\u00e3o com base em uma \u00fanica obra. \u201cMinha pesquisa demonstra como&nbsp;<em>Quixote&nbsp;<\/em>nos possibilita identificar unidades tem\u00e1ticas e estil\u00edsticas, com diferentes matizes ideol\u00f3gicos e pol\u00edticos, que atravessaram o mundo editorial franc\u00eas do s\u00e9culo 19&#8243;, ela diz.&nbsp;&#8220;Produzo uma hist\u00f3ria da encaderna\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m da literatura e da apropria\u00e7\u00e3o do livro naquele per\u00edodo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">No pref\u00e1cio de\u00a0<em>R\u00e9\u00e9diter Don Quichotte<\/em>, Roger Chartier, um dos maiores nomes da hist\u00f3ria da edi\u00e7\u00e3o, do livro e da leitura \u2013 e orientador de Ana Utsch nas pesquisas de mestrado e doutorado \u2013, lembra que ela \u00e9 uma \u201cencadernadora inventiva\u201d, al\u00e9m de historiadora rigorosa. Chartier afirma que o trabalho \u201c\u00e9 uma grande contribui\u00e7\u00e3o para a hist\u00f3ria da materialidade dos textos\u201d. Escreve ainda o professor franc\u00eas: \u201cA composi\u00e7\u00e3o industrial assegura a uniformidade textual dos exemplares enquanto a extrema diversidade das encaderna\u00e7\u00f5es garante a singularidade no seio da reprodu\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica.\u00a0Esta interse\u00e7\u00e3o essencial \u00e9 colocada em evid\u00eancia, pela primeira vez, neste livro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"200\" height=\"300\" src=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/anums01b.png?w=200\" alt=\"\" class=\"wp-image-5667\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Livro<\/strong>:\u00a0<em><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/classiques-garnier.com\/reediter-don-quichotte-materialite-du-livre-dans-la-france-du-xixe-siecle.html\" target=\"_blank\">R\u00e9\u00e9diter Don Quichotte \u2013 Mat\u00e9rialit\u00e9 du livre dans la France du XIXe si\u00e8cle<\/a><br><\/em><strong>Autora<\/strong>: Ana Utsch<br><strong>Editora<\/strong>: Classiques Garnier <br><strong>Lan\u00e7amento<\/strong>: 24 de junho.<\/p>\n\n\n\n<p><em><span class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">Fonte: Cedecom UFMG &#8211; Itamar Rigueira Jr.<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Utsch parte do fen\u00f4meno \u2018Dom Quixote\u2019 para revelar as compet\u00eancias t\u00e9cnicas e simb\u00f3licas da encaderna\u00e7\u00e3o. &#8216;Dom Quixote&#8217;, em edi\u00e7\u00e3o de 1836, da Dubochet &#8211; Acervo da autora A professora Ana Utsch, do curso de Conserva\u00e7\u00e3o-Restaura\u00e7\u00e3o da Escola de Belas Artes e vinculada tamb\u00e9m \u00e0 p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Estudos Liter\u00e1rios da UFMG, lan\u00e7a nesta quarta-feira, 24, &hellip; <a href=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/2020\/06\/obra-de-professora-da-eba-aborda-materialidade-do-livro-na-franca-do-seculo-19\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Obra de professora da EBA aborda materialidade do livro na Fran\u00e7a do s\u00e9culo 19.<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-5662","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-postagens"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5662","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5662"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5662\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5662"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5662"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5662"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}