{"id":982,"date":"2011-06-14T20:47:19","date_gmt":"2011-06-14T22:47:19","guid":{"rendered":"http:\/\/bibliobelas.wordpress.com\/?p=982"},"modified":"2011-06-14T20:47:19","modified_gmt":"2011-06-14T22:47:19","slug":"projeto-memoria-grafica-ganha-novo-impulso-com-parceria-com-o-centro-cultural-da-ufmg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/index.php\/2011\/06\/projeto-memoria-grafica-ganha-novo-impulso-com-parceria-com-o-centro-cultural-da-ufmg\/","title":{"rendered":"Projeto Mem\u00f3ria Gr\u00e1fica ganha novo impulso com parceria com o Centro Cultural da UFMG"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>A abertura de um museu no conjunto arquitet\u00f4nico da Pra\u00e7a da Esta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ajuda apaixonados por tipografia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/20110608113320806.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-983\" title=\"20110608113320806\" src=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/20110608113320806.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"271\" srcset=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/20110608113320806.jpg 570w, https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/20110608113320806-300x163.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">H\u00e1 uma d\u00e9cada, um grupo de apaixonados por artes gr\u00e1ficas, sonhando colocar em funcionamento uma velha tipografia encostada na extinta Febem, criou o projeto Mem\u00f3ria Gr\u00e1fica. Conseguidos os equipamentos, foram \u00e0 luta em busca de espa\u00e7o para trabalhar com impress\u00f5es de arte. E acabaram vizinhos do Centro de Interna\u00e7\u00e3o do Adolescente Santa Terezinha, no Horto, aproveitando para dar uma ocupa\u00e7\u00e3o a jovens em situa\u00e7\u00e3o de risco social ou em conflito com a lei. Desde ent\u00e3o, a \u201cnova tipografia\u201d, que \u00e9 aberta \u00e0 visita\u00e7\u00e3o, vem produzindo livros, agendas, \u00e1lbuns, cart\u00f5es e gravuras cujo engenho e capricho de realiza\u00e7\u00e3o s\u00e3o dignos de nota. Surge agora a parceria com o Centro Cultural da UFMG para a viabiliza\u00e7\u00e3o do Museu Vivo Mem\u00f3ria Gr\u00e1fica.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0Trata-se de pequeno parque gr\u00e1fico surgido da soma de equipamentos antigos de v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es. O objetivo \u00e9 promover pr\u00e1ticas e tradi\u00e7\u00f5es que constituem o universo das artes do livro. A programa\u00e7\u00e3o, diferente a cada semestre, inclui encontros, semin\u00e1rios, edi\u00e7\u00f5es e mostras. Sexta-feira teve in\u00edcio o curso de caligrafia medieval e renascentista, desenvolvendo os estilos carol\u00edngio min\u00fasculo e humanista mai\u00fasculo. J\u00e1 est\u00e3o ocorrendo tamb\u00e9m cursos de encaderna\u00e7\u00e3o artesanal livre, marmoriza\u00e7\u00e3o, tipografia e gravura.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0No Museu Vivo Mem\u00f3ria Gr\u00e1fica, o visitante vai poder ver uma gr\u00e1fica funcionando e todos os processos e fases de elabora\u00e7\u00e3o de uma impress\u00e3o. \u201c\u00c9 trabalho de preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria\u201d, afirma Maria Dulce Barbosa, uma das fundadoras do projeto, explicando que o momento \u00e9 de expans\u00e3o de atividades e est\u00edmulo \u00e0 pesquisa. \u201cO Museu Vivo une patrim\u00f4nio material, a recupera\u00e7\u00e3o de antigos equipamentos que voltam a ganhar vida, e imaterial, com o resguardo e difus\u00e3o de of\u00edcios e tradi\u00e7\u00f5es gestuais da constru\u00e7\u00e3o do livro\u201d, acrescenta a coordenadora de cursos Ana Utsch, professora de hist\u00f3ria do livro e restaura\u00e7\u00e3o de acervos bibliogr\u00e1ficos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_984\" aria-describedby=\"caption-attachment-984\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/20110608113504435.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-984\" title=\"Dulce Barbosa e Ana Utsch \" src=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/20110608113504435.jpg\" alt=\"Dulce Barbosa e Ana Utsch destacam o alcance social do projeto\" width=\"500\" height=\"271\" srcset=\"https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/20110608113504435.jpg 570w, https:\/\/bibliobelas.eba.ufmg.br\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/20110608113504435-300x163.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-984\" class=\"wp-caption-text\">Dulce Barbosa e Ana Utsch destacam o alcance social do projeto<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0Grande interesse \u201cA gr\u00e1fica antiga est\u00e1 viv\u00edssima, tornou-se arte\u201d, afirma Maria Dulce Barbosa, contando que os cursos, realizados desde o ano passado, andam atraindo muita gente. Houve quem se inscrevesse nas atividades por curiosidade, como um hobby, para criar pequenos objetos, e terminou encantado, por exemplo, com velhas t\u00e9cnicas de decora\u00e7\u00e3o de capas, como a marmoriza\u00e7\u00e3o. \u201cA boa repercuss\u00e3o deu seguran\u00e7a para avan\u00e7armos\u201d, acrescenta Dulce. \u201cO livro no cotidiano \u00e9 maravilhoso\u201d, completa Ana Utsch. \u201cMas desloc\u00e1-lo dessa situa\u00e7\u00e3o de banalidade permite ver que ele tem uma hist\u00f3ria que nos ajuda a compreender as transforma\u00e7\u00f5es quais o livro vem passando.