Desvelando o imaginário
o corpo masculino na dança do ventre
Palavras-chave:
Colonialismo, Dança do ventre, Homens, Gênero e MasculinidadeResumo
A presente monografia investiga a incidência de corpos masculinos na dança do ventre, buscando compreender os percursos históricos, culturais e sociais que contribuíram para a baixa participação de homens na modalidade. Com abordagem qualiquantitativa, o estudo articula análise bibliográfica, entrevistas, levantamento de dados e observação do cenário da dança em Belo Horizonte. O
trabalho inicia com um panorama das origens da dança do ventre, destacando como interpretações orientalistas, o erotismo e influências do colonialismo europeu moldaram representações sobre o feminino e delimitaram os corpos considerados legítimos para ocupar esse espaço. Discute o papel de Mahmoud Reda na mudança de perspectiva da dança no Egito, evidenciando tanto seu
impacto na legitimação da prática quanto às contradições de sua estética, que contribuiu para a marginalização e consequente exclusão de homens nos palcos. Em seguida, apresenta um breve histórico da chegada e popularização da dança do ventre no Brasil e problematiza a presença masculina a partir de debates sobre gênero, colonialidade e preconceitos sociais. A pesquisa analisa ainda o
cenário atual em Belo Horizonte, com foco no Centro de Arte e Cultura Brigitte Bacha (SBB) e no Centro de Danças Letícia Soares (CDLS), investigando como essas instituições lidam com a participação masculina e quais desafios enfrentam para promover práticas inclusivas. Relatos de três bailarinos: Douglas Carvalho, Henrique Santos e Igor Kischka; aprofundam a compreensão das experiências,
tensões e resistência presentes na trajetória de homens que se dedicam à dança do ventre. Conclui-se que a modalidade, enquanto linguagem artística plural, necessita de esforços contínuos para romper paradigmas, ampliar espaços de pertencimento e reconhecer a importância dos corpos masculinos na construção de uma dança mais diversa .