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u201cContra as previs\u00f5es pessimistas que proclamam o fim do livro, com a chegada dos novos suportes eletr\u00f4nicos, a hist\u00f3ria nos permite compreender que os objetos que nos d\u00e3o a ler a palavra escrita j\u00e1 passaram por in\u00fameras transforma\u00e7\u00f5es materiais\u201d, explica Ana Utsch. Um grande exemplo \u00e9 a passagem do vol\u00famem (rolos de textos), suporte da palavra na antiguidade greco-romana, para o c\u00f3dex (conjuntos de folhas reunidas sob uma capa), do mundo crist\u00e3o. Transforma\u00e7\u00e3o de ordem t\u00e9cnica a est\u00e9tica formalizada por volta dos s\u00e9culos 3 e 4, que funda aspectos que definem o livro como o conhecemos hoje: p\u00e1gina, encaderna\u00e7\u00e3o, unidade livro.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O projeto, continua Dulce, \u00e9 produzir edi\u00e7\u00f5es limitadas, assinadas, especiais, que brinquem com tipos e formata\u00e7\u00f5es. Por isso mesmo desejam atrair para o local artistas, poetas, designers e estudiosos. \u201cN\u00e3o vamos ficar restritos a cursos, oficinas e exposi\u00e7\u00f5es. Gostar\u00edamos de editar material did\u00e1tico, textos sobre a hist\u00f3ria do livro, o que \u00e9, tamb\u00e9m, uma maneira de difundir o projeto\u201d, ressalta Ana Utsch. Para ela e Dulce, o importante \u00e9 aproveitar bem uma circunst\u00e2ncia especial que tem permitido aproximar resgate e restaura\u00e7\u00e3o de velhos equipamentos com pesquisas inovadoras na \u00e1rea das artes gr\u00e1ficas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A intensifica\u00e7\u00e3o das atividades do Museu Vivo Mem\u00f3ria Gr\u00e1fica, segundo Dulce Barbosa, n\u00e3o significa o fim das atividades com os jovens em situa\u00e7\u00e3o de risco no Horto. At\u00e9 pelos bons resultados apresentados. \u201cA gr\u00e1fica encantou os jovens, induz \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o, mostra a eles que podem fazer seus livros sem depender de ningu\u00e9m\u201d, enfatiza. \u201c\u00c9 muito bom ver jovens que superaram problemas agora constituindo fam\u00edlia. Traz o sentimento que o projeto deu certo\u201d, comemora. \u201cA prova s\u00e3o publica\u00e7\u00f5es, folhetos que todo mundo gosta e acha bonito\u201d, conclui. Artes gr\u00e1ficas, garante Dulce, t\u00eam potencial social e est\u00e9tico forte.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Hist\u00f3ria\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Tipografia \u2013<\/strong> Em meados do s\u00e9culo 15, surgiu na Europa uma nova modalidade t\u00e9cnica de reprodu\u00e7\u00e3o da palavra escrita que revolucionou o sistema de produ\u00e7\u00e3o, difus\u00e3o e recep\u00e7\u00e3o do livro. A tipografia, tal como foi concebida por Gutenberg, funcionava como um sistema de caracteres m\u00f3veis e reutiliz\u00e1veis, constitu\u00eddos por uma liga de chumbo e antim\u00f4nio, que permitem a impress\u00e3o de um texto em larga escala. Apesar de ter passado por modifica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas consider\u00e1veis que permitiram o aumento da produtividade \u2013 sobretudo no s\u00e9culo 19, com o aparecimento da rotativa \u2013, o sistema permaneceu o mesmo at\u00e9 o advento do offset, no s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0<strong>Encaderna\u00e7\u00e3o \u2013<\/strong> As in\u00fameras t\u00e9cnicas de encaderna\u00e7\u00e3o s\u00e3o na realidade as respons\u00e1veis pela concep\u00e7\u00e3o c\u00f3dex (conjunto de folhas reunidas sob uma capa) e, portanto, do livro moderno. Mesmo tendo sido respons\u00e1vel pela materialidade do objeto livro durante todo o per\u00edodo de produ\u00e7\u00e3o manuscrita (s\u00e9culos 3 a 14), foi apenas a partir do s\u00e9culo 16, com a multiplica\u00e7\u00e3o do n\u00famero de exemplares das tiragens, que a encaderna\u00e7\u00e3o teve sua forma tradicional formalizada e fixada a partir de um modelo t\u00e9cnico e est\u00e9tico ainda hoje praticado na Europa e designado \u201cencaderna\u00e7\u00e3o tradicional\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>\u00a0Manuscritos \u2013<\/strong> Nos primeiros 50 anos que regulam a passagem do modo de produ\u00e7\u00e3o manuscrito \u00e0 produ\u00e7\u00e3o tipogr\u00e1fica (o per\u00edodo dos incun\u00e1bulos), os elementos visuais que comp\u00f5em a p\u00e1gina manuscrita s\u00e3o simplesmente transpostos para a p\u00e1gina impressa. Os primeiros tip\u00f3grafos tentavam obstinadamente se aproximar da est\u00e9tica fixada pelo livro manuscrito, inclusive na cria\u00e7\u00e3o de tipos que lembram manuscritos. A tipografia se afasta da heran\u00e7a manuscrita e formaliza uma linguagem gr\u00e1fica pr\u00f3pria a partir do trabalho dos grandes editores humanistas, italianos e franceses, do s\u00e9culo 16.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.divirta-se.uai.com.br\/html\/sessao_7\/2011\/06\/08\/ficha_agitos\/id_sessao=7&amp;id_noticia=39693\/ficha_agitos.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.divirta-se.uai.com.br\/html\/sessao_7\/2011\/06\/08\/ficha_agitos\/id_sessao=7&amp;id_noticia=39693\/ficha_agitos.shtml<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A abertura de um museu no conjunto arquitet\u00f4nico da Pra\u00e7a da Esta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ajuda apaixonados por tipografia. 